Conheça a jovem “Mari Cardoso”: sua trajetória e anseios para o futuro do futebol feminino

acervo pessoal/ elenco Ferroviária 2015

Na semana da decisão da Copa do Brasil de Futebol Feminino, Audax/ Corinthians x São José, entrevistei a jovem de 19 anos, Mari Cardoso, ex-goleira com passagem no futsal escolar, Ferroviária, Campeã dos Jogos Aberto da Juventude e convocada uma vez pela Seleção Brasileira.

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Em agosto deste ano ela precisou se afastar do campo para cuidar do joelho, mas não desistiu do futebol feminino. Hoje dedica boa parte do seu tempo ao projeto “Bola Brasil Mulher” – portal exclusivo de chuteiras cor de rosa com desejos de tornar-se um dia… uma competição.

reprodução/ facebook
reprodução/ facebook

Como começou sua paixão pelo futebol?

“Desde pequena acompanhava com minha família os jogos. Comecei a brincar em casa com meu pai. Ele jogava um ursinho para eu pegar e eu não podia deixar passar. Assisti as Sereias da Vila jogando quando a Marta ainda estava no Santos. Na escola surgiu a oportunidade de participar do time de futsal. No início eu jogava na defesa, depois vi que o gol me chamava mais atenção”.

Qual a sensação de ser convocada pela Seleção Brasileira?

“Em 2013, logo que comecei a jogar no campo tive uma seletiva para Seleção Brasileira. Fui com minhas habilidades de quadra mesmo. Não cheguei a disputar um jogo oficial pela Seleção, recebi a oportunidade de ser convocada para uma fase de treinamentos. Foi uma sensação incrível! Foi a fase de treinamento mais intensa que já tive na minha vida. Uma boa preparação física e técnica como a da CBF é algo que falta para as categorias de base”.

acervo pessoal/ seletiva CBF 2013
acervo pessoal/ seletiva CBF 2013

Como está sendo essa nova etapa da sua vida? O tumor? A reabilitação? Militar pela ascensão do esporte é o legado que você quer deixar para as próximas gerações?

“Foi difícil quando descobri. Após uma partida em 2015, senti uma dor forte. Não conseguia mais por o pé no chão. O tumor é benigno. Ainda faço tratamento para a lesão na cartilagem. No início eu fiquei muito chateada por não poder mais jogar. O Roberto Nóbrega (presidente da Exporta Brasil TV), me propôs esse projeto. Isso me animou novamente. Me deixou muito feliz”.

Nos Estados Unidos, França, Austrália e em outros países há um incentivo constante para a prática do futebol feminino. No Brasil dispomos de excelentes estádios e infraestrutura para expansão do esporte. O que você acha que falta para atrair público e audiência na tv?

“Acho que primeiramente, falta as próprias instituições ajudarem o esporte a ser melhor desenvolvido. Ainda é muito pouco o incentivo, agora que estão fazendo campeonatos. Você entra nos sites dos times e federações e só se vê o futebol masculino em destaque. E o feminino? Cadê? Recentemente li a informação de que 53% da torcida do Corinthians, nas redes sociais é composta por mulheres. Isso quer dizer que, também somos maiorias e mesmo assim a notícia da Marta na Rio 2016, não teve destaque que merecia: não esqueçam as meninas… elas tem ficado nos bastidores. Faço das palavras da Marta o resumo do futebol feminino no Brasil”.

Copa do Brasil: o que você achou do torneio e espera para a grande final?

“É uma grande vitrine para os times. As equipes de São Paulo tem mais força, mas creio que logo mais teremos mais times com a mesma qualidade técnica. Um estado que me surpreendeu este ano foi Amazônia, a turma de Manaus abraçou o futebol feminino e levou mais de 17 mil pessoas para o estádio. É uma relação muito bonita e se espalhar pelo Brasil todo traria mais prestígio e incentivos para o futebol feminino”.

foto Arthur Marega Filho/ São José Futebol Feminino
foto Arthur Marega Filho/ São José Futebol Feminino

Você acredita que a final da Copa do Brasil contrasta o panorama atual da realidade do esporte no Brasil?

“Sim. O duelo da tradição e o bom investimento. O São José é um time com tradição no futebol feminino e o Audax/ Corinthians do todo poderoso Timão remontou a equipe e veio com força total contratando atletas da Seleção Brasileira”.

A final da Copa do Brasil de Futebol Feminino acontece na quinta-feira, 27, às 19:30 no Estádio do Rochdale, em Osasco – SP.
A entrada é um quilo de alimento não perecível.
Prestigie o futebol feminino.
Compareça!



90% poeira estelar e 10% de X Y. Escritora de literatura fantástica, roteirista e amante de esportes americanos.