Opinião: Veja as diferenças do Palmeiras em relação à 2009

Palmeiras
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Vejo que se não acontecer nenhuma catástrofe, o Palmeiras caminha a passos largos para ser Campeão do Brasileirão-16. Situação diferente de 2009, onde um “reforço do presidente”, Vagner Love, foi o grande estopim da perda do campeonato, ganhando mais que todos, com atitudes que destruíram o ambiente entre os jogadores, sendo egoísta em campo querendo fazer gols de tudo o que é jeito (e não fazendo).

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Com isso, o grupo passou um a não confiar no outro. Técnico na época, Muricy Ramalho não conseguiu contornar a crise e quem pagou por isso foi o Palmeiras, que nem para a Libertadores foi no ano seguinte.

O que diferencia o Palmeiras de 2009 para Palmeiras atual? O plantel atual tem apenas Cleiton Xavier, como remanescente. Mudou-se a diretoria ,principalmente com a postura do presidente com Paulo Nobre, comissão técnica e patrocinadores. Mas a maior mudança, a que foi fundamental, foi a postura dos dirigentes. Torcedores, sim, todos aqueles que cuidam do Palmeiras como clube associativo, a parte de futebol passou a ter uma gestão profissional, com dirigentes remunerados, tendo como gestor responsável Alexandre Mattos.

Mas até chegar a calmaria atual, tiveram alguns percalços e erros de curso, contrataram em 2015, Oswaldo de Oliveira montaram um plantel de 40 jogadores, muitos “gringos” remanescentes da gestão de Ricardo Gareca, muitos dos contratados, não tinham capacidade técnica para jogar em times grandes.  

Com a perda do Campeonato Paulista para o Santos, Oswaldo foi trocado por Marcelo Oliveira, ex-Cruzeiro. Com isso voltou a formar a dobradinha com Alexandre Mattos. O dirigente foi um caso a parte, muitos clubes de São Paulo e de outros estados, o acusavam de tentativas de aliciamento de jogadores, um dos seus grandes desafeto, não declarado, é Lucas Lima e trocam provocações via twitter constantemente. Um desafeto declarado, ao dirigente palmeirense, é o presidente do Santos Modesto Roma Jr, que acusa o dirigente palmeirense de má conduta, tentando desestabilizar os  times adversários com propostas aos principais jogadores.

Com Marcelo Oliveira, o time conseguiu ser Campeão da Copa do Brasil 2015. Mas o treinador não conseguiu manter-se no cargo em 2016, pois foi demitido depois da de ser derrotado pelo Nacional-URU. Dois dias depois, Cuca era contratado, após voltar da China.

Com a chegada de Cuca, a maior diferença notada além de mudanças no plantel e no time. Ocorreu o afastamento de Alexandre Mattos das mídias, ficando fora do foco. Apenas Cuca tornou-se o profissional responsável por falar do time de futebol. Talvez a grande mudança, onde o treinador passou a ser responsável por indicações de jogadores e até de manter os primeiros contatos.

Cuca teve muito trabalho para dar padrão de jogo ao time, e foi conseguindo isso à medida que foi implantando sua filosofia no time titular, tornando o time mais equilibrado, coisa que os antecessores de Cuca não conseguiram. Fazendo uma analise do que foi mudado, podemos apontar os pontos fortes desse time:

– Com a contusão de Fernando Prass, durante a preparação olímpica, inicialmente apostou-se no jovem Vagner, mas talvez por não ter experiência suficiente para assumir a vaga de titular, andou falhando e passava insegurança para o resto do time. Entrou Jailson, goleiro rodado que não sentiu a pressão de substituir Prass, mostrou ser um goleiro de bons recursos, boa colocação e arrojado quando preciso. Titular indiscutível nesse momento.

– Na lateral direita havia os altos e baixos de Lucas, sua inconstância desestruturava a defesa pelo lado direito. Trouxeram uma cria do Muricy, Jean que exerce com a mesma competência em dias funções, tanto na lateral direita como volante, com isso se houver necessidade de uma mudança tática, consegue-se mexer em duas posições com apenas uma substituição. Estabilizou o lado direito do time, fazendo até a cobertura dos volantes, quando um deles sobem ao ataque, titular sem concorrência, excelente contratação.

– a dupla de zaga, formada por Vitor Hugo e Yerry Mina, se complementa. O colombiano compensa o jogo mais lento de Vitor Hugo com sua velocidade. Ambos fazem bem as coberturas das laterais e são difíceis de serem batidos no mano a mano, além de terem um jogo aéreo ofensivo muito forte, compensando por vezes a pouca estatura do ataque quando jogam Gabriel Jesus, Erick ou Dudu e Roger Guedes. Na falta de um dos dois, Edu Dracena tem sido um bom substituto.

– Egídio tinha o mesmo problema de inconstância de Lucas, sendo varias vezes substituído pelo veteraníssimo Zé Roberto. Mas de alguns jogos para cá vem tendo boas performances, lembrando o Egídio do Cruzeiro. Mesmo assim, Zé Roberto também joga conforme a necessidade. Ambos hoje jogam no mesmo nível de regularidade.

– O meio de campo formado por Gabriel, Tche Tche e Dudu ou Tche Tche, Moises e Dudu. As duas formações tem muita força, a mais marcadora tem uma boa saída de bola (Gabriel e Tche Tche) com Dudu armando. Ou um meio mais leve com Tche Tche, Moises e Dudu, podendo ainda formar um quadrado com a inclusão de Erik ou mesmo Cleiton Xavier, dependendo muito da postura do time adversário. Mas para mim, o Palmeiras ainda necessita de um jogador mais efetivo na armação, Dudu exerce a função, mas não é a dele, ele é mas atacante e Cleiton Xavier, tornou-se burocrático fazendo apenas o obvio.

– O ataque é Gabriel Jesus e mais um ou dois. Se Cuca optar por um homem de referência, entra Barrios, abrindo espaço para quem vem de trás com Jesus aberto em uma das pontas, se optar por Jesus centralizado, entram dois jogadores rápidos pelas beiras do gramado, Rafael Marques e Roger Guedes. E tem a opção ainda, da retira de um dos quatro homens do meio de campo, e coloca-se Leandro Pereira, trazendo Rafael Marques para fazer a função no meio de campo.

Coloco o Palmeiras como um dos planteis mais fortes do Brasileirão, perdendo apenas para o do Atlético MG, mas a vantagem é que é um time que faz a lição de casa e ganha como visitante coisa que seus concorrentes, não tem feito e com essa regularidade fica difícil de ser alcançado. E conta com um repertorio de jogadas ensaiadas, para complicar mais ainda para o adversário e escalação o time conforme a necessidade. Com tudo isso, mais um treinador extremamente competente, salários em dia, respaldo da diretoria, poucas contusões e peças de reposição, tornam o time um dos postulantes ao titulo.

Mesmo com um ponto de vantagem em relação ao Flamengo, que só tem um bom time e mais uns quatro jogadores para entrar e não deixar a peteca cair, o Palmeiras tem de manter a frieza e o mesmo toque até o final, e não perder pontos bobos em casa.

Cravo Palmeiras, campeão, se tudo continuar como está.



Formado em Desenho Industrial, na Unisanta turma de 84, mas apaixonado por futebol, aquele bem jogado. Saudosista dos grandes jogos e jogadores.