Casagrande conta qual foi o maior erro da Democracia Corintiana

Foto: Reprodução

Ao lado de Sócrates e Wladimir, o ex-atacante Casagrande foi um dos líderes da Democracia Corintiana, movimento onde os jogadores tinham voz ativa nas decisões do clube entre 1982 e 1984. Na época, os atletas discutiam questões como contratações e dispensas, entre outros pontos. Durante participação no programa “Resenha ESPN”, do último domingo, o atual comentarista da Globo contou que o maior erro do movimento foi o modo como o goleiro Leão foi contratado. Apenas conhecidos do atleta participaram da decisão.

LEIA MAIS:
Marquinhos Gabriel não esconde torcida pelo Santos contra o Palmeiras 
Em entrevista a rádio, Casagrande se diz satanista: “sempre fui admirador de Lúcifer” 

“Nem todo mundo aprovava as contratações. A do Leão foi um exemplo. Não foi unanimidade. O maior erro da Democracia Corintiana foi o modo como foi feita a contratação do Leão porque naquele dia eles falharam, a democracia falhou. Não fizeram uma eleição com todos e sim com quem conhecia o Leão. A Democracia não funcionava assim. Eu falei isso e fiquei revoltado”, contou Casagrande.

“Fiquei um mês parado e voltei na estreia do Leão. Jogava com chuteira branca. Ele falou: ‘deixa eu ver a sua chuteira. Pô legal. Tem que fazer gol’. Eu falei para ele: ‘deixa eu ver a sua luva. A sua luva é do caramba. Tem que defender’. Já deu para perceber que o negócio não estava legal. Aí fomos para o jogo, perdemos para o Fluminense, o cara chutou a bola de longe, ele rebateu, o centroavante veio e fez o gol. Eu estava me trocando ao lado dele. Aí veio o repórter: ‘você falhou no gol, Leão?’ ‘Não falhei. Fiz a minha parte’. ‘pô aí falei: ele entregou o zagueiro’. Saí revoltado, falei com os caras e fui para o meu quarto”, completou. Vale lembrar que Leão foi crítico contumaz do movimento.

Casão contou que no dia seguinte ao jogo da estreia do goleiro, integrantes do grupo foram até o seu quarto e mostraram arrependimento com a forma como foi conduzida a contratação de Leão.

“Deu de madrugada. Adílson (Monteiro Alves) e Magrão (apelido de Sócrates) bateram na porta do quarto. “você tinha razão’. ‘Eu tinha razão agora, às três horas da manhã?’ Leão é o nosso goleiro, vamos jogar o ano todo e acabou. Fomos campeões paulistas (1983) graças ao Leão na semifinal contra o Palmeiras. Segurou a onda nos 15 primeiros minutos de pressão do Palmeiras. Naquele jogo pegou muita bola”, concluiu.



Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)