Repórter inventou fala sobre candomblé de técnico francês para vitória de Thiago Braz

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Após a vitória surpreendente de Thiago Braz no salto com vara sobre o favorito Renaud Lavillenie, o técnico do francês, Philippe d’Encausse afirmou ao jornal Le Monde que o título do brasileiro veio “por forças místicas do candomblé”. A declaração obviamente não pegou bem e foi repercutida no mundo todo. O que ninguém sabia, todavia, é que a fala do treinador do vice-campeão olímpica foi distorcida pela reportagem da publicação francesa.

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O repórter Anthony Hernandez, autor da reportagem, admitiu que a citação à religião foi uma construção feita por ele mesmo – e não por d’Encausse. “Foi uma extrapolação pessoal, um trabalho literário. Nem acho que ele (Philippe d’Encausse) saiba o que é candomblé”, explicou.

Na reportagem original, Hernandez afirma ainda que o treinador se referiu ao Brasil como um “país bizarro”, em tom de admiração.

“Eu me apoderei desta frase dele ‘este país é bizarro’, de forma que ele não poderia acreditar no resultado surpreendente. Dali, isso me deu a ideia e, sobretudo, com o cenário irracional desta final, de fazer referência ao candomblé. Naturalmente, essa é uma extrapolação pessoal. Em nenhum caso no meu artigo, eu digo que ele faz referência a isso”, completou Hernandez.

A suposta referência ao candomblé causou revolta nas redes sociais e fortaleceu polêmica causada pelo próprio Renaud Lavillenie, que comparou as vaias da torcida brasileira à atitude racista da Alemanha nazista em relação ao negro norte-americano Jesse Owens, nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim.

Percebendo a repercussão de sua fala, Lavillenie admitiu que exagerou na declaração, mas manteve tom crítico em relação à torcida. “É a primeira vez que vejo esse tipo de público. Eu já competi em muitos, muitos campeonatos, em muitos países e é a primeira vez que todo mundo está não só contra mim, mas contra todos os saltadores, exceto o brasileiro”, disse o francês, que também foi vaiado durante premiação no Engenhão, na última terça-feira.



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.