Cuca ironiza comentarista da ESPN sobre ‘Cucabol’: “estilo que não agrada ele, né?”

Palmeiras
Foto: Montagem/Divulgação

Mesmo com o Palmeiras na liderança do Campeonato Brasileiro há bastante tempo, o estilo empregado por Cuca parece não agradar muitos críticos. Dentro do jornalismo esportivo, um que se mostrou insatisfeito com o futebol do Verdão é o comentarista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil. Em seu blog, Mauro definiu a tática do treinador alviverde de “Cucabol” em um post do dia 16 de setembro.

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Nesse texto, Mauro criticou bastante o fato de o Palmeiras abusar de cruzamentos na área, inclusive em cobranças de laterais com Moisés, quando se vê forçado a buscar o resultado. O jornalista não vê a estratégia como algo proibido no futebol moderno, porém é “muito pobre e incompatível com a qualidade que Cuca tem no elenco do Verdão”.

“O Palmeiras conta com gente capaz de fazer boas com a pelota nos pés”, escreveu Mauro. Depois das vitórias contra Corinthians e Coritiba, o discurso do comentarista se manteve o mesmo.

Neste sábado, após o Verdão derrotar o Coritiba por 2 a 1 no Allianz Parque, e abrir quatro pontos do vice-colocado Flamengo, o jornalista da ESPN manteve o tom crítico ao treinador, principalmente pelo primeiro tempo fraco em que o líder do Brasileirão finalizou apenas uma vez ao gol de Wilson. E mais: lembrou que o time alviverde alçou 14 bolas na área em 45 minutos, sem qualquer efetividade.

Após a partida, Cuca chegou à entrevista coletiva ciente das críticas do comentarista da ESPN e foi ríspido na resposta à frente de todas as emissoras. “A gente criou a jogada de lateral na área porque as dimensões diminuíram, porque temos um cobrador e porque temos jogadores altos e bons para isso. Algumas pessoas se incomodam com isso. Eu vi até falarem que tinha criado o ‘Cucabol’. Acho que as pessoas tinham que ter um pouco mais de respeito com a gente, sabe? Olhar para trás os trabalhos que a gente fez. Ele é tão profissional quanto nós. Ninguém gosta de ouvir coisas assim. De repente está puxando para o lado pessoal. Ah, como que um clássico como foi tão feio, ouvi dizer. Acho que ele não deve ter ido ao jogo. Uma proposta de jogo quase perfeita que o Palmeiras fez contra o Corinthians, na Arena, com a dificuldade de jogar na casa deles. Talvez não foi um resultado (de um estilo) que o agradou né”, ironizou.

Vamos ver se a jogada ensaiada vai passar em branco, não tem problema. O que importa é que o Palmeiras ganhou para gosto de um, desgosto de outro”, completou o contrariado Cuca.

Assim que a câmera voltou aos estúdios da ESPN Brasil, que transmitiu a coletiva ao vivo de Cuca, Mauro Cezar tomou a palavra e retrucou ao treinador do Palmeiras.

“Ninguém é hipócrita, todo mundo sabe que quando o Cuca falou de ‘Cucabol’, ele se referiu a mim, de maneira até um pouco grosseira. As pessoas têm opiniões diferentes, a minha pode não ser igual a do (Eduardo) Tironi, a do William (Machado), a do (Jorge) Nicola, mas as críticas ao estilo de jogo do Palmeiras são feitas por mim. O Tostão bate sempre nessa tecla quanto à qualidade do futebol brasileiro em suas colunas. A minha crítica é absolutamente técnica, não tem nada a ver com a pessoa Cuca, não é falta de respeito. Juntar a palavra futebol com Cuca, gerando o estilo ‘Cucabol’ que ele emprega desde os tempos de Atlético-MG não é ofensa. Se ele entende como ofensa, sinto muito. O ‘Muricybol’ não foi um termo que eu criei, foi vários veículos da imprensa, até torcedores, também marcou uma época, estilo adotado pelo Muricy. Isso não foi falta de respeito algum também. A verdade é que muitos técnicos no futebol, não generalizei assim como Cuca o fez, eles se sentem intocáveis, gostam de jornalistas bajuladores, ou seja, tem uma dificuldade de lidar com críticas”, respondeu Mauro.

“Em 2007, depois de um Botafogo x Flamengo, estávamos nesse estúdio da ESPN, e o Cuca conversou com a gente, me elogiou na época, e também o PVC. Nós elogiávamos aquele Botafogo do Cuca, porque conseguiu um estilo criativo, montou um time com alternativas interessantes, um time que não era o melhor do Rio de Janeiro, e que brigou até o fim com o São Paulo do Muricy no Brasileiro. Era um choque do estilo do Muricy, o ‘Muricybol’ tricampeão brasileiro que era pragmático, com o de outras alternativas do Cuca. De uns tempos para cá, porém, ele aderiu a esse estilo pragmático. Ele pode ser elogiado, pode ser criticado. As críticas não podem ficar vinculadas à colocação da equipe no campeonato. Vale lembrar que vivi algo parecido na Copa do Mundo de 2014. Critiquei muito o estilo do Felipão, e continuei fazendo essas críticas ao longo de todo Mundial, e algumas pessoas até discordaram de mim. Depois do 7 a 1 muitas pessoas me deram razão. Espero que o Cuca não precise passar por um 7 a 1 para fazer uma reflexão e perceber que o futebol dele pode ser melhor que isso. Entender que ele pode fazer muito mais com o elenco do Palmeiras, que pode render muito mais do que apenas alçar lateral para a área. É um direito meu de não gostar, direito meu de criticar. Direito dele também de não gostar, mas não precisava ser grosseiro com nosso repórter. Não há nenhuma falta de respeito, Cuca. Como você pode criticar o meu trabalho também, desde que seja de maneira educada. Técnicos de futebol, em grande parte, não lidam bem com a crítica. E eu repito: Cuca, Mano Menezes nem na China ficaram. Aqui, reinam”, terminou o jornalista.

A polêmica com Cuca fez Mauro Cezar ser um dos tópicos mais comentados no Twitter em território brasileiro. Cerca de meia hora depois do “choque” de opiniões com o treinador do Palmeiras, o jornalista da ESPN era citado por mais de 3.000 vezes no microblog.



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.