Opinião: O melhor momento para a CBB baixar a bola e o basquete brasileiro se reformular

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A FIBA (Federação Internacional de Basquete) cansou de esperar por uma reação concreta e decente da CBB (Confederação Brasileira de Basquete) e mandou a entidade brasileira para o chuveiro, sem dó nem piedade.

Nesta segunda-feira (14) a entidade que determina os destinos da bola laranja no mundo resolveu suspender a Federação nacional após ter dado uma série de advertências sobre a conduta da CBB, que nos últimos 19 anos teve dois presidentes, que nada fizeram de bom pelo esporte, ou melhor, ajudaram a manchar a imagem da modalidade que deu ao Brasil três títulos mundiais (dois entre homens e um entre mulheres, além de cinco medalhas olímpicas (três bronzes para homens e uma prata e um bronze para mulheres).

Desde a chegada de Gerasime Nicolas Bozikis (o Grego), o elenco masculino perdeu três Olimpíadas seguidas (Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008), além de ter enfrentado uma série de crises entre jogadores da NBA e entidade, uma vez que os atletas que defendem clubes na liga norte-americana se recusavam a atender convocações não por falta de amor à pátria, mas por problemas políticos. No âmbito domestico, ainda tivemos uma cisão que levou a criação de duas entidade paralelas, a Nossa Liga de Basquetebol e a Associação de Clubes Brasileiros, que tiveram vida curta, mas levaram a criação do NBB (Novo Basquete Brasil). Grego saiu do cargo em 2009 e em seu lugar assumiu Carlos Nunes, que tinha como plataforma melhorar o esporte.

Contudo, a crise piorou. Claro que voltamos a ir à uma Olimpíada, em Londres 2012, só que a vergonha nacional acabou ficando escancarada com a compra da vaga para o mundial masculino, na Espanha e daí para frente vimos uma série de eventos que mancharam a imagem do país junto a FIBA. Calote no valor acertado para o pagamento da vaga no mundial masculino, ausência no sul-americano sub15 feminino, o risco de – mesmo sendo país sede da recente Olimpiada – ter que disputar vaga como um participante qualquer e não entrar direto na briga por medalhas, o cancelamento de competições de base, cancelamento da ida do país ao mundial de 3×3, entre outras situações.

A tentativa da FIBA de mandar um interventor para contornar a situação da CBB, o espanhol Jose Luiz Saes, mostra que o trabalho para reestruturar a entidade será árduo e com isso, não restou alternativas senão suspender a CBB de quaisquer competição. A principio até o dia 28/1, mas do jeito que a coisa vai, o trabalho será grande e desgastante.

Pensando dessa forma, é melhor que a bola do basquete brasileiro fique no chão um pouco, que se lave a roupa suja, ajuste as contas, concentre-se em fortalecer a base e quem sabe um dia volte a ser protagonista. No fundo, por mais que doa, é melhor passar por esse processo de depuração.