FRANCISCO GENTO COMPLETA 83 ANOS; REVEJA A CARREIRA DESTE MULTICAMPEÃO

Francisco Gento pelo Real Madrid
Crédito da foto: site Imortais doFutebol

Outubro é o mês do futebol e a prova disso é que craques como Bobby Charlton, George Weah, Zlatán Ibrahimovic entre outros, nasceram neste período do ano. Um deles é o espanhol Francisco Gento, que completou 83 anos no último dia 21 e é até hoje o maior ganhador de títulos da Liga dos Campeões da UEFA, com 6 taças e foi um dos mais rápidos da história, já que podia percorrer 100 metros em 10 segundos com a bola em seus pés. Acompanhe a trajetória deste grande jogador europeu aqui no Torcedores.com.

Francisco Gento, também conhecido como Paco, nasceu no dia 21 de outubro de 1933, em Guarnizo, na Cantábria (norte da Espanha) e por ser muito rápido, praticou atletismo na infância, paralelo ao futebol. Sua velocidade em campo lhe rendeu o apelido de “Galerna del Cantábrico” (“Ventania do Mar Cantábrico”), porém, ele perdeu a bola muitas vezes por correr demais no início da carreira e esse defeito só foi melhorado anos depois.

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Na temporada 1952-53, após passar por pequenos clubes de sua cidade, Gento foi contratado por um time da 3ª divisão espanhola, chamado Sociedad Deportiva Rayo Cantábria, filial do Racing Santander, que decidiu subir o jogador para sua equipe principal no mesmo período. Na primeira divisão de seu país, Paco jogou apenas dez partidas e marcou dois gols, mas isso foi o suficiente para chamar atenção do Real Madrid, que logo lhe contratou.

Os primeiros jogos de Paco com a camisa do Real não deixaram uma boa impressão na torcida madrilenha, já que ele corria demais e errava nos chutes e cruzamentos, o que irritava os mais críticos. Essas deficiências só foram melhoradas com as chegadas de Alfredo Di Stéfano e Héctor Rial entre 1953 e 1954, que lhes deram dicas para correr menos e aprender a cruzar para trás para aproveitar o elemento surpresa ao invés de simplesmente jogar a bola na área.

Com esse trio e mais algumas contratações para posições específicas, o Real Madrid se tornou uma das equipes mais fortes da Europa e conquistou o Campeonato Espanhol na temporada 1953-54, tendo Di Stéfano como artilheiro da competição com 29 gols. Ali se iniciava uma era hegemônica no futebol do velho continente.

Na temporada 1954-55, Paco disputou 24 jogos, marcou seis gols e foi mais uma vez campeão nacional. Além disso, melhorava cada vez mais suas habilidades de drible e chute com a perna esquerda, sendo titular absoluto na ponta-esquerda e um dos principais jogadores da equipe.

Na temporada 1955-56, o Real Madrid de Gento e Di Stéfano começaria uma dinastia que jamais seria repetida por qualquer clube da Europa. O clube merengue foi convidado para participar da primeira Liga dos Campeões da UEFA (chamada na época de Copa dos Campeões da Europa), avançou até a final e se tornou o primeiro campeão europeu da história ao derrotar o Stade de Reims-FRA por 4 a 3. Gento fez um gol na competição na vitória por 4 a 0 contra o Partizan-IUG, nas quartas de final.

Na temporada posterior, os merengues foram novamente campeões nacionais e Gento deu muitas assistências para Di Stéfano alcançar a chuteira de ouro do torneio com 31 gols. Na Liga dos Campeões, o Real disputou o jogo do título diante de 120 mil pessoas no estádio Santiago Bernabéu e foi bicampeão da Europa com o velocista espanhol marcando o gol do título na vitória por 2 a 0 contra a Fiorentina-ITA.

