Dona de clube de futebol, capitã da África do Sul fala sobre Marta, zika e Rio 2016

Janine van Wyk - Seleção feminina da África do Sul
Reprodução/Twitter oficial Janine van Wyk

A zagueira Janine van Wyk chama a atenção não só pelo cabelo pintado de azul. Ela tem sido fundamental no desenvolvimento do futebol feminino da África do Sul. Além de capitã e recordista de jogos pela seleção, é dona de um time em Joanesburgo. A atleta falou ao Torcedores.com sobre a vida de jogadora/dirigente e a expectativa de enfrentar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

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Perto de embarcar para seu segundo torneio olímpico, Van Wyk já disputou 131 partidas pelas Banyana Banyana (as garotas, em tradução livre). O número faz dela a recordista de participações entre todas as seleções principais de futebol da África do Sul. Nenhum atleta, nem da equipe masculina, jogou tantas vezes.

A sua posição de destaque no esporte feminino do país não fica restrita ao seu desempenho dentro das quatro linhas. Preocupada com o desenvolvimento da modalidade no país, a jogadora de 29 anos fundou uma academia de futebol e um clube, o JVW FC, em 2013.

“Foi para dar a essas talentosas meninas a oportunidade de alcançar seus sonhos, desenvolvendo-se no esporte que amam”, explicou a zagueira, que atua pelo próprio time e sonha com uma transferência para o exterior.

No Rio 2016, as Banyana Banyana estão no grupo E, ao lado de Suécia, China e as anfitriãs. Apesar da pouca experiência em competições fora da África, a equipe não irá ao Brasil apenas para fazer número, segundo van Wyk.

“Vamos lá para deixar a nossa marca”, afirmou.

Pelos Jogos Olímpicos, as sul-africanas vão encarar a Suécia em 3 de agosto, e a China no dia 6. Já o confronto contra as brasileiras será apenas na terceira rodada, em Manaus, no dia 9. Vai ser o primeiro duelo da zagueira com a atacante Marta, e a capitã da África do Sul não esconde a alegria em jogar contra a dona de cinco prêmios de Melhor do Mundo da FIfa.

“Enfrentá-la seria uma grande experiência. Estou ansiosa para esse jogo” disse.

Já o zika vírus não preocupa a capitã da África do Sul: “Achamos que, caso o vírus nos afete de alguma forma, haverá gente capaz de cuidar disso”.

Durante toda a entrevista, van Wyk se mostrou confiante e otimista para o torneio. A boa expectativa em relação ao Rio 2016 aumentou no último sábado, quando a África do Sul enfrentou os Estados Unidos em Chicago. As Banyana Banyana perderam por 1 a 0 para as atuais campeãs mundiais e olímpicas, mas fizeram um jogo de igual para igual.

“Nosso desempenho contra os EUA foi memorável. Sinto que conseguimos superar a dificuldade de ficar intimidadas pelos grandes times e suas estrelas”, afirmou.

Confira a entrevista completa com a zagueira Janine van Wyk:

Torcedores.com: Você ouviu falar nos problemas do Rio nas últimas semanas? Alguma das Banyana Banyana considerou não disputar os Jogos Olímpicos por causa do zika vírus?

Janine van Wyk: Nós ouvimos falar do vírus, mas tentamos nos concentrar na nossa missão no Brasil. Achamos que, caso o vírus nos afete de alguma forma, haverá gente lá capaz de cuidar disso!

Torcedores.com: Os brasileiros esperam muito da Marta. Você já jogou contra ela?

Van Wyk: Marta é a cara do futebol feminino do Brasil e um modelo para muitos. Enfrentá-la seria uma grande experiência, pois seria minha primeira vez contra ela. Estou ansiosa para esse jogo!

Torcedores.com: Logo após o sorteio, o técnico do Brasil, Vadão, admitiu que a África do Sul era o time que ele menos conhecia e reconheceu que precisaria estudá-lo. Isso pode ajudar a aprontar uma surpresa em cima das anfitriãs?

Van Wyk: Vamos lá para deixar a nossa marca, mostrar o melhor do futebol feminino e o nosso talento ao mundo. Todos os jogos serão importantes.

Torcedores.com: Qual qualidade você destacaria na seleção da África do Sul?

Van Wyk: Provavelmente, o trabalho de equipe.

Torcedores.com: Vocês acabaram de jogar contra as americanas, atuais campeãs mundiais e olímpicas. Em que aspectos um amistoso contra o melhor time do mundo pode ajudar as Banyana Banyana nos Jogos Olímpicos?

Van Wyk: Nosso desempenho contra os EUA foi memorável. Sinto que conseguimos superar a dificuldade de ficar intimidadas pelos grandes times e suas estrelas. Ainda temos coisas a melhorar, mas estou confiante de que estaremos prontas para o Rio.

Torcedores.com: A técnica Vera Pauw convocou oito jogadores que estiveram nos Jogos Olímpicos de Londres. Em termos de confiança e expectativa, o que mudou em relação àquele grupo?

Van Wyk: Há uma diferença gigante para o time de 2012. Sinto que a preparação para o Rio tem dado à equipe a esperança e a confiança que precisamos para ir melhor do que nos Jogos de Londres.

Torcedores.com: Muita coisa mudou desde Londres. Agora, você tem um clube. Como surgiu a ideia de fundar o JVW FC?

Van Wyk: Percebi o enorme talento que temos na África do Sul e que nada estava sendo feito para desenvolvê-lo. Por isso, fundei a JVW Girls Football Development (desenvolvimento de futebol para garotas, em tradução livre) e o JVW FC para dar a essas talentosas meninas a oportunidade de alcançar seus sonhos, desenvolvendo-se no esporte que amam.

Torcedores.com: E como funciona essa rotina de jogadora/dirigente?

Van Wyk: Tenho sorte de contar com pessoas bem capazes, que trabalham duro e têm muita paixão, e compartilham do mesmo objetivo. Eles cuidam da administração, o que me permite concentrar totalmente em jogar futebol.

Torcedores.com: No Brasil, o futebol feminino ainda não desperta tanta atenção quanto o masculino. Acontece aí também?

Van Wyk: Sinto que o futebol feminino está sendo reconhecido aos poucos pelo mundo. Levou um bom tempo até se tornar um esporte conhecido. Ainda acho que muita coisa precisa ser feita para melhorar a divulgação da modalidade, mas espero que ela tenha o reconhecimento merecido, e que seja num futuro próximo.

Torcedores.com: Apenas quatro das Banyana Banyana jogam fora da África do Sul. Você acha que algumas jogadoras podem se transferir para Europa ou Estados Unidos após os Jogos do Rio?

Van Wyk: Acho que nós chamamos a atenção das pessoas no jogo contra os EUA. Tomara que isso abra caminhos e os obsevadores dos clubes possam prestar mais atenção em nossas jogadoras, para que elas possam assinar contratos com clubes profissionais.

Torcedores.com: E você? Como capitã da seleção e recordista de jogos por todas as seleções sul-africanas de futebol, considera a possibilidade de se transferir para o exterior?

Van Wyk: Estou realmente interessada em jogar fora do país. É algo com que sonhei durante a minha vida toda. Então, espero fazer isso antes de me aposentar!