Análise: A mão de Renato Gaúcho e o pé de Ramiro

Créditos: Divlgação/Instagram
Créditos: Divlgação

É difícil contestar Renato que recebeu a proposta de comandar mais uma vez o Grêmio, em uma situação complicada da equipe – que encarava naquele momento em uma sequência de 4 partidas sem vencer – , novamente como bombeiro, com um elenco discutível, alguns problemas individuais e mesmo assim, não pensou duas vezes: Pelo Grêmio eu aceito!

Em todas as passagens de Renato, seja pelo Grêmio ou por qualquer outra equipe, ele é visto e muitas vezes carimbado como um simples motivador e duvida-se que seja alguém que entende da parte tática ou um grande apreciador das teorias futebolísticas, inclusive por este que vos escreve. Mas talvez por sua personalidade forte ou sua alta estima elevada, ele tem a mania de sempre contradizer quem pensa desta maneira e nós contestadores, somos obrigados a levar em consideração a velha máxima “contra fatos, não há argumentos”.

Mais uma vez o Renato ousa – como é característica sua – e coloca um time com três volantes, porém com um detalhe. Renato avança um de seus volantes, o até então contestado Ramiro a jogar mais próximo dos atacantes, em uma função de falso atacante, que sem a bola busca marcar e preencher espaços e com a bola é um homem surpresa. Inicialmente era uma ideia não muito aprovada, pois Ramiro mesmo sendo um jogador muito dedicado, vinha apresentando muitas dificuldades com Roger Machado, mas estamos falando da mão de Renato Gaúcho e este gosta de surpreender.

O jogo inicia de forma magnífica, franco, com as duas equipes se jogando a frente, como é característica de um jogo de Copa, ainda mais se tratando de um super clássico, Grêmio e Palmeiras. Mesmo com as duas equipes se lançando ao ataque o Grêmio mostrava uma certa superioridade e aos 32 minutos do primeiro tempo, o meia atacante Douglas buscando chegar em uma bola curta, se joga de carrinho e por elevação, com um toque genial acha o lateral, meia, volante e nesta partida atacante Ramiro – aquele mesmo contestado e que foi aposta de Renato para iniciar o jogo – , que no bico da grande área, quase sem ângulo, com uma finalização improvável, aperta a mandíbula e desfere uma bomba, um míssil, um petardo, em direção ao gol. Neste momento existe uma pausa de dois segundos e parece que a bola não sente a força do chute e tranquilamente ela viaja cerca de vinte metros e com a delicadeza de quem a trata bem dá um leve beijo na trave direita do arqueiro do Palmeiras e calmamente acha o caminho das redes. E quando tudo parecia silencioso, acontece a explosão da torcida concretizando o 1 a 0 para equipe do Grêmio.

Poucos minutos após o “GOLAÇO” de Ramiro o Grêmio ampliou o placar com Pedro Rocha que aproveitou um rebote e de cabeça fez o segundo do tricolor. Logo no início da etapa complementar, o Palmeiras diminui a vantagem com Zé Roberto que converteu uma cobrança de pênalti. Mas o que não sai da cabeça de quem assistiu a partida é a mão de Renato promovendo o polivalente Ramiro como titular e o magnífico gol que foi fundamental para o Grêmio conquistar a sua auto estima que já havia se perdido há algum tempo.

A partida de volta está completamente aberta e a ansiedade só vai crescer na expectativa do jogo de volta daqui três semanas dentro do Allianz Parque, com o Palmeiras dependendo da vitória e o Grêmio defendendo o resultado que fez neste fantástico primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil de 2016.



Estudante de direito e colaborador dos sites: Torcedores.com e ONDDA.com.