Opinião: Valdivia não deve ser chamado de ‘ídolo’ do Palmeiras

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O chileno é considerado por muitos palmeirenses ídolo do clube. Reflexo da carência que o torcedor brasileiro tem por ídolos

 

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Pensando na próxima temporada, a diretoria palmeirense não nega estar a procura de mais peças para o próximo ano (possivelmente de Libertadores), inclusive um meio campista. Com isso, a imprensa já começa a levantar possibilidades da volta do mago. A diretoria, por sua vez, não rechaça a ideia.

Jorge Valdivia conquistou o carinho de boa parte da torcida do Palmeiras em suas duas passagens pelo clube. Nas duas foi campeão. Paulista (2008) e Copa do Brasil (2012). Aclamado pelas provocações aos adversários e irreverência dentro de campo, já tem seu lugar na história do Verdão. Mas não como ídolo.

Se Valdivia tivesse sequência, não tenho dúvidas que seria todos os anos eleito um dos melhores jogadores do país. Mas não tinha. Virou motivo de piadas pela sequência de contusões que tinha, e tem seu comprometimento com o clube questionado até hoje. Ninguém duvida do carinho que o jogador tem pelo Palestra, mas chamá-lo de ídolo da Sociedade Esportiva Palmeiras beira o exagero. Colocá-lo no rol dos imortais do Alviverde é um desrespeito a histórias bem mais grandiosas. Desrespeito com o pai da bola, Waldemar Fiúme, com a dupla eterna da Academia, Dudu e Ademir, com Oberdan Cattani, Evair, Marcos e tantos outros jogadores que tanto fizeram pela história do Palestra e do Palmeiras.

O chileno, que é odiado por uns e amado por outros, é o reflexo de um anseio histórico do torcedor brasileiro por ídolos. Pura carência.

Quando ouço a torcida implorando à diretoria pela volta dele não consigo entender. Uns bradam por um “meia clássico”, que resolva todos os problemas. Pensamento típico de uma sociedade acostumada ao heroísmo, ao Redentor de todos os erros e de todos os passes. Não faz sentido pedir a volta de um jogador que tão pouco ajudava. Por tão caro que é.

A magia do meia ‘mago’ muitas vezes fez mal ao clube, aos torcedores. A si mesmo. Uma magia que apareceu na Copa América 2015 depois de um período ‘sabático’ pelo clube paulista.

Muitos podem ser os sentimentos por ele. Menos o de ídolo de um clube tão grandioso, de tantos heróis e de tantas histórias como o Palmeiras.



Estudante de jornalismo. Apaixonado por esportes e pela vida.