Missionário do futebol, ex-lateral diz que saída de Tite o prejudicou no Palmeiras

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Foto: Reprodução/Facebook - Chiquinho

Foi através do futebol que Paulo Francisco da Silva Paz, o Chiquinho, virou um homem de fé. Por meio da devoção e do apego à palavra de Jesus, o lateral-esquerdo conseguiu se livrar de crises de depressão e dar a volta por cima após anos de frustração jogando em clubes das séries C e D com estruturas precárias e salários atrasados. Lesões e faltas de oportunidade, segundo ele, foram decisivas para a sua saída do Inter, clube em que começou a carreira em 2002.

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Na época, Chiquinho despontava como um dos principais nomes oriundos de uma categoria de base que, mais tarde, ofereceria ao futebol brasileiro nomes como Nilmar, Daniel Carvalho e Rafael Sóbis. Uma inflamação na artéria do cérebro, descoberta pelo Inter no final de 2002, fez com que o lateral passasse toda a temporada de 2003 parado. Voltou bem em 2004, quando firmou uma bela parceria com Fernandão em seu primeiro ano de Inter, mas voltou a ser preterido em 2005 e 2006. E cansou.

“A minha passagem pelo Inter eu avalio como boa, mas poderia ter sido melhor. Tive algumas lesões que me atrapalharam, lesões que me deixaram por muito de fora da equipe e inativo. Alguns momentos eu não tive paciência para de repente esperar uma chance, esperar um momento certo para jogar. E em um desses momentos de impaciência eu tomei a decisão de sair do Inter e ir por empréstimo ao Palmeiras”, relembrou Chiquinho, em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

O ano de 2006 entrava em sua metade quando o lateral desembarcou no antigo Palestra Itália. A negociação só foi viabilizada porque Tite, então técnico do Palmeiras, insistiu na contratação e bancou a aposta. Só que o atual técnico da seleção brasileira não contava com o “fogo amigo” dos próprios dirigentes. Em uma derrota para o Santa Cruz no Brasileirão daquele ano, o folclórico diretor Salvador Hugo Palaia, irritado com uma suposta terceirização dos problemas do time à arbitragem, disparou: “O conselho que eu dou para o Tite é ele calar a boca e parar de criticar a arbitragem”. Tite, obviamente, não resistiu e saiu.

“Na época, o Tite tinha pedido minha contratação para o clube e eu fui. O Tite permaneceu cerca de um mês depois da minha chegada e acabou que teve algumas questões que não foram bem explicadas entre ele e a direção e ele acabou saindo. E quando trocou o treinador, o novo profissional (Jair Picerni) não gostou muito do meu perfil e tinha um jogador que ele tinha mais confiança. Depois disso, tive bem poucas oportunidades de jogar no Palmeiras”, lamentou o lateral.

Longe do Palestra, Chiquinho rodou o Brasil e pensou em até largar o futebol com as constantes passagens fracassadas por clubes do porte de Goiás, Fortaleza, Joinville, Brasil de Pelotas e Vitória. No Paulista de Jundiaí, em 2012, ele ganhou de dois companheiros uma bíblia na concentração. A partir daí, conta que aceitou Jesus e passou a jogar por prazer. Participou, inclusive, da Copa do Mundo Cristã, na Índia, em 2014. A fé não o faz guardar mágoas – nem mesmo com a falta de mais oportunidades em clubes como Inter e Palmeiras.

“Tem vezes que fazemos escolhas que não dão certo. Na época, escolhi o Palmeiras primeiro por não estar jogando no Inter e não ter paciência de esperar uma nova chance. E depois porque o Palmeiras é um grande centro, em São Paulo, uma vitrine muito grande também. Infelizmente, não saiu do jeito que eu imaginava”, disse.

Em 2016, Chiquinho disputou o Gauchão pelo Cruzeiro de Porto Alegre, mas se desligou do clube logo após o estadual. Ele conta que ainda aguarda um novo clube para, quem sabe, encerrar a carreira. No meio de tudo isso, concilia os treinos com viagens para outros países para espalhar futebol e fé.

“Tenho alguns projetos em que eu faço viagens para fora do país como voluntário, levando amor e esperança para campos de refugiados, em orfanatos, dando escolinha de futebol para crianças… mas o fator principal é falar do amor de Jesus Cristo. Isso seria chamado de missionário. Eu faço esse trabalho através do futebol, quando não estou jogando. Tenho outros projetos, mas ainda penso em jogar em mais algum clube para encerrar a carreira”, finalizou.

 

 



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.