Opinião: A nova geração de brasileiros apaixonados pelo futebol europeu

Champions League
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Andando pelas ruas de qualquer cidade brasileira, cruzamos com crianças e adolescentes vestindo a camisa de algum clube de futebol europeu. Famílias inteiras, mulheres, crianças e adolescentes, cada vez se sentem mais atraídos por times do “velho” continente repetindo, de certa forma, o comportamento que ainda existe em vários estados do Norte, Nordeste, Centro Oeste e até do Sul do país, onde até hoje torcedores se envolvem mais com equipes do Sudeste do que com os clubes de sua cidade ou estado.

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As transmissões pela TV, por conta do fuso horário europeu, acontecem durante a semana no horário da tarde, no qual crianças e adolescentes estão disponíveis em casa, nas ruas ou no clube, enquanto isso, os jogos de meio de semana, de maior apelo dos campeonatos no Brasil, são transmitidos às 22 horas terminando próximo à meia noite, o que inviabiliza às crianças de acompanhá-los e de desenvolver o hábito de ver nosso futebol.

No fim de semana, enquanto os jogos europeus continuam sem praticamente nenhuma concorrência no mercado nacional, acontecendo a partir das nove da manhã e seguindo até o fim da tarde, os jogos locais são transmitidos na noite de sábado, quando as crianças estão com suas famílias e os jovens com os amigos, ou no fim da tarde de domingo, único horário em que realmente todos estão disponíveis.

Vemos claramente que o futebol europeu está seduzindo os jovens fans brasileiros da mesma forma que os times do Rio de Janeiro, quando capital do Brasil, seduziam os torcedores de quase todo o país por conta da Rádio Nacional.

Além de gradativamente buscarmos um reencaixe da programação da TV para não continuarmos perdendo a nova geração para os europeus, transmitindo os jogos de quarta às 21h, tendo alguma partida relevante na tarde de quarta e/ou quinta no lugar da Sessão da Tarde, ampliando um pouco mais os horários de sábado e domingo para, literalmente, batermos de frente com as transmissões de fora, precisamos também atrair essas crianças e jovens de volta ao estádio onde, ali sim, somos imbatíveis.

A atmosfera do estádio, a festa nas arquibancadas, as bandeiras, os cânticos, a batucada, a entrada do time em campo, a energia durante a partida, a comemoração dos gols, ou seja, tudo que envolve uma partida de futebol dentro do estádio fazem aquelas duas horas únicas, sedutoras. Ali sim, no estádio eles sentem a presença e a energia do time.

Os adolescentes e crianças assistem e interagem com a festa, com seus times e seus ídolos, se sentindo parte do clube do coração e, somente assim deixarão de lado os times europeus os quais eles só podem, na grandessíssima maioria das vezes, assistir pela TV.

Claro que precisamos melhorar os acessos, facilitar o transporte, cuidar da segurança fora e dentro do estádio para que os pais se sintam seguros em trazer seus filhos para as partidas.

Além de tudo isso, temos que criar pacotes com preços família, com espaço de estacionamento e áreas específicas no estádio, exatamente como faz o Tottenham Hotspur, um dos clubes europeus que visitei em 2013.

Com todos esses cuidados, e a repetição ad nauseum desse padrão, em pouco tempo os pais se sentirão confortáveis e seguros em trazer seus filhos e filhas, e esses se engajariam cada vez mais no espírito de torcedor do seu clube de coração.

É uma guerra de mercado, e precisamos cuidar do nosso.

Me siga no Twitter @FredMourao



Gerente de Marketing e Relacionamento do Flamengo 2013/14/15. Atualmente Coordenador e Professor no MBA em Gestão e Marketing Esportivo Trevisan. Business Management, Marketing Emphasis, Universidade da Califórnia. MBA em Gestão Ibmec. Gestão Futebol CBF. Autor Blog A Bola nem sempre é redonda Fluente em 4 idiomas, bons conhecimentos em outros 2.