Goleada histórica da Colômbia no Monumental de Nuñez completa 23 anos

Crédito da foto: site Imortais do Futebol

A goleada de 5 a 0 da Colômbia de Valderrama em cima da Argentina de Batistuta em pleno estádio Monumental de Nuñez (Buenos Aires) pelas Eliminatórias da Copa de 94 foi noticiada por grandes veículos da imprensa esportiva do planeta e deixou os torcedores colombianos orgulhosos e certos de que aquela era a melhor geração de jogadores que seu futebol estava produzindo.  Como esse resultado histórico completou 23 anos no último dia 5, será relembrado pelo site Torcedores.com.

FICHA TÉCNICA

Competição: Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 1994, última rodada

Data: 05 de setembro de 1993

Árbitro: Ernesto Filippi (URU)

Estádio: Monumental Antonio Vespucio Liberti, Buenos Aires, Argentina

Público: 75.000 pessoas

Escalação: ARG.: Goycochea; Saldaña, Borelli, Ruggeri e Altamirano; Zapata, Redondo (Alberto Acosta) e Simeone; Leo Rodríguez (Claudio García); Medina Bello e Batistuta. Treinador: Alfio Basile.

COL.: Córdoba; Herrera, Perea, Mendoza e Pérez; Rincón, Gómez e Álvarez; Valderrama; Asprilla e Valencia. Treinador: Francisco Maturana.

Resultado: Argentina 0x5 Colômbia (Gols: 1º tempo: Rincón-COL, aos 41 min.; 2º tempo: Asprilla-COL, aos 5 min. e aos 30 min., Rincón-COL, aos 28 min. e Valencia-COL, aos 39 min.).

SITUAÇÃO ANTES DA PARTIDA

A Colômbia era líder do Grupo A nas Eliminatórias e enfrentaria os argentinos em Buenos Aires no dia 5 de setembro de 1993 precisando apenas de um empate para se classificar, já que aquela era a sexta e última rodada das Eliminatórias para o Mundial do ano seguinte, lembrando que a Colômbia estava invicta com três vitórias e dois empates na competição. Los hermanos, por sua vez, estavam na vice-liderança, já que tinham três vitórias, um empate e uma derrota e precisavam vencer para garantir sua passagem para a Copa do Mundo, ou então torcer para o 3º colocado Paraguai não vencer o Peru, o que levaria a seleção de Batistuta para a repescagem.

Como o retrospecto recente era amplamente favorável, os donos da casa estavam totalmente confiantes em seu êxito, já que a Argentina era a atual vice-campeã do mundo, bicampeã da Copa América (1991 e 1993), campeã da Copa das Confederações (1992) e não perdia em seus domínios há seis anos. Como futebol é decidido dentro das quatro linhas e a seleção de Valderrama tinha uma ótima base vinda do Atlético Nacional de 1989 (campeão da Libertadores), todo esse favoritismo azul e branco iria por água abaixo naquela fatídica tarde de setembro, diante de um público de 75 mil pessoas.

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O JOGO

Primeiro Tempo – Resistindo a pressão

Inflamados por sua torcida, que não parava de cantar, os argentinos foram para o ataque pelo lado direito, mas sem levar muito perigo. Os volantes Simeone e Redondo não conseguiam nem marcar -os meias colombianos Rincón e Valderrama estavam se mexendo bem e confundindo a defesa adversária- nem atacar, já que não faziam a bola chegar em condições de finalização para Batistuta, que ficou isolado no ataque. Aos 20 minutos, Rincón veio pela direita e passou para Valencia, que chutou para a defesa de Goycochea.

Os donos da casa tentaram reagir pressionando a saída de bola do visitante, mas erraram muito nas finalizações e facilitaram o trabalho da defesa de Los Cafeteros (apelido da seleção colombiana). Como o árbitro não apitava as faltas que estavam acontecendo, a partida se tornou violenta e os jogadores começaram a brigar; Valderrama tomou o primeiro cartão amarelo do jogo (aos 30 minutos) por retardar a cobrança de falta adversária e brigar com Diego Simeone.

Onze minutos mais tarde, depois de um primeiro tempo ríspido com muitas dividas e chances perdidas, acontece o primeiro gol do jogo: Rincón recebeu belo passe de Valderrama, que havia escapado da marcação de Zapata pela direita e tocado entre três argentinos, ganhou na corrida de seu marcador, driblou o arqueiro adversário e mandou para a rede, 1 a 0. A torcida mandante se calou, enquanto os visitantes, em número bem reduzido, começavam a fazer uma tímida festa nas arquibancadas. Os anfitriões, que precisavam virar o resultado, não fizeram muita coisa até o final da primeira etapa e foram para o intervalo em uma situação complicada.

