Opinião: Fórmula 1 sinaliza saída do Brasil em calendário para 2017

Foto: Beto Issa

O calendário para a temporada 2017 da Fórmula 1, anunciado na tarde desta quarta-feira (28) pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), coloca em xeque a realização do Grande Prêmio do Brasil. Apesar de a prova constar na programação do ano que vem, marcada para o dia 12 de novembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), ela aparece como “sujeita a confirmação”, assim como os GPs do Canadá e da Alemanha.

Este é mais um sinal de que a Fórmula 1 não está satisfeita com a administração do autódromo paulistano. Desde o começo do ano Bernie Ecclestone deu dicas de que a principal categoria do automobilismo mundial poderia não retornar ao País.

Primeiro, em entrevista a Sky Sports britânica, o então dirigente máximo da categoria condicionou a realização da prova a resolução dos problemas financeiros da organização da corrida. Já em junho, em entrevista à revista alemã Auto Motor und Sport, Ecclestone disse que a corrida deste ano poderia ser a última no Brasil. A publicação alemã alega que uma política de austeridade imposta pela TV Globo, afetaria o GP.

Aliado a tudo isso está a interminável reforma no Autódromo de Interlagos, que foi iniciada em 2014, deixou o circuito fechado por praticamente toda a temporada de 2015, e que segue neste ano. Apesar de seguir em andamento, os trabalhos na praça esportiva paulistana seguem em ritmo lento, ao menos para as pretensões da Fórmula 1.

Embora a organização do GP do Brasil tenha tornado a afirmar de que a prova possui contrato com a Formula One Management (FOM) até 2020, nada impede a empresa responsável pela categoria de romper o acordo. E a Fórmula 1 já deu mostras que não pretende esperar por muito mais tempo para que Interlagos resolva seus problemas para continuar recebendo a categoria.

Foto: Beto Issa/GP Brasil de F1



Jornalista com passagens pelas revistas Racing e House Mag.