Circuito Loterias Caixa tem recordes, atletas estrangeiros e despedida de bicampeã paralímpica

Shirlene largou as pistas, mas deve permanecer no esporte

A 3ª etapa do Circuito Loterias Caixa de halterofilismo, atletismo e natação terminou neste domingo (13). O evento ocorreu no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo. Além de registrar quebras de recordes, o circuito acolheu atletas estrangeiros e marcou a despedida de Shirlene Coelho, bicampeã paralímpica.

Em três dias de provas, 690 atletas estiveram presentes no local. Muitos deles ganharam medalhas na Paralimpíada do Rio-2016.

 

Recordes

Durante as competições, nove marcas foram superadas na natação feminina. A nadadora Mariana Gesteira, de 21 anos, foi a responsável pela quebra de dois recordes brasileiros na classe S10*.

“2016 foi um ano bom. Cheguei às finais de todas as provas que disputei na Paralimpíada. Depois que saí do Rio, não parei de treinar porque queria chegar bem ao Circuito Loterias Caixa. Estava buscando a marca que consegui nos 50 m livre, que foi 28s04. Foi a prova em que mais evoluí. Disputei seis das sete provas possíveis na minha classe. Poderia ser melhor se estivesse mais descansada”, avaliou a nadadora.

Mariana Gesteira também quebrou marcas pessoais
Mariana Gesteira também quebrou marcas pessoais

Atletas estrangeiros

Os peruanos Erick Pastor e Carlos Sangama chegaram ao Brasil em busca de marcas para disputar provas internacionais, já que, segundo eles, no Peru não há competições como o Circuito Loterias Caixa.

“Graças à Fenedadif (Federação Esportiva Nacional de Pessoas com Deficiência Física) pudemos vir ao Brasil para disputar esta competição. Há pouco apoio no Peru. Seria lindo morar no Brasil porque aqui vemos que tem apoio e estrutura. No Peru, as pessoas nos discriminam. Não há muito respeito. Estar no Brasil pela primeira vez foi uma experiência inesquecível. Volto sem medalhas, mas cheio de abraços”, disse Pastor, de 37 anos, competidor na classe T37*, que abrange atletas com paralisia cerebral. Pela classificação, a sua deficiência é leve.

Já o compatriota Carlos Sangama, de 25 anos, conquistou duas medalhas no circuito: bronze, nos 5.000m, e ouro, nos 1.500m. Sangama compete na classe T45* – dos atletas amputados.

“Estou muito contente com as medalhas. Quero voltar para o Brasil em todas as oportunidades em que me convidarem. Gostaria de me mudar do Peru porque lá não há investimento”, afirmou.

O peruano Carlos Sangama subiu duas vezes ao pódio e elogiou a estrutura brasileira
O peruano Carlos Sangama subiu duas vezes ao pódio e elogiou a estrutura brasileira

Despedida de Shirlene

Atleta do lançamento de dardo, Shirlene Coelho alcançou a marca de 31,18m em sua última prova.

Apesar de não ter sido sua maior distância, ela se sentiu orgulhosa dos 10 anos em que passou competindo em alto rendimento. Durante o período, Shirlene acumulou duas medalhas de ouro e duas de prata em Jogos Paralímpicos, e duas medalhas de ouro e duas de bronze em Mundiais.

“Fica a felicidade em saber que em dez anos competindo, eu fiz muito por mim e pelo Brasil. Foram três Jogos Paralímpicos, com duas medalhas de ouro e duas de prata, então fica aquela sensação de dever cumprido. Tenho certeza que vão se lembrar de quem foi Shirlene Coelho e o que eu fiz no esporte. Sei que vou sentir saudade do pessoal todo. Fiz muitas amizades, muitas viagens, e isso tudo vai fazer falta, mas estou bem decidida. Vou agora retomar meu estudo em Educação Física e, quem sabe, voltar como treinadora”, contou.

*A natação paralímpica possui diversas classificações. As classes S1 a S10 são disputadas por atletas com limitações físico-motoras. Quanto maior a deficiência, menor o número da classe. Ou seja, Mariana Gesteira compete entre nadadoras com grau de deficiência leve.

*No atletismo, esportistas com paralisia cerebral são classificados entre as classes T31 a T38. Amputados, entre as classes T41 a T46.  Assim como na natação, quanto maior a deficiência, menor o número da classe. 



Perfil especializado em paradesporto. Ou melhor: DESPORTO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS. Queremos um Mundo Sem Limites!