Visão da arquibancada: quando o Maracanã de Bellini reverenciou a operária Formiga

Crédito da foto: Reprodução / TV Globo

RIO DE JANEIRO – Sob a estátua de Bellini, recebo uma ligação: “Tenho ingresso para o jogo de agora nas Olimpíadas. Você quer?”. Como dizer não ao futebol, em frente ao templo sagrado? Eu disse sim e fui batizado no Maracanã. Com derrota. Mas importa?

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Ninjas cortadores de cebola passaram na minha frente quando avistei a imensidão do gramado. Lá estava eu, (bem) mais cedo que o previsto. Por um milagre achei uma fila de verificação mais curta que as demais e não perdi nem a entrada dos times no gramado.

Muitos outros não deram a mesma sorte. Nitidamente o estádio só encheu mesmo depois dos 25 minutos de bola rolando. Quanto mais gente chegava, mais a histeria do público tomava conta nos ataques do Brasil. Entre selfies e “danones”, um grito agudo enchia o novo-velho “Mário Filho” quando a bola se aproximava da grande área.

Evidentemente, Marta recebeu grande parcela do carinho. No entanto, foi de arrepiar o reconhecimento que a torcida teve com o trabalho incansável da Miraildes, nossa eterna Formiga. Seu nome foi entoado diversas vezes, mais até do que o de Marta.

É inacreditável testemunhar o fôlego, a garra e a técnica dessa mulher. Sabe os atalhos do campo. Está em todos os lugares, em todos os momentos. Um carrinho perfeito na linha de fundo levantou a torcida como se fosse um gol. O tempo será justo e a colocará entre as lendas do futebol nacional. Se é que ela já não está.

A torcida pediu, mais de uma vez, a entrada de Cristiane no gramado. Vadão ouviu as preces e colocou em campo a maior artilheira Olímpica da história. Mas o resto é história. A passagem para o ouro no Rio 2016 parou nos pés da retranca sueca e nas mãos de Lindahl. Atrás do gol, só me restou gritar que Babi é a melhor goleira do Brasil – e é, né?

Foi um prazer ser testemunha. Foi uma privilégio ver vocês jogarem. A honra de respirar o ar sagrado do Maracanã na presença de Formiga, Marta e Cristiane foi, sem sombra de dúvidas, toda minha.

Bellini ergueu a taça que exorcizou 1950. A redenção virá para o futebol feminino (Frank Toogood/ Torcedores.com
Bellini ergueu a taça que exorcizou 1950. A redenção virá para o futebol feminino (Frank Toogood/Torcedores.com


Mídias Sociais da AS Roma Brasil, MBA em Gestão Estratégica de Negócios, blogueiro desde 2007 e radialista amador. Escreve sobre futebol italiano, automobilismo e o que aparecer, mas gosta mesmo é de contar boas histórias