Dispensado pelo São Paulo, Bernardo é titular absoluto em ‘Leicester’ da Alemanha

KLAGENFURT,AUSTRIA,19.MAY.16 - SOCCER - OEFB Samsung Cup, final, FC Admira Wacker Moedling vs Red Bull Salzburg. Image shows Bernardo Fernandes Da Silva (RBS). Photo: GEPA pictures/ Daniel Goetzhaber

No dia 21 de junho de 1995, o volante Bernardo conquistava o título da Copa do Brasil pelo Corinthians, o primeiro da história do time paulista. Um mês antes, porém, ele comemorou outra data marcante, o nascimento do filho Bernardo Júnior. Hoje, aos 21 anos, o jogador é um dos titulares do Leipzig, surpresa do Campeonato Alemão.

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Antes de chegar à Bundesliga, Bernardo teve a chance de seguir os passos do pai e jogar pelo São Paulo, mas foi dispensado depois de passar dois anos na base.

– Fiz teste no São Paulo, quando tinha 13 anos, e fiquei até os 15 anos, mas fui dispensado.

Depois de deixar o Tricolor, Bernardo foi jogar na base do Audax e depois do Coritiba, onde fez dupla de zaga com Juninho, atual titular do Coxa.

– Nós fazíamos dupla de zaga e a cada semana um dos dois ia treinar com o profissional, eu não sabia no que ia dar, mas a Ponte Preta me chamou e eu fui.

Na Macaca, Bernardo fez parte do elenco que tinha Biro-Biro, Tchê Tchê, Cajá e Keno. Com poucas oportunidades, ele foi emprestado ao Red Bull Brasil e chamou a atenção do outro time da empresa, o Red Bull Salzburg.

– Eu vi no Salzburg uma chance de aparecer no futebol europeu, jogar uma competição europeia e dar um passo maior na carreira, via como possibilidade de crescer.

HAMBURG,GERMANY,17.SEP.16 - SOCCER - 1. DFL, 1. Deutsche Bundesliga, Hamburger SV vs RasenBallsport Leipzig. Image shows Bernardo (RB Leipzig) and Lewis Holtby (Hamburg). Photo: GEPA pictures/ Roger Petzsche - For editorial use only. Image is free of charge.
HAMBURG,GERMANY,17.SEP.16 – SOCCER – 1. DFL, 1. Deutsche Bundesliga, Hamburger SV vs RasenBallsport Leipzig. Image shows Bernardo (RB Leipzig) and Lewis Holtby (Hamburg). Photo: GEPA pictures/ Roger Petzsche – For editorial use only. Image is free of charge.

Em pouco mais de um ano na Áustria, foi campeão da Copa da Áustria e da Bundesliga Austríaca, a liga nacional do país. No entanto, a eliminação da fase prévia da Liga dos Campeões foi a oportunidade para crescer.

– Surgiu o convite do Leipzig, os clubes se ajudam cooperam entre eles, e vai de acordo com o que é melhor para o projeto. Eles entenderam que com a queda na Champions seria melhor eu jogar a Bundesliga.

Com a mudança para a Alemanha, Bernardo é o único jogador a jogar por três das quatro equipes da Red Bull (New York, Leipzig, Brasil e Salzburg). Em pouco tempo, o zagueiro/lateral/volante já vê as diferenças dos estilos de jogo dos países.

– Todos os times da Red Bull são organizados, têm um trabalho sério, com bons profissionais. Na Alemanha, temos mais espaço, pode dominar a bola e olhar mais, não é tão compacto, Na Áustria é mais desorganizado, mas mais intenso, de pegada, com o cara nas suas costas, aqui é mais pensado, tem qualidade e se der muito espaço na linha defensiva, os caras vão causar problema.

Apesar do bom início, o objetivo é se estabilizar na primeira divisão da Alemanha. As equipes da Red Bull, aliás, vivem situações distintas. Na Áustria, o título é quase uma obrigação. Nos EUA, a expectativa em torno do time já foi maior, principalmente na época de Henry. No Brasil, o objetivo é atingir a primeira divisão nacional nos próximos anos e tudo começa a ganhar corpo em 2017, quando a equipe jogará a Série D.

– Pela luta que foi subir, a meta é se manter e, passo a passo, ter metas maiores ao longo da temporada. Acho que dá para ficar do meio da tabela para cima, a torcida comprou a ideia que é um projeto de longo prazo, sem pressa.

O time mais odiado

O fato de ter uma empresa por trás desagrada a maioria dos torcedores rivais na Alemanha, assim como na Áustria e até em clubes menores no Brasil. Porém, na Alemanha chega a ser uma espécie de perseguição, muitas vezes feita por torcedores de equipes que também têm grandes empresas dando suporte.

– Eu acho que a primeira temporada vai ser assim, porque é o time da moda, que pegaram para encher o saco, mas aqui é normal ter empresa, como acontece com Bayer Leverkusen, Ingolstadt, Stuttgart, Hoffenheim e Wolfsburg. Não é uma coisa nova, é normal, mas por ser um time que pode incomodar, eles pegaram para encher o saco.

A comparação deste ódio dos alemães com os austríacos do Salzburg é diferente, segundo o brasileiro.

– Lá na Áustria não gostavam por ser o campeão e pelo dinheiro, isso incomoda muito eles, que têm essa coisa da tradição, eles acham que não é o espirito do futebol, mas eu penso que sendo feito de maneira correta, com investimento, é melhor.
Mudança de posição

No Leipzig, Bernardo costuma jogar na lateral direita, mas nem sempre foi assim. No Brasil e na Áustria, ele já foi zagueiro, volante e meia. Na posição de volante, ele tem o exemplo dentro de casa, mas garante que não é ‘cornetado’.

– Meu pai não me corneta, mas dá pitaco. Eu jogava na lateral e na zaga, e a primeira coisa que fizeram no Salzburg foi me colocarem de volante e e aí ele me ajudou muito. Mas a verdade é que minha melhor posição é de zagueiro, eu só penso em jogar, não importa a posição.