Opinião: Uma criatura chamada Grêmio

Grêmio
Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA/Divulgação

O Grêmio que venceu categoricamente o Cruzeiro é uma criatura híbrida de Roger Machado com Renato Portaluppi e de Luan com Douglas que está pronta para fazer a sua oitava final de Copa do Brasil.

Cabeça de Roger e corpo de Renato

Não precisa explicar, mas é importante deixar claro. Os mais de vinte passes em um minuto até o golaço de Luan é fruto do ventre de Roger Machado. O ex-treinador gremista engenhou esse modelo que ontem mostrou sua perfeição. Entretanto, chegar à isso só foi possível pelas mão de Portaluppi.

Assim, com a motivação e a solidez defensiva trazidas por Renato, o Grêmio encorpou o modelo Roger de se jogar futebol. O gol de Luan não nasce ao acaso. É uma obra de uma equipe que soube primeiro se defender para depois atacar o adversário.

A única ressalva dessa “aula de futebol” praticada pelo tricolor é a facilidade com que o Cruzeiro permitiu tudo isso. Olhando por um outro ângulo, existe uma falha grosseira de Mano Menezes em ter apenas três jogadores na recomposição defensiva, permitindo a troca de passes do meio-campo gremista.

Uma perna de Luan e outra de Douglas

A tal mescla “juventude com experiência” sempre foi e sempre será primordial para o sucesso de uma equipe de futebol. O talento do jovem Luan associado à experiência do grisalho Douglas deu ao Grêmio a vitória ontem e dois terços da passagem para a final da Copa do Brasil.

Com espaço para pensar, Douglas é a perna esquerda “pifadora” da equipe esculpida por Roger-Renato. E com espaço para progredir, Luan é a perna direita da finalização e do desequilíbrio técnico em favor do tricolor.

Ainda temos que incluir nesse “Frankenstein azul, preto e branco” odiado e amado ao longo do ano, a força defensiva da dupla Geromel-Kannemann e a cadência refinada dos volantes Maicon e Walace. Esses quatro componentes são tão vitais quanto um coração e um pulmão para o sucesso tricolor.

Incrivelmente a “criatura Grêmio” agora está sonhando de olhos abertos. O torcedor, aquele que alimenta e dá suporte para ela, está ansioso, inquieto na espera dos retoques finais para a consagração dessa obra híbrida.

Cabe aos dirigentes e a comissão técnica vacinar essa criatura para que nada de ruim aconteça no caminho rumo ao pentacampeonato.

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Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.