OPINIÃO: Bauza e sua fraca passagem pelo São Paulo

Divulgação/Site Oficial São Paulo

Chegou ao fim, nesta segunda-feira (01), a passagem de Edgardo “Patón” Bauza pelo São Paulo. O treinador aceitou o convite feito pela AFA (Associação de Futebol da Argentina) e irá assumir a seleção de seu país. A escolha foi feita após uma espécie de processo seletivo realizada pelos dirigentes argentinos, que chegaram em um consenso pelo nome do comandante são paulino depois de nomes como Jorge Sampaoli, Diego Simeone e Marcelo “Loco” Bielsa recusarem o chamado. No entanto, o técnico são paulino não conseguiu ter bons resultados, teve desempenho apenas regular, mas conseguiu trazer de volta um “espírito guerreiro” aos jogadores do Tricolor, algo que era bastante cobrado pelos torcedores.

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A passagem do treinador argentino pelo São Paulo durou apenas 48 partidas, nas quais Bauza acumulou 18 vitórias, 13 empates e 17 derrotas, um aproveitamento pouco superior a 46%, ou seja, ele sofreu com oscilações nos resultados, não conseguindo agregar algo diferente ou inovador para um clube brasileiro, ainda mais por ser um treinador duas vezes campeão da Copa Libertadores da América (2008 com a LDU e 2014 com o San Lorenzo), sempre demonstrando um futebol bastante pragmático e sem grandes inspirações, algo bastante decepcionante para uma equipe da grandeza do Tricolor.

Talvez o principal ponto negativo de Bauza no comando técnico do São Paulo foi a insistência na escalação de seu compatriota, o atacante Ricardo Centurión. O jogador não tinha desempenho bom, era contestado por grande parte da torcida, e mesmo assim “Patón” insistia em escalá-lo, ao invés de testar outros nomes ou até mesmo apostar em atletas da base. Além disso, ele não conseguiu implementar seu estilo da “defesa forte”, já que o setor defensivo são paulino sofre muitos gols, não passando confiança e sofrendo bastante dependendo da equipe a qual enfrenta.

Aliado a isso, está a situação desgastante que ele teve com a diretoria após a eliminação da Copa Libertadores, quando clamou inúmeras vezes por reforços, muitas vezes expondo possíveis alvos, como Lucas Pratto e Lucas Barrios. Alguns desses pedidos vieram, casos de Buffarini e Chávez, e justamente agora o treinador deixa a equipe, não sabendo se os dois argentinos conseguirão ser aproveitados da maneira como seriam antes.

Só que foi no torneio continental que o comandante teve seu melhor momento. Conseguiu resgatar a auto-estima de todo o time, ao levá-lo às semifinais após serem praticamente apontados como eliminados na fase de grupos. Aliou torcida e jogadores no Morumbi, com um espírito guerreiro e de muita raça, inúmeras vezes fazendo o resultado em casa, e “jogando com o regulamento” longe de seus domínios.

Portanto, Bauza poderia ter tido um desempenho melhor no São Paulo (esperava-se isso por conta de seus dois títulos da Libertadores), já que seus números foram apenas medianos, podendo ser considerados ruins, se contextualizados a uma equipe da grandeza do Tricolor Paulista. Agora, seu desafio é ainda maior, remendar os cacos de uma Seleção Argentina em crise, tanto dentro de campo como fora dele.