Sensação da Euro 2016: A Islândia dentro e fora das quatro linhas

Fonte: UEFA.com

Muitos reclamavam da falta de grandes novidades na Euro 2016, em comparação com outros anos, mas uma certa seleção resolveu se tornar a protagonista em 2016 e fez o mundo se atentar a Eurocopa na França. A Islândia, e uma grande história de futebol.

A Islândia é um país formado por apenas cerca de 320 mil habitantes, com república parlamentarista e que fica na Europa, mas isolada do mundo, formada por pequenas ilhas no meio do Oceano Atlântico, no meio da Europa continental e da Groenlândia. O livro da colonização (Landnámabók) afirma que o povoamento começou no ano de 874, quando o primeiro morador norueguês Ingólfur Arnarson se fixou na ilha. Nos séculos seguintes, povos com origem céltica e nórdica se fixaram, e foi no século XX que a economia se desenvolveu de forma precoce, não sendo mais dependente da pesca e investindo em setores de finanças, indústrias e serviços.

O IDH no país é 0,899 (2014), número considerado “muito elevado” pelo ranking. O país atualmente possui sociedade extremamente desenvolvida e avançada tecnologicamente, além de possuir cultura com as nações nórdicas. Recentemente, a Islândia chegou a ser classificada pela ONU o terceiro país mais desenvolvido do mundo, mas o país foi afetado pela crise econômica mundial de 2008, levando ao colapso do sistema bancário em 2008, levando o país a uma recessão. Como medidas, o governo tomou posse de todos os bancos falidos e trabalha até os dias atuais com o FMI para consolidar a economia. A cidade mais populosa é Reykjavík, com cerca de 120 mil habitantes, bem afrente da segunda cidade mais populosa, Kópavogur, com 30 mil habitantes. A língua oficial é o islandês, que é descendente da antiga língua nórdica. Como característica linguística marcante, destaca-se a ausência de dialetos.

O país também destaca-se com o uso de energia elétrica por fontes renováveis, que contabiliza quase 70% total da energia consumida no país, praticamente não possui poluição, tem baixa taxa de mortalidade infantil e alta expectativa de vida. A educação é uma prioridade do sistema educacional irlandês, que garante igualdades de acesso ao conhecimento entre toda a população. A educação obrigatória nas escolas ocorre entre 6 e 16 anos, e a educação opcional e sem custos adicionais. ocorre entre 16 e 20 anos. O país ainda destaca-se pela arquitetura (e as casas de turfa), por possuir apenas 3 feriados e ainda pela prática de esportes. Os esportes mais populares da Islândia são o golfe, o handebol e, finalmente o futebol.

E então, após esta necessária resumida apresentação da Islândia, um país que você talvez nem soubesse que existe, podemos tratar da seleção de futebol masculino da Islândia, motivo que está fazendo com que a população mundial conheça e demonstre simpatia pelo pequeno país europeu. A Islândia entrou na Eurocopa  apenas cotada para participar da fase de grupos e logo se despedir da competição, mas ninguém imaginava que a seleção ia tão longe, tampouco os islandeses, que parecem viver um sonho diário e, até o momento, um sonho infinito.

A Islândia fez 4 jogos na Euro 2016 até então e destaca-se pela precisão ofensiva da equipa, que não faz tanta questão de segurar a posse de bola mas sim de trabalhar a mesma quando a tem de forma rápida e precisa, com bastante movimentação do ataque até a definição da jogada (isso explica o fato de todos os gols terem sido marcados dentro da grande área). A precisão é boa, são 6 gols até aqui, com média de 1,5 por partida e 25 finalizações, com precisão de 56% de acertos. Em um time com 31% apenas de média de posse da bola na competição, espera-se mesmo que o ataque resolva os problemas.

Fora o sistema ofensivo, o sistema defensivo da Islândia apresenta preocupações para enfrentar uma sólida e eficiente França neste domingo (3) em Paris. Sim, temos que ressaltar que a defesa já desarmou 73 jogadas adversárias e já venceu mais de 50 disputas de bolas, mas preocupa o fato de ter levado gols em todos os jogos, de cometer muitas faltas (57 até então) e 2 pênaltis.

Apesar desta fragilidade, as críticas sobre este time sempre tem que ser muito relativas. Afinal, estamos tratando de uma equipe sub-amadora de futebol, com apenas 6 jogadores profissionais no plantel e um técnico dentista nas horas vagas. Estamos falando de uma seleção que nunca disputou a opa do Mundo e nunca havia disputado a Eurocopa em sua história, tendo a Euro 2016 a sua primeira experiência internacional e que todos os jogadores do atual plantel atuam no futebol do exterior. Todavia, devemos ressaltar que o trabalho não começou agora, pois desde 2002, a Federação local de futebol começou a promover seminários e incluir os treinadores no sistema de avaliação da UEFA.

A maior vitória da seleção da Islândia veio nas oitavas de final da Euro 2016, com a virada para cima da Inglaterra por 2 a 1, que credenciou a seleção a desafiar a anfitriã França. Os gols foram marcados por R.Sigurdsson e Sigthrosson, (5′ e 18′ do 1T). 32% de posse apenas, mas a precisão da equipe e a incompetência da Inglaterra foram suficientes (8 finalizações e 5 certas)

A histórica escalação titular da Islândia no jogo será listada abaixo

Fonte: OneFootball
Fonte: OneFootball

O destaque mais notável da seleção da Islândia é o jogador Gylfi Sigurdsson, jogador de 26 anos. O meio-campista atua no Swansea, time da Inglaterra que joga a Premier League. Na Euro 2016, Sigurdsson participou de todos os 4 jogos, tem 80,7% de precisão nos passes, 14 desarmes, 45 disputas de bola e 71,43% delas vencidas. Evitou 9 chances de gols adversários e trocou 83 passes na competição, média de 20 passes completos por jogo. Com 83% de precisão nas finalizações e apenas 5 faltas cometidas, o jogador é a maior esperança da seleção de Heimir Hallgrímsson para avançar para semifinais da competição.

ATUALIZAÇÃO 03/07: Este artigo foi apenas um resumo da história da Islândia e de seu futebol, que chamou a atenção do mundo por conta das conquistas recentes e, principalmente, do triunfo contra a Inglaterra nas oitavas de final. Contra a França, nas quartas de final no Stade de France, a seleção islandesa foi eliminada em derrota por 5-2, mas ainda assim fez um gol digno e se despediu de forma convincente da Euro 2016. Uma história sensacional, que não tenha terminado neste domingo.



Vocação jornalística e esportiva desde a infância. Colaborador desde 2015 com matérias/artigos, principalmente nas coberturas do automobilismo, futebol americano e esportes eletrônicos.