O abismo financeiro no futebol brasileiro

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Escudo do Santa Cruz ( PE ). Crédito da foto: Reprodução / Twitter / ‏@Darlanamott

Todos nós sabemos que no futebol brasileiro e mundial existem os clubes grandes e os pequenos. No futebol brasileiro existe uma diferença enorme de orçamento entre os clubes e, de certa forma, atrapalha a competitividade e a qualidade técnica das competições nacionais.

No dia 27 de maio de 2016, o jornalista Eduardo Rodrigues, da Folha de São Paulo, escreveu uma matéria sobre o Santa Cruz ( PE ). Na época, o Santa Cruz ( PE ) tinha conquistado o bi campeonato pernambucano, a Copa do Nordeste e era líder do campeonato brasileiro.

A história de superação do Santa Cruz ( PE ) é conhecida pela maioria dos torcedores. O clube pernambucano saiu da série D para a série A com muito esforço e sem virada de mesa. Com uma receita de aproximadamente R$ 15 milhões, o presidente do Santa Cruz ( PE ), Alírio Moraes de Melo, tinha a perspectiva que o orçamento para 2016 fosse de aproximadamente R$ 40 milhões entre ( cotas de TV, bilheteria, programa de sócios e patrocinadores ). Um valor irrisório perto dos grandes clubes do futebol brasileiro. O Corinthians, por exemplo, recebeu só de direitos de TV R$ 141 milhões.

O presidente do Santa Cruz ( PE ), Alírio Moraes de Melo disse o seguinte: “ a liderança atual não nos ilude, pois sabemos das dificuldades naturais do campeonato e temos consciência também das nossas limitações financeiras frente aos grandes clubes do futebol nacional. A questão financeira é ainda o grande adversário a ser vencido ’’.

A Folha de São Paulo fez a relação dos dez clubes que tiveram as maiores receitas de 2015. Os valores são em milhões de reais.

1) Cruzeiro – 363,8

2) Flamengo – 355,6

3) Palmeiras – 351,5

4) São Paulo – 330,9

5) Corinthians – 298,4

6) Internacional – 297,1

7) Atlético ( MG ) – 244,6

8) Grêmio – 190,6

9) Vasco – 189,7

10) Fluminense – 180,3

Hoje, 26 de outubro, o Santa Cruz ( PE ) está convivendo com problemas que podem comprometer o futuro do clube. Apesar de ainda não está rebaixado matematicamente o clube pernambucano dificilmente vai se manter na série A do campeonato brasileiro, jogador pego no exame antidoping, três meses de inadimplência junto ao elenco de jogadores, quatro meses de inadimplência junto aos funcionários do clube e pode ver o Arruda, seu estádio, ir a leilão.

A matéria escrita dia 24 de outubro pelo jornalista Marcelo de Vico, do Uol, apresenta uma reclamação da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol ( FENAPAF ) ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva ( STJD ) reivindicando o pagamento dos salários atrasados.

“A punição prevista é da retirada de três pontos por partida disputada com inadimplência. A reclamação da entidade que representa os atletas de futebol se baseia no “ Fair Play Trabalhista “, implantado pela Confederação Brasileira de Futebol em 2015 “.

Não quero que os clubes com as maiores torcidas e visibilidade tenham orçamentos menores, mas, a grande questão, é diminuir a distância das receitas que existe entre os clubes no futebol brasileiro. Não tenho a menor dúvida que se existisse uma divisão de receitas mais justa as competições seriam mais atrativas e clubes como o Santa Cruz ( PE ) não estariam no FUNDO DO POÇO.