Segundo tempo – Baile colombiano

A torcida argentina continuou a apoiar seus atletas e cantou para incentivá-los a vencer, mas aos quatro minutos, o volume daquele coro iria diminuir de forma gradativa. O meia-atacante Freddy Rincón recebeu passe de cabeça do volante Goméz no meio de campo e, após dominar a bola com o pé direito, cruzou de forma perfeita para o atacante Faustino Asprilla que driblou o zagueiro argentino Borelli na esquerda e mandou um chute indefensável para Goycochea, 2 a 0. A seleção amarela e azul estava com a classificação praticamente assegurada, enquanto Los Hermanos se desesperavam cada vez mais. Enquanto isso, o treinador Alfio Basile, para tentar virar a partida, tirou o meia Léo Rodriguez, único armador da equipe e colocou o atacante García em campo.

Os colombianos, por sua vez, eram um exemplo de vigor físico e qualidade técnica, por isso mantinham o total controle da partida e não se importavam nenhum pouco com a torcida adversária. Durante sete minutos (dos 13 aos 20), os argentinos tentaram reagir e até demonstraram bom futebol, já que o volante Fernando Redondo começou a distribuir o jogo com muita classe e Batistuta começou a tocar mais na bola, porém, sempre que os donos da casa finalizavam, o goleiro Córdoba aparecia para salvar a seleção cafetera. Aos 26, o treinador argentino cometeu um grande erro: tirou Redondo, que fez o time melhorar muito e colocou o atacante Acosta no gramado. Isso fez com que a dona da casa ficasse com o seu meio campo sem criação (apenas os volantes marcadores Simeone e Zapata estavam naquele setor) e facilitou a vida do esquadrão liderado por Carlos Valderrama, que aproveitou os espaços deixados no meio de campo.

Dois minutos depois, Asprilla driblou três e finalizou para defesa de Goycotchea, o rebote sobrou para o meia Leonel Álvarez, que veio pelo lado esquerdo e fez ótimo cruzamento para o centroavante Valencia, que não conseguiu alcançar a bola e, sem querer, deixou o lance limpo para Rincón, que veio de trás e finalizou cruzado, sem chances para o goleiro adversário, 3 a 0. A Colômbia sacramentava não só a vitória, mas a sua classificação para o Mundial de 94, por outro lado, a Argentina ficava cada vez mais desestabilizada. Alguns toques após o reinício da partida, Asprilla roubou a bola de um desnorteado zagueiro Borelli, disparou em direção a trave do goleiro adversário, viu que ele estava adiantado e tocou por cima, indefensável! 4 a 0 e uma das grandes zebras da história do futebol se confirmava diante de 75 mil pessoas que, atônitas, assistiam a tudo. Nenhuma seleção havia jogado tão bem na casa dos argentinos, mas ainda faltava a “cereja do bolo”.

Naquele momento da partida, os torcedores argentinos estavam preocupados com o outro jogo do Grupo A -Paraguai x Peru- que estava empatado em 1 a 1 e poderia tirar os argentinos da Copa do Mundo, caso o Paraguai vencesse a partida. Aos 39 minutos, o craque Valderrama fez um lançamento de três dedos para Asprilla driblar o defensor Borelli mais uma vez pelo lado esquerdo e passar para o centroavante Valencia driblar o goleiro e deixar a bola rolar mansamente para o gol, 5 a 0, placar final.

Inesperado e difícil de acreditar, principalmente quando os argentinos gritaram “olé” e reverenciaram o toque de bola colombiano ainda no quarto gol do jogo. Foi a maior goleada que um visitante aplicou na tradicional seleção argentina e o maior vexame de Los Hermanos desde os 6 a 1 sofrido contra Tchecoslováquia na Copa de 1958, na Suécia. Depois do apito final (minutos após Simeone acertar uma cotovelada em um colombiano e não ser expulso), a torcida argentina aplaudiu Los Cafeteros e reverenciou o irreverente, habilidoso e divertido futebol amarelo e azul.

DEPOIS DA PARTIDA

Argentina: como o jogo entre Paraguai e Peru terminou em 2 a 2, a Argentina disputou a repescagem com a Austrália (campeã da Oceania), venceu e garantiu vaga para o Mundial de 94, nos EUA. Na disputa do torneio, Maradona, que estava suspenso por uso de cocaína, voltou para sua seleção, mas foi novamente suspenso logo após a segunda partida, desta vez por uso de remédios para emagrecer (efedrina). Com isso, a seleção azul e branca foi eliminada pela Romênia de Hagi nas oitavas de final e permanece em um logo jejum de títulos que dura até hoje. Outro fato que incomoda muito os argentinos é o de nunca terem conseguido golear os colombianos por 5 ou mais gols de diferença desde então.

Colômbia: a seleção cafetera se tornou uma das favoritas ao título da Copa do Mundo depois desta goleada e seus atletas eram vistos como os melhores da história do futebol colombiano. Quando o Mundial começou, a badalação resultou em um péssimo futebol que eliminou a equipe ainda na primeira fase, encerrando uma geração fantástica que, apesar de muito talentosa, não ganho nenhum título e passou por um momento trágico: o zagueiro Andrés Escobar (que fez um gol contra na derrota por 2 a 1 contra os EUA pela Copa e praticamente eliminou os colombianos da competição) acabou sendo assassinado dias depois, em um bar de Medellín, por um grupo de traficantes que teria perdido dinheiro com a queda precoce da seleção nacional.

Fonte de informações: site Imortais do Futebol