Opinião: A mão de Roger Machado

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA/Divulgação

Com a mão do treinador gremista, o Grêmio venceu o Figueirense com um gol no final da partida. Reativo ou gênio, eis a questão.

“Aceita que dói menos”

Roger Machado está mostrando que sabe trabalhar com jovens. “Aceita que dói menos”, foi o que disse à Éverton que titubeava com a titularidade. Com a confiança do professor, o guri que vivia de um relampejo ali e outro acolá, se afirmou entre os titulares; fazendo contra o Figueira mais uma partida excelente.

Com a sabedoria de um psicólogo forjado nos campos, o treinador gremista vêm ajudando o Grêmio dentro e fora de campo. Isso porquê, seja por desfalque ou planejamento estratégico para contenção de gastos, o tricolor está dependente dos jovens da base. E com Roger eles deixaram de ser “sombra” para ser “luz” no elenco – criando opções para a equipe e valorizando o patrimônio do clube.

Nada é fácil para o Grêmio

Existe uma crença entre os gremistas de que nada é fácil na vida do tricolor e a imortalidade vêm desse espírito brigador que nunca desiste. Mas esse DNA gremista foi (é) muita vezes confundido com violência e uma exagerada exaltação aos jogadores brucutus. Isso é um tremendo equívoco que levou ao Grêmio um período de trevas técnico-táticas.

Entretanto a equipe de Roger mostra que o poder de indignação não se resume a sair de campo com o calção sujo. É antes de qualquer coisa, manter o nível técnico e buscar soluções táticas dentro de campo. Foi assim contra o Santos com a entrada de Hermes e ontem com a dupla Pedro Rocha-Bobô.

É também verdade que o grupo tricolor parece gostar de abalos sísmicos para manter o nível de concentração os 90 minutos. Desde a eliminação do Gauchão, a equipe evoluiu nesse quesito; porém ainda está faltando alguns “ajustes tático-psicológicos” para que a equipe tenha a consciência dos diferentes ritmos que deve empregar na partida.

Roger reativo

Enquanto o Grêmio vencia o Figueirense por 1 a 0 e dominava as ações do jogo no segundo tempo, Roger substituiu Luan e colocou Miller Bolaños. Era o “correto” a ser feito para manter o padrão tático e quem sabe ter um ganho técnico na equipe, pois Luan não estava em um dia inspirado.

O que ninguém previu na casamata tricolor era que o Figueira não tinha ainda atacado no segundo tempo, mas desde os minutos iniciais da partida estava bem posicionado para o contra-ataque. Com três jogadores na frente, Estrópio havia definido a forma de surpreender o tricolor em casa: esperando um erro de passe ou uma roubada de bola no meio-campo, para chegar com quatro-cinco jogadores para finalizar.

Assim, na chance que teve no segundo tempo, o time catarinense foi lá e empatou a partida. Falha defensiva tricolor? Não, mérito da estratégia adversária que contou com a ineficiência da equipe tricolor em transformar o volume de jogo em gols.

Com os “butiás caindo do bolso”, Roger foi lá e reagiu. Tirou um volante, mudou o esquema, colocou um centroavante e foi para o tudo ou nada. A mão do treinador foi certeira e o alívio veio aos 47 minutos do segundo tempo: valeu a genialidade de Roger na mexida.

Dessa forma, ontem o treinador gremista foi um “gênio reativo”. Porém o “vacilo” de levar um gol e ter que correr atrás do prejuízo evidencia que ele ainda não conseguiu ser pró-ativo e atingir a maturidade da equipe tricolor.



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.