Rio-2016: crise no estado do Rio pode afetar os Jogos?

Crédito da foto: Foto: J. P. Engelbrecht

 A princípio, as Olimpíadas Rio-2016 deveria gerar muito emprego e renda para o Rio de Janeiro mas como o Brasil e o estado fluminense vivem momentos de grave crise econômica há incertezas. Estudo encomendado em 2009 mostra o que a prefeitura do Rio esperava com a realização dos Jogos Olímpicos.

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Quando o Rio de Janeiro competiu para ser sede dos Jogos Olímpicos, em setembro de 2009, estudo encomendado pelo Ministério dos Esportes à Federação Internacional de Administração(FIA) estimava que a competição poderia movimentar US$ 51 bi e gerar 120 mil empregos na cidade.

No entanto, a realidade pode ser bem diferente. Moradores da cidade reclamam da falta de segurança, crescente nos últimos meses, greves constantes no funcionalismo público e incidentes com obras integrantes do pacote olímpico.

Para o especialista, Juan Jensen, da Consultoria Tendências, ouvido recentemente pela BBC Brasil, o impacto dos Jogos serão mais concentrados e pode não ser tão significativo, quando se leva em consideração um país como o Brasil que tem o PIB de quase R$ 4 trilhões.

“No longo prazo de fato existe a possibilidade de que a Olimpíada ajude a promover o Rio como destino turístico mundo afora. Se tudo ocorrer como previsto, sem incidentes de violência, podemos ter um ganho em termos de imagem”, afirmou o especialista.

O fato é que mesmo com tanto investimento em infraestrutura, a conta das Olimpíadas pode não fechar, após a realização dos Jogos. Sempre que há um grande evento, são feitos estudos para fazer barganhas entre entidades e os países interessados. Mas como pode impactar na economia esse evento mundial e que dura apenas duas semanas?

Foto: GERJ
 Linha 4 do metrô/Foto: GERJ

 

Pedro Trengrouse, professor em Gestão, Marketing e Direito no Esporte da FGV, que foi consultor da ONU para a Copa, opina sobre o efeito econômico de grandes eventos esportivos.

” Não adianta colocar as Copas ou Olimpíadas de verão ou inverno como solução de problemas econômicos que não tem nada a ver com esses eventos esportivos”.

O que não se pode negar é que um legado de várias obras importantes para a cidade do Rio de Janeiro e que estavam no pacote de urgências para a mobilidade urbana e infra-estrutura do município vem sendo entregues, como o Elevado do Joá, Linha 4 do metrô, a finalização de um importante túnel em substituição a Perimetral, ampliação do BRT e os chamados VLTs, no centro da cidade, além de museus e revitalização da zona portuária como um bem para a população.

Algumas promessas não foram cumpridas, como despoluir a Baía de Guanabara mas o impacto na economia deve ser quase neutro.

Agora estamos a 39 dias das Olimpíadas. A cidade já começa a decoração e os turistas muito provavelmente estarão chegando. Na semana passada, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, garantiu em entrevista coletiva que a crise não afetará a Rio-2016 e que tudo foi planejado lá atrás na candidatura.

“O estado do Rio de Janeiro passa por dificuldades econômicas, não é por causa dos Jogos Olímpicos. Aliás, as Olimpíadas servem, inclusive, de argumento para se pleitear essa ajuda ao governo federal para estabilização dos serviços do estado. Não tem nenhum estádio em risco ou nenhuma obra da cidade em risco em razão da crise financeira do estado”, declarou.

 

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Foto: Renato Sette Camara/Prefeitura do Rio


Sou apaixonado por esportes e política. Escrever é minha paixão. A vida é muito intensa para ser editada em palavras!