Na edição seguinte do torneio europeu, Francisco Gento definitivamente entrou para a galeria de ídolos do Real Madrid, pois fez gol nas oitavas (6 a 0 no Royal Antwerp-BEL) e marcou também nas quartas (8 a 0 contra o Sevilla). No jogo final, contra o forte Milan-ITA, houve um empate em 2 a 2 que forçou a prorrogação. Em meio ao cansaço do time espanhol, a bola caiu nos pés de Gento que, na segunda etapa do tempo extra, acertou um chute cruzado e novamente fez o gol da vitória em uma final continental, sacramentando o tricampeonato merengue. Aquele jogo deixou claro como o preparo físico de Paco seria decisivo em momentos importantes para a sua equipe. Vale ressaltar que o Real Madrid também foi campeão espanhol naquela temporada.

Entre 1959 e 1960, o velocista espanhol ganhou a Liga dos Campeões por mais duas vezes e foi decisivo na final continental de 1960, contra o Eintracht Frankfurt-ALE, na qual deu passe de letra, assistência, driblou várias vezes os defensores germânicos e exibiu um futebol muito técnico. O jogo acabou 7 a 3 para os merengues, com quatro tentos de Puskás e três de Di Stéfano.

No mesmo ano, o Real Madrid disputou o primeiro Mundial Interclubes da história contra o Peñarol-URU, campeão da Libertadores naquele ano. O título foi decidido em dois jogos, o primeiro, disputado em Montevidéu, acabou 0 a 0 (Gento foi poupado) e o segundo, que aconteceu em Madrid, terminou em 5 a 1 para o time da casa, com Paco deixando mais uma vez sua marca em uma final internacional.

Nos anos seguintes, o Real teve uma queda em seu rendimento (apesar de ter vencido a Copa do Rei em 1961-62) e perdeu a hegemonia continental, sendo vice-campeão em 1962 e 1964 – foi derrotado por Benfica-POR e Internazionale-ITA, respectivamente – com Gento presente em ambas. Apesar disso, Paco mais uma vez fez história ao marcar o gol de nº 2000 do Real Madrid em Campeonatos Espanhóis (vitória por 3 a 1 contra o Pontevedra, em 09 de novembro de 1963).

Apesar de estar em declínio físico na década de 60 e de ver vários de seus companheiros, que também eram estrelas do Real Madrid, se aposentarem ou mudarem de clube, Gento continuava colecionando títulos da liga nacional (1960-61, 1961-62, 1962-63, 1963-64, 1964-65) e se tornou o maior recordista de taças da Liga dos Campeões ao ajudar o time madrilenho a conseguir o hexacampeonato na temporada 1965-66. Como era o único remanescente dos tempos vitoriosos dos anos 50, se tornou o líder de um grupo que tinha grandes nomes como Amancio Amaro, Pachín e Manuel Sanchís. Devido ao fato de aparecem no jornal esportivo espanhol Marca usando uma peruca dos Beatles, aquela geração do Real Madrid ficou conhecida como “Yé-Yé”, uma referência a música “She Loves You”.

Durante o torneio continental, o Real Madrid passou pelo Feyenoord-HOL, na primeira fase, venceu o Kilmarnock-ESC, nas oitavas, o belga Anderlecht, nas quartas (Gento fez dois gols na partida de volta, vencida por 4 a 2) e eliminou a então bicampeã europeia e mundial, Internazionale-ITA, na semifinal, vencendo por 1 a 0, em casa e segurando o empate em 1 a 1 na partida de volta. Na grande final, o time merengue ganhou do Partizan-IUG por 2 a 1 e levou a sexta taça para a capital espanhola. Coube a Gento o privilégio de erguê-la na comemoração da conquista.

Depois de retomar a Europa, o Real perdeu a chance ser bicampeão mundial para o Peñarol em 1966, porém, ganhou mais três Ligas Espanholas (1966-67, 1967-68 e 1968-69) e uma Copa do Rei (1969-1970). Após a temporada 1970-71, Paco decidiu encerrar a carreira como um dos jogadores vitoriosos de todos os tempos e recebeu várias homenagens após a aposentadoria.

