Fórmula 1: o polêmico e decepcionante GP da Áustria de 2002

Crédito da foto: Facebook Oficial da F1

Neste fim de semana está sendo realizado o GP da Áustria de Fórmula 1, no circuito Red Bull Ring. Foi neste circuito, 14 anos atrás, quando ainda se chamava A-1 Ring, que presenciamos uma das provas mais decepcionantes da história da categoria: depois de um fim de semana onde liderou absoluto, nos últimos metros, Barrichello cedeu a vitória para Schumacher.

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Dia 12 de maio de 2002. Era dia das mães. No circuito de A1 Ring, Barrichello simplesmente sobrou naquele fim de semana. Liderou os treinos livres, fez a pole, e liderou o Grande Prêmio da Áustria da primeira curva até a última. Parecia que Barrichello finalmente venceria naquela temporada. Até então, em cinco provas realizadas naquele ano, Schumacher havia vencido quatro delas, deixando claro a superioridade da Ferrari. Mas, para decepção de muitos, Barrichello não venceu.

Não era novidade para ninguém a forma de trabalhar da Ferrari. Rubens Barrichello já havia em outras oportunidades permitido a ultrapassagem de Michael Schumacher. Inclusive, um ano antes, no mesmo circuito, Barrichello era segundo colocado e cedeu a posição para o companheiro de equipe. Rubinho acreditou que se estivesse na liderança, a ordem jamais teria sido dada. Estava equivocado.

Algumas informações daquele domingo, até hoje não estão bem clara. No dia da prova, Barrichello disse após o pódio (que foi vaiado por todos os presentes no circuito), que a ordem foi dada faltando três voltas para o fim da corrida. Nos dias de hoje, algumas fontes (incluindo o próprio Barrichello) confirmam que foram oito voltas de negociação pelo rádio. Existem algumas teorias bem fortes, como a que o jornalista Lemyr Martins publicou em seu livro “Histórias, lendas, mistérios e loucuras da Fórmula 1” em 2008, onde afirma que a família de Rubinho foi ameaçada, e por isso o brasileiro cedeu.

No fim, pouco se sabe o que houve de fato, mas todos viram uma das corridas mais polêmicas e decepcionante da Fórmula 1. Barrichello freou sua Ferrari a poucos metros da bandeirada, deixando a vitória para Schumacher. Uma decisão que no modo “Ferrari” de trabalhar, pode ter parecido acertada, mas que poucas corridas depois, se mostrou desnecessária, pois o piloto alemão foi campeão com seis provas de antecedência. No pódio, Schumacher cedeu seu lugar para Barrichello, mas não foi o suficiente para amenizar as vaias, sob o hino alemão. O troféu do vencedor ficou com Barrichello.

De certa forma, foi uma corrida inesquecível. Principalmente para o narrador da Rede Globo, Cléber Machado, que chegou a duvidar que a Ferrari daria a ordem para Barrichello ceder a ultrapassagem, apesar do comentarista Reginaldo Leme ter deixado claro que se podia esperar qualquer coisa da equipe italiana. Aos sons de “hoje não, hoje não”, Cléber estava pronto para soltar o tema da vitória, quando Schumacher cruzou a linha de chegada na frente de Barrichello e então deu lugar para um triste e frustrante comentário do narrador: Hoje sim… hoje sim?