Organização das Olimpíadas dá vexame mais inaceitável: em jogo de futebol no Maracanã

A organização das Olimpíadas do Rio de Janeiro está sob olhares desconfiados do Brasil e do mundo há muito tempo, mas não poderia jamais ter cometido o erro inaceitável de deixar milhares de pessoas do lado de fora do Maracanã com o jogo já em andamento no duelo entre Brasil e Suécia, pela semifinal do futebol feminino, nesta terça-feira (16).

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Alguns erros são compreensíveis, outros são frutos de falha no planejamento, como aqueles que deixaram o Parque Olímpico sem alimentos, e as longas filas formadas nos primeiros dias de competição em arenas novas, como a do handebol. Mas provocar um erro tão bisonho, subestimar um público que passou das 60 mil pessoas, em um jogo de futebol no Maracanã é inconcebível.

O Maracanã foi feito para receber grandes públicos. O estádio sediou uma Copa do Mundo há apenas dois anos, sendo inclusive palco da final, entre Alemanha e Argentina. Não prever o tamanho do caos que poderia surgir com um evento simultâneo de vôlei no Maracanãzinho, ginásio logo ao lado, passa dos limites de qualquer compreensão.

Acompanhei o jogo apenas a partir dos 40 minutos do primeiro tempo, mesmo chegando com certa antecedência ao Maracanã. Pelo que fiquei sabendo depois, o problema foi resolvido apenas para nós, que tínhamos ingressos para ver a semifinal do futebol, e empurrado para o vôlei, cuja partida entre EUA e Japão começaria às 14h, uma hora depois.

Foram mais de 60 minutos na rua, sem qualquer orientação de fiscais ou voluntários da organização. Foi raríssimo ver alguém com a roupa oficial do Rio 2016. A torcida, sem poder fazer nada, respondeu do jeito mais brasileiro e carioca possível: com vaias e gritos de “vergonha”.

Maracanã e Maracanãzinho são estruturas que já existem há muito tempo, e ninguém se preocupou em fazer um evento-teste simultâneo nos dois espaços. Deixaram para que a bomba estourasse em plena semifinal do futebol, e quartas de final do vôlei. Uma vergonha, como disse o povo que só viu o jogo a partir do segundo tempo.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.