TRAJETÓRIA NA SELEÇÃO

A primeira convocação de Francisco Gento para a seleção espanhola aconteceu na temporada 1954-1955, em um amistoso contra a Inglaterra, em Madrid, que terminou empatado em 1 a 1. Paco foi convocado devido ao seu bom desempenho na temporada pelo Real, onde tinha sido bicampeão nacional. Na temporada 1957-58, após conquistar o tricampeonato europeu com seu time, foi convocado para quatro partidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1958, para qual a Seleção Espanhola não se classificou.

Quatro anos mais tarde, Gento foi selecionado para o Mundial de 1962, no Chile. Havia uma expectativa muito grande para aquela geração de jogadores espanhóis, já que na equipe havia nomes como Luis Del Sol, Peiró e Luis Suárez Miramontes. Apesar de ter um bom time, a Espanha foi a última colocada de seu grupo após vencer o México por 1 a 0, perder para a Tchecoslováquia pelo mesmo placar e ser derrotada pelo Brasil (2 a 1), sendo eliminada na primeira fase.

O único momento em que Gento mostrou seu talento naquele torneio foi na partida de estreia, quando deu uma arrancada, passou por quatro defensores e cruzou para Peiró fazer o gol da vitória. Aquele lance explicou o motivo de Paco ter o apelido de “Ventania”.

Dois anos depois, foi convocado para Eurocopa de 1964, que foi vencida por sua seleção, porém, sem a participação de Paco, que ficou na reserva durante a parte final do torneio por opção do treinador José Villalonga, que preferiu Carlos Lapetra como titular.

Foi convocado para a Copa de 1966, na Inglaterra, onde a Espanha fracassou novamente e caiu na fase de grupos. Aquele foi o último Mundial do velocista por sua seleção. Em 1969, Paco representou seu país pela última vez, em uma vitória por 6 a 0 contra a Finlândia, em duelo válido pelas Eliminatórias da Copa de 1970, para qual a Espanha não se classificou.

DADOS RELEVANTES

Posição: Ponta-esquerda e meia

Títulos por Clubes: 1 Mundial Interclubes (1960), 6 Ligas dos Campeões da UEFA (1955-1956, 1956-1957, 1957-1958, 1958-1959, 1959-1960 e 1965-1966), 12 Campeonatos Espanhóis (1953-1954, 1954-1955, 1956-1957, 1957-1958, 1960-1961, 1961-1962, 1962-1963, 1963-1964, 1964-1965, 1966-1967, 1967-1968 e 1968-1969), 2 Copas do Rei (1961-1962 e 1969-1970), 1 Pequena Copa do Mundo de Clubes (1956) e 2 Copas Latinas (1955 e 1957) pelo Real Madrid.

Título por seleção: 1 Eurocopa (1964) pela Espanha.

Prêmios individuais:

Eleito um dos 50 Melhores Jogadores do Século XX pela Planète Foot: 1996

Eleito o 30º Maior Jogador do Século XX pela revista Placar: 1999

Eleito o 31º Melhor Jogador do Século XX pela IFFHS: 1999

Eleito o 27º Melhor Jogador Europeu do Século XX pela IFFHS: 1999

Eleito o 4º Melhor Jogador Espanhol do Século XX pela IFFHS: 1999

Jogador com o maior número de títulos da Liga dos Campeões da UEFA em toda a história: 6 taças

Maior Artilheiro da História do Torneio Ramón de Carranza: 9 gols

NÚMEROS DE DESTAQUE

761 jogos disputados pelo Real Madrid e 263 gols marcados, sendo 602 oficiais com 182 gols marcados.

43 jogos disputados pela Seleção Espanhola e cinco gols marcados.

Fonte de informações: site Imortais do Futebol