Ex-presidente da Fifa, João Havelange morre aos 100 anos

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Nesta terça-feira, o ex-presidente da Fifa João Havelange morreu aos 100 anos de idade no Rio de Janeiro. Em julho, ele já havia sido internado no Hospital Samaritano por causa de uma pneumonia.

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O ex-dirigente passara por problemas de saúdes recentes. Em junho de 2014, ele foi internado por causa de infecção respiratória e permaneceu no mesmo hospital, em Botafogo, por quatro dias até receber alta. Dois anos antes, Havelange chegou a ficar em estado grave com quadro de infecção bacteriana, mas recebeu tratamento no mesmo local e se recuperou. Desta vez, o ex-dirigente não resistiu aos problemas de saúde.

VIDA NO ESPORTE E FORA DELE

Jean-Marie Faustin Goedefroid de Havelange, mais conhecido como João Havelange, atuou em vários ramos do esporte, inclusive tendo começado a sua trajetória como um atleta de sucesso. Nascido em 8 de maio de 1916, no Rio de Janeiro, ele era filho de um belga que morava no Brasil e comercializava armas, mas preferiu tentar a sorte em outro ramo.

Desde jovem, Havelange foi ligado aos esportes. Jogou futebol pelo Fluminense, porém foi nas piscinas das Laranjeiras onde se destacou. Em 1936, competiu como nadador nas Olimpíadas de Berlim, participando das provas de 400m e 1500m nado livre. Durante os 21 dias da viagem de navio até a capital da Alemanha, foi montada “uma piscina de lona foi improvisada. Isso não facilitava o treinamento, nos prejudicando no aspecto físico”, disse em entrevista à revista Aventuras na História.

Sua segunda Olimpíada também foi dentro d’água, mas em outro esporte: em Helsinque (1952), sentiu de perto os efeitos da Guerra Fria, jogando polo aquático – a seleção perdeu as partidas para Bélgica, Espanha e África do Sul. Ainda no “futebol dentro da água”, conseguiu a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, em 1955.

Com a experiência adquirida em mais de 20 anos como atleta, Havelange tornou-se vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), passando, em 1956, ao comando da entidade, que regia 24 esportes, dentre eles o futebol – que em sua gestão se consagraria tricampeão mundial.

Quase 10 anos depois, ingressou no Comitê Olímpico Internacional (COI), aumentando sua influência política nos órgãos de maior poder no esporte (em 2011, porém, ele renunciaria ao cargo, alegando problemas de saúde).

Havelange foi eleito, em 1974, o primeiro presidente não europeu da Fifa, entrando no lugar do inglês Sir Stanley Rous. Sua gestão foi marcada pela estruturação e ampliação dos domínios da associação, que saltou, até 1998, de 146 para 196 nações afiliadas. Quando deixou o comando para dar lugar a Joseph Blatter, tornou-se presidente de honra da entidade máxima do futebol.

Em sua trajetória como dirigente, Havelange profissionalizou a administração do esporte, tornando-o rentável. “A Fifa tem mais filiadas que a ONU tem de nações, o que demonstra a força do futebol, com uma penetração positiva, valiosa e desejada”, avalia, ainda em entrevista a Revista Aventuras na História.

A Copa do Mundo cresceu em status e em importância, dobrando o número de seleções (de 16 para 32) e aumentando o número de datas (de 25 para 30). O brasileiro ajudou ainda a criar novas competições de futebol. Entre elas estão os Mundiais Sub-17 e Sub-20, no final da década de 80, e a Copa das Confederações e a Copa do Mundo feminina, no início da década de 90.

Havelange também se dedicou a trabalhos filantrópicos internacionais, ganhou prêmios por isso e foi cotado para ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Por outro lado, se viu envolvido no maior escândalo de corrupção da Fifa. O relatório divulgado pelo próprio órgão, em 2013, afirma categoricamente que não apenas o decano do COI, mas também Ricardo Teixeira tinham recebido propinas milionárias da ISL, empresa de marketing esportivo, entre 1992 e 2000.



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.