Fluminense x Flamengo: Em um ano confuso, mais confusão

Fluminense x Flamengo
Reprodução: Facebook oficial Fluminense

Em um retrato onde o futebol carioca, fruto de sua total desunião, fruto de seu ainda tardio e lento processo de profissionalismo de gestão de clubes e liga, o clássico carioca que hoje, talvez seja o de maior importância do Rio de Janeiro, e considerado uns dos maiores do mundo, passou essa semana por fator vergonhoso referente onde ser realizada a partida. Como disse em oportunidades anteriores, uma tremenda falha de gestão de todos os clubes que hoje sofrem em estádios medíocres pelo Estado do Rio e fora dele, que já sabiam do problema a anos e nada fizeram. Para coroar o problema de uma forma ainda mais medíocre e melancólica, Flamengo e Fluminense, travaram durante essa semana, uma luta intensa para conseguir ter uma casa para acolher um clássico, que dito acima, é de uma importância imensa para o futebol nacional, a importância aumenta, diante das possibilidades que a partida apresenta, o Flamengo luta pelo título brasileiro, o Fluminense luta pela vaga direta pela Taça Libertadores, é inaceitável que essa partida tenha sofrido tanto para ter uma casa.

Os problemas que os clubes tiveram para conseguir uma casa para realizar essa importante partida, e alguns episódios que essa novela nos apresentou, demonstra o abismo e o trabalho enorme que clubes e federação precisam ter para desenvolver o muito carente futebol brasileiro. Vejamos bem o estranho episódio envolvendo o Botafogo e a sua suposta “Arena”, que convenhamos é ridícula, assim como Edson passos é para o Fluminense e a história desses dois clubes. Desconsiderando os resultados obtidos por lá, são estádios atrasados, com pouca capacidade de público, e um deles inclusive sem capacidade para receber um clássico. Envoltos nesse problema, Botafogo, Flamengo e Fluminense, três clubes com muita história e grandes do Estado do Rio de Janeiro, tiveram para ser generoso, dois imensos anos, para se unirem em um projeto, que poderia ser uma reforma decente nos diversos estádios pequenos da cidade do Rio de Janeiro, e até mesmo um projeto que envolveria o Vasco da Gama, onde o envolvido fosse um pouco mais profissional, para não chamar de burro, idiota e arrogante, de ter expandido, ou no mínimo, modernizado um pouco seu antigo estádio. Ao contrário do que foi exposto acima, Botafogo e Vasco romperam relações com Flamengo e Fluminense, uma briga que gerou inclusive a criação de uma liga, mas que no fim, a dupla Fla – Flu, foi incapaz de juntos em 1 ano criar um projeto viável para que ambos pudessem se beneficiar em um ano sem Engenhão e Maracanã, e Botafogo e Vasco que pareciam parceiros fiéis, foram incapazes de criarem uma união para utilização de São Januário. Lembrando que o Botafogo teve que fazer reformas significantes no estádio da Ilha, que poderiam terem sido feitas em favor do Vasco com São Januário.

Como disse muito bem ontem o jornalista Mauro Cezar Pereira dos canais Espn, a desunião dos clubes é algo que chega a assustar, eu de modo particular em muitos, praticamente em todos os momentos, vejo que a direção dos clubes do Brasil, tratam a gestão dos seus clubes, como torcedores tratam a sua paixão pelo clube. Entendo que deva existir paixão, mas tratar o rival, como rival de arquibancada é burrice, é ignorância, é falta de visão, esse trabalho já é feito pelas torcidas, e nela devem ficar. Fortalecimento do rival, é resultante de fortalecimento da liga, que gera fortalecimento de receita para todos. A moda hoje em dia é se referir ao futebol inglês como sucesso na gestão, curiosamente ignoram o principal método de sucesso do campeonato, que passa pela gestão profissional de clubes e liga e pelo fortalecimento conjunto de todos os 20 clubes da primeira divisão. Em Portugal que não é lá o maior exemplo de profissionalismo no futebol Europeu, os maiores rivais, Benfica, Porto e Sporting, se solidarizam um pelos outros em competições pela Europa, o pensamento é único, o fortalecimento do futebol português, é algo tão simples, que até os portugueses, chamados de “burros” em diversas piadas brasileiras, já conseguiram entender e praticam, talvez não sejamos assim tão inteligentes.