COB vive polêmicas políticas após as Olimpíadas; confira

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Crédito da foto: Divulgação/Rio 2016

Quem acreditava que o esporte olímpico fosse atrair novos investimentos, mais uma vez se iludiu. Menos de dois meses após o fim das Olimpíadas do Rio 2016, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) vive novamente polêmicas políticas que travarão a evolução do próximo ciclo, visando os Jogos de Tóquio 2020.

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Em eleições realizadas na última terça-feira (4), na sede da entidade, no Rio de Janeiro, Carlos Arthur Nuzman foi reeleito para seu sexto mandato consecutivo. Porém, segundo a Lei 12.868, de 2013, o cartola terá de sair em 2020, pois a nova legislação limita a apenas uma reeleição no Comitê. Há 21 anos no poder, Nuzman acabou sendo candidato único no pleito e obteve 24 votos, contra apenas um contra, além de três abstenções e um voto nulo.

Ou seja, ele possui amplo apoio das confederações, que ignoram as críticas da opinião pública e dos atletas, que reivindicam melhores condições de trabalho, centros de excelência esportivos, contratos de patrocínios e premiações em cima de resultados obtidos em Jogos Olímpicos.

Medalhista de bronze no taekwondo, Maicon Siqueira ainda não recebeu a premiação prometida pela CBTkd (Confederação Brasileira de Taekwondo) após o pódio, de R$12.500. A entidade é investigada por corrupção, fraudes em licitações e desvios de verbas. As denúncias do Ministério Público culminaram no afastamento do presidente Carlos Fernandes.

Crédito da foto: Divulgação/CBTkd
Carlos Fernandes foi afastado da presidência da CBTkd após denúncias do MP – Crédito da foto: Divulgação/CBTkd

“Eu ainda não recebi a premiação, era R$ 12.500, eu já estava planejando usar esse dinheiro para ir a uma competição, para comprar suplementação fora do país. A Confederação Brasileira já tinha marcado uma data, já tinha tudo acertado, mas eles simplesmente não falaram mais nada, desmarcaram e não quiseram me pagar. Eles não se manifestaram, não entraram em contato comigo, até agora nada da Confederação. Eles não falam nada”, disse Siqueira ao ESPN.com.br na última semana.

Além do taekwondo, outras modalidades tiveram patrocínios severamente cortados, como a esgrima, tênis, natação e handebol. Empresas como a Petrobras e os Correios, devido à crise que atravessa o país, encerraram seus contratos com as respectivas confederações. Caixa, Banco do Brasil, Infraero, Eletrobras e BNDES também podem “pular o barco” em breve. Muitos atletas vivem a incerteza do próximo ciclo olímpico e temem o futuro no esporte.

Ex-tenista e hoje comentarista da ESPN, Fernando Meligeni foi um dos que mais se posicionaram e disparou sobre a eleição de Nuzman. “Cada um que foi e votou mostra que compactua com o continuísmo, compactua com esse método arcaico e devastado do nosso esporte. Quando digo que não respeito, não quero nem apertar a mão desses dirigentes”, detonou o Fininho.

Além da CBTkd, a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) também está envolvida em escândalos. O presidente Coaracy Nunes, desde 1988 no mandato, é suspeito de desvio de recursos públicos e fraudes em prestações de contas de convênios do Ministério do Esporte. Dirigentes ligados ao vôlei também são investigados de supostos superfaturamentos e desvios, de acordo com o “Jogo Limpo”, da ESPN Brasil.



Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Foi repórter colaborador e hoje é líder da comunidade de colaboradores juniores, plenos e seniores no site Torcedores.com.