Na Rússia, volante ex-Vasco fala sobre interesse de clubes brasileiros

Foto: Reprodução/Instagram Fair Play Assessoria

O piauiense Rômulo, atualmente com 25 anos, foi um dos principais nomes do time do Vasco campeão da Copa do Brasil em 2011, o que lhe rendeu convocações para a seleção brasileiras. Jogando na Rússia desde 2012, pelo Spartak Moscow, o jogador concedeu entrevista exclusiva ao Torcedores.com e falou sobre a carreira, seleção brasileira e um possível retorno ao Brasil.

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TORCEDORES: Quais as principais diferenças que você vê entre o futebol russo e o brasileiro(estilo de jogo, torcida, administração do clube, estrutura)?
RÔMULO: O futebol está muito globalizado, então dentro de campo não vejo diferenças significativas a não ser as naturais por conta das diferenças de qualidade e de perfil técnico entre os atletas de um clube para o outro, não vejo uma espécie de escola russa ou brasileira que diferencie o futebol dos dois. Os torcedores russos são bem intensos dentro do estádio, mas no geral, no dia a dia, os brasileiros são mais ligados. Quanto a administração e estrutura, as diferenças entre os grandes clubes e os menores são bem parecidas nos dois países.

TORCEDORES: Qual foi o ponto mais complicado da adaptação (tanto pessoal como profissional)?
RÔMULO: As grandes barreiras são realmente o idioma e as pessoas, em ambos os casos. Os brasileiros na maioria são mais abertos, você acaba de conhecer e já abrem a porta da sua casa. O idioma é complicado, o alfabeto é totalmente diferente e ao contrário do que se pensa no Brasil, o inglês não é tão popular em Moscou.

TORCEDORES: Houve alguma situação curiosa/engraçada que aconteceu com você nesses anos na Rússia, dentro ou fora do vestiário?
RÔMULO: Cara, tiveram algumas, especialmente por conta da língua. No início aqui minha mãe e alguns amigos vieram me visitar por uma semana, levei eles num restaurante japonês por indicação de um amigo, eu não fazia ideia do que estava escrito no menu e ainda não tinha noção do valor da moeda russa frente ao real, éramos 6 então pedi 6 pratos aleatórios. Vieram 6 barcas de madeira enormes com muito sushi e não aceitaram devolução (risos). Minha mãe me ensinou a não estragar comida então pedi para viagem a sobra. Minhas visitas passaram a viagem toda comendo sushi requentado (risos).

TORCEDORES: No início do mês circularam algumas notícias sobre um possível interesse do Sevilla em sua contratação, houve contato de outras equipes? Caso afirmativo, quais?
RÔMULO: Geralmente essas negociações só chegam ao atleta quando já estão bem adiantadas, os clubes conversam entre si primeiro. Claro que é sempre motivo de alegria ser lembrado por um grande clube como o Sevilla, mas tenho contrato com o Spartak até ano que vem e só penso nisso.

TORCEDORES: Em março especulou-se que o São Paulo tentaria sua contratação. Com a aproximação de abertura da janela brasileira, houve algum contato de algum time para seu retorno ao país? Você veria um possível retorno como algo positivo para a carreira, ou prefere jogar mais alguns anos fora do país?
RÔMULO: Vale a resposta a anterior. Complementando, apesar das saudades de casa, de nosso povo e da terra… pensando a longo prazo, para a carreira é interessante permanecer na Europa, são menos jogos, logo, menos riscos de lesões e mais tempo em casa com a esposa e os filhos. Mas sem dúvidas eu seria muito feliz também voltando em breve ao Brasil.

TORCEDORES: Como você vê a mudança de técnico da seleção? Acha que Tite pode fazer um trabalho melhor do que o Dunga? Com a mudança, acredita que pode ganhar novas oportunidades?
RÔMULO: Após a saída de Dunga, o nome do Tite foi quase unanimidade, é com certeza o cara para esse momento. Tite é um grande treinador, estudioso de futebol, ele também acompanha bastante, então há sempre esperança de voltar a ser lembrado para defender nossa seleção.

TORCEDORES: Onde você estava no 7×1? Seus companheiros de equipe brincam muito com o episódio?
RÔMULO: Estava de férias no Brasil. A ficha nunca caiu e acho que talvez nunca caia. Eles não brincam muito com isso, e quando tentam a gente pergunta quantos mundiais eles tem aí já encerra o papo (risos).

TORCEDORES: Como está a imagem da seleção brasileira na Rússia?
RÔMULO: O futebol da América do Sul continua respeitado. Claro que não estamos no mesmo patamar de 2002 mas Brasil, Argentina, Chile e outros estão na lista das grandes seleções.

TORCEDORES: Você criou uma forte identidade com o Vasco, fazendo parte de uma das equipes mais fortes que o clube montou nos últimos anos. Você ainda acompanha o time, mantém algum contato?
RÔMULO: Jogando lá hoje tenho amizade com o Éder Luís, mas também com os funcionários do clube. Estou sempre de olho, acompanhando as novidades, inclusive já visitei o clube em umas férias.

TORCEDORES: Ainda sobre o Vasco, quais lembranças você tem da eliminação na Libertadores em 2012 contra o Corinthians? Você acredita que o Vasco seria campeão caso o Vasco tivesse passado pelo time paulista?
RÔMULO: Nós tínhamos time para ser campeão e foi um baque para todos nós, chegamos muito, muito perto, mas não há muito o que lamentar pois perdemos para a equipe que veio a ser campeã do mundo naquele ano, né?

TORCEDORES: E as rivalidades na Rússia? O clima que antecede os clássicos de maior rivalidade é mais “intenso” do que em um Vasco x Flamengo, por exemplo?
RÔMULO: Não chega a ser igual pois nesse caso brasileiro(Vasco x Flamengo), esses times movimentam o país inteiro, são times de muita abrangência. Mas os russos também vivem os clássicos, saem cedo de casa e a cobrança é grande, do clube e da torcida.

TORCEDORES: deixamos o final em aberto para alguma mensagem para torcedores e leitores do site.
RÔMULO: Obrigado pela oportunidade de falar um pouco para os leitores do Torcedores.com, um grande abraço a todos, valeu galera.