Adíos, Patón!

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Crédito da foto: Reprodução Site oficial

Ontem, (1), foi oficializada a saída do treinador do São Paulo, Edgardo “Patón” Bauza. O treinador argentino aceitou o convite de treinar a seleção de seu país, a Argentina, e assim acionou uma cláusula contratual que em caso de proposta da seleção argentina, ele poderia deixar o clube imediatamente, pois treinar a seleção era o seu grande sonho. Foram oito meses de trabalho no clube paulista, foram 48 jogos com 18 vitórias, 13 empates e 17 derrotas e um aproveitamento de 46,52% de aproveitamento.

No entanto, os números, talvez sejam o que menos importa nessa passagem de Patón pelo tricolor do Morumbi. Edgardo Bauza foi anunciado como técnico do São Paulo em 17 de dezembro de 2015, se apresentou em 23 de dezembro e começou a treinar a equipe em 5 de janeiro. Indicou muitos jogadores para o São Paulo, os mais pedidos eram Buffarini e Ortigoza, ambos atletas do San Lorenzo seu ex-clube. Porém sua contratação foi por sua característica de conseguir fazer muito com pouco, ou seja, como o São Paulo vive um momento econômico delicado, não teria muito dinheiro em caixa para reforços e teria que apostar na base. Os reforços foram chegando aos poucos, o primeiro foi o lateral-esquerdo Mena, que foi emprestado pelo Cruzeiro. Jogador pedido por Patón, por detectar que Carlinhos e Reinaldo eram muito ofensivos e Matheus Res muito jovem. Reinaldo foi emprestado para a Ponte Preta logo em seguida. Patón ganhou mais pontos com a torcida quando pediu a contratação do zagueiro e ídolo da torcida Lugano. Ainda aprovou as chegadas de Kelvin e Maicon. Agora, o grande trunfo de Patón, foi a participação direta na contratação do artilheiro Calleri, pois ao saber da possibilidade de contratação do jogador, ele ligou e falou diretamente com o jogador e convenceu o centroavante argentino a acertar com o São Paulo ao invés do Atlético-MG.

O início do trabalho foi difícil, mas Bauza fez questão de experimentar TODOS os jogadores do plantel são-paulino, isso mesmo todos tiveram chance. O início foi claudicante realmente, porém depois da vitória por 6×0 contra o Trujillanos pela Libertadores no Morumbi, o time começou a se acertar. com Kelvin em uma das pontas, Hudson e João Schimidt de volantes, Calleri na frente, Maicon e Rodrigo Caio na zaga e Paulo Henrique Ganso sendo o verdadeiro Maestro da equipe. O time foi engrenando e as poucos ganhando confiança. Venceu o River Plate no Morumbi jogando muito bem. E precisava de um empate contra o The Strongest para passar de fase na Libertadores. Em uma jogada de mestre ao tirar Ganso da equipe para colocar Wesley, o time jogou muito e conseguiu o empate e a tão esperada classificação. Na semana seguinte enfrentou já pelas oitavas, o mexicano Toluca e mandou um 4×0 no Morumbi e classificação praticamente garantida para as quartas de finais da Libertadores. Após derrota no México, o tricolor garantiu a classificação para a próxima fase. O adversário era o forte Atlético-MG. Na primeira partida no Morumbi, 1×0 gol de Michel Bastos no final do jogo. Em Minas derrota por 2×1 e classificação para a semifinal, muito longe para um time que entrou desacreditado. Na semi porém, a sorte parecia não estar do nosso lado, Ganso, principal jogador se lesionou, assim como Kelvin, outro destaque da equipe. O São Paulo parou nas semis. Perdendo os dois jogos para um time visivelmente melhor, o Atlético Nacional de Medellín que depois sagrou-se campeão da mesma competição. Os dois jogos com influência capital da arbitragem.

Só por isso o trabalho da Bauza já pode ser considerado ótimo. Porém o grande diferencial dele, é o carisma e o trabalho, discreto ele é mais de trabalhar do que de falar. Conseguiu dar padrão tático para a equipe. O time voltou a jogar com raça e nunca faltou entrega. Para quem não sabe ele conseguiu motivar todos os jogadores, trabalhar e aconselhar os garotos da base. Fez Paulo Henrique Ganso jogar uma barbaridade, coisa que nenhum outro conseguiu, fez o time do São Paulo voltar a ser respeitado e temido. Todos os atletas compraram suas ideias, e além disso, com muita garra, recuperou alguns jogadores que andavam em baixa como Michel Bastos, Wesley e Centurión. Foi firme e garantiu que Dênis seria seu titular e não quis a contratação de outro goleiro. Ele ainda foi responsável por descobrir jogadores que pareciam esquecidos como o volante João Schimidt que estava quase sendo emprestado, Hudson que passava por um mal momento voltou a jogar bem. Isso sem contar que lançou muitos garotos no time profissional como Banguelê, Artur, Pedro e Luiz Araújo. Bauza realmente reestruturou o São Paulo, visivelmente melhor do que no ano passado. Para quem não sabe também, Patón conquistou todos os funcionários do CT, da comissão técnica e da diretoria, além dos jogadores é claro. Se ele parece bravo e sisudo com a imprensa, por trás das câmeras ele é um lorde.

Gostaria somente de agradecer ao Patón, pelos serviços prestados e desejar muita sorte a ele na seleção argentina.

MUCHAS GRACIAS, Patón!!

 



Sou um estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu,amo futebol porém adoro todos os esportes,adoro escrever sobre o mercado da bola e fazer análise de jogos,espero que os leitores gostem.