Opinião: Entenda porque algum jogador não deu certo no seu time

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Caro leitor, você já ouviu falar de risco moral? Não? Mas eu aposto que você já ficou possesso com aquele jogador que seu time contratou para ser o destaque e não deu em nada, ou com aquele jovem jogador que veio da base com pinta de craque e acabou de assinar uma multa rescisória milionária, mas ao jogar pelos titulares joga, também, as suas expectativas de torcedor lá embaixo por não fazer nada em campo jogo após jogo. Muito bem leitor, supondo que os dois jogadores destes exemplos mudaram suas atitudes após assinarem o grande e benéfico contrato para eles, isto, de maneira simplificada, é o que os economistas chamam de risco moral. Se não está claro ainda, prometo que até o final deste texto irá ficar.

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Em economia, o risco moral é uma assimetria de informação, uma falha do mercado. Este problema pode surgir logo após o fechamento de algum contrato, aqui vamos nos restringir ao contrato de jogadores. Por que ocorre logo o fechamento dos contratos? Porque estes contratos podem fazer com que os incentivos dos jogadores sejam alterados, sendo assim, estes incentivos podem vim a ser maléficos para a outra parte envolvida no contrato, no caso o clube. Ele também pode surgir em qualquer situação em que um indivíduo, vamos chamar este de Atlético Mineiro, exija um certo modo de se comportar de outra pessoa, este chamaremos de André. Se o comportamento pedido pelo Atlético Mineiro cobrar muito esforço de André e se o Atlético Mineiro não pode ficar o tempo todo de olho em André, logo este tem motivo e oportunidade de se safar, ou dá uma fugidinha.

Após este exemplo hipotético, ou não, vamos há um exemplo disto no futebol. Com 17 anos Marcelo Morais dos Reis, mais conhecido como Lulinha, havia arrebentado pela base do Corinthians e pela Seleção Brasileira Sub-17. Logo depois, já jogando pelos profissionais do Corinthians, foi sondado por vários clubes europeus. O Corinthians que não é bobo nem nada, tratou de renovar o contrato com Lulinha, aumentando sua multa rescisória de US$ 5 milhões para US& 50 milhões. Assim, Lulinha, em 2007, era a grande esperança do Corinthians para evitar o rebaixamento. De lá para cá, já sabemos a história. Ou melhor, não sabemos pois Lulinha sumiu. Tudo bem que não foi de uma hora para outra, Lulinha, em 2008, não conseguiu corresponder à torcida com gols, mas com boas atuações era titular na série B, porém acabou perdendo espaço. Em 2009, Lulinha não aproveitou as chances que teve. Após três anos sendo emprestado, o jogador teve seu contrato encerrado com o Corinthians em 2012. Assim, Lulinha se encaixa perfeitamente no caso de risco moral, o comportamento deste jogador gerou malefícios para o seu clube, no exemplo o Corinthians, que tinha acabado de depositar nele grandes esperanças futuras. É claro que não podemos generalizar, é apenas um exemplo. Por fim, hoje Lulinha, que já foi sondado por Chelsea e Barcelona, joga pelo Pohang Steelers da Coreia do Sul, tendo assinado contrato em maio de 2016.

Eu poderia dar mais exemplo de jogadores aqui como a relação Keirrison-Barcelona, Jobson-Botafogo, Jean Chera-E todos os clubes que jogou, mas prefiro mostrar para vocês um exemplo inverso, ou seja, quando é o clube que gera malefícios para o outro agente envolvido no contrato. Isso ocorreu quando Luiz Adriano, no Milan, foi para China no início deste ano, mas desistiu após o Jiangsu Suning não cumprir o acordado¹. Ele não chegou a assinar o contrato, mas havia um acordo de cavalheiros que o clube não cumpriu o que gerou o risco moral. Outra espécie de risco moral ocorre quando nós, torcedores, vamos para o estádio e nos envolvemos em brigas. Quando compramos o ingresso para o jogo, está implícito que estamos indo assistir ao jogo e que qualquer coisa não permitida que fazermos pode prejudicar o nosso clube, ou seja temos uma espécie de acordo com o clube. Um exemplo disso encontramos quando torcedores do Vasco da Gama entraram em confronto com os do Atlético Paranaense, isto levou aos patrocinadores do Vasco a romper o contrato logo após o ocorrido.² Podemos ver neste exemplo, que após os torcedores comprarem o contrato, assinaram um “contrato” com o Vasco. Pelo fato do Vasco não poder controlar as ações destes torcedores, estes tiveram a oportunidade de fazer algo não esperado, brigaram. O que gerou malefícios para o clube, perda de patrocinador. Por fim, assim espero que tenha ficado claro para você o que é risco moral e que tenha gostado de aprender economia com futebol.