Especial Corinthians 106 anos: Final do Rio-SP 2002 e o “drible da vaca” de Gil

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O Sport Club Corinthians Paulista completará no dia 1 de setembro mais um aniversário em sua história. Desta vez, chega a “marca” dos 106 anos, e o torcedores.com traz a você apaixonado pelo Timão, uma série de relatos sobre os jogos que certamente ficaram guardados em sua memória. Mas se você esqueceu, não esquenta, a gente lembra. Trago aqui um capítulo não muito legal, quer dizer não foi nada agradável para mim, na época com 11 anos e são paulino, tive que novamente aturar as gozações do meu irmão, corintiano roxo. Vamos lá.

No início dos 2000, São Paulo e Corinthians fizeram várias partidas decisivas. Paulistão, Brasileiro, Copa do Brasil e o tradicional Torneio Rio-SP de 2002. O Morumbi era o palco escolhido para os grandes duelos na capital. Não havia essa palhaçada de torcida única ou liberar um pequeno espaço do estádio para a torcida visitante. Ele era dividido. Como eu gostava de ver isso e tenho muita saudade.

O primeiro encontro, que foi o que mais me marcou, e explico mais a frente, foi disputado no dia 5 de maio daquele ano. Em casa, estava eu no sofá e meu irmão ao lado, sentado no chão da sala. Meu pai, santista, era o “juiz” caso, precisasse de fato. O São Paulo não tinha uma equipe de encher os olhos, mas era bem treinada e tinha um bom conjunto. Rogério Ceni, Belletti, Reginaldo, Jean, Gustavo Nery, Simplício (Júlio Baptista), Maldonado, Adriano (Souza), Lúcio Flávio (Rafael), Kaká e Reinaldo.

O Corinthians, visitante naquela tarde, era um time mais encorpado, com atletas inteligentes do meio para frente e uma muralha lá atrás. Dida, Rogério, Fábio Luciano, Anderson, Kléber, Fabrício, Vampeta, Ricardinho, David, Leandro (Renato) e Gil (Fabinho).

O primeiro tempo foi praticamente todo do tricolor. Tanto que abriu o placar com Adriano, de pênalti. Ah, como eu comemorei. Meu irmão, em silêncio. Veio a segunda etapa. E tudo mudou num piscar de olhos. Com oito minutos, o Timão fez dois e passou a frente. Agora, era ele quem gritava e me zoava. Eu restava engolir quietinho.

Num contra-ataque alvinegro, quando Vampeta avistou Gil livre na ponta esquerda e lançou, já imaginei o pior. Porém, nunca imaginaria que ele pudesse dar o famoso “drible da vaca” no zagueiro Émerson e bater forte, cruzado, na saída de Rogério Ceni e aumentar a vantagem. Meu chão havia caído. Fiquei sem reação mesmo. Como quem coloca as mãos na cabeça sem entender o que passa.

Que golaço! E como era liso o garoto Gil. Me lembro perfeitamente do lance até hoje.

O jogo era eletrizante. Digno de uma final de campeonato. Tanto que depois de uma bonita tabela dentro da área do Corinthians, Gustavo Nery cruzou e Belleti descontou, 3 a 2.

O São Paulo perdeu o jogo e mais tarde o título. Sim, o Corinthians foi merecedor. E eu, assim como no Paulista, Brasileiro e Copa do Brasil naquela época, tique que aguentar as piadinhas provenientes da escola e, também de casa.