Visão da Arquibancada: Interlagos é acessível para cadeirantes. O problema é ingresso para eles

Carlos Lemes Jr/Torcedores.com

Vamos lá: eu como cadeirante gostei da acessibilidade em Interlagos. O setor destinado para nós e nossos acompanhantes está arrumadinho. Feito em uma laje, com os sinais de acessibilidade pintados no chão, guarda – corpo para a proteção das pessoas e um teto(que não protegeu muito, visto a quantidade de chuva que caiu), a milionésima reforma feita no autódromo, acertou no quesito. A visão da pista também é muito boa. Os banheiros adaptados são bem ok, levando-se em conta a idade de Interlagos.

O problema para os deficientes lá, é comprar ingressos. Sobre esse tema, o site oficial do GP Brasil diz:

”  Portadores de necessidades especiais e/ou mobilidade reduzida: cartão do benefício de prestação continuada da Assistência Social ou documento emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS.
Quando a pessoa com deficiência necessitar de acompanhamento, ao seu acompanhante também se aplica o direito ao benefício.”

Leram? A organização pede um documento original com foto para comprovar a deficiência do cidadão. Só que não é qualquer documento com foto que é aceito. Nem o RG. Acontece que, no Brasil, não existe nenhum documento oficial federal provando a deficiência de qualquer um, como existe em outros países. O que eles queriam? Que eu saísse da cadeira de rodas e me estatelasse no chão para provar que eu tenho direito a meia entrada? Faltou bom senso na bilheteria. Mas, só para deixar claro: a culpa também é da nossa legislação, que como disse, não fala em um registro nacional para deficientes. Um espaço a mais no RG indicando o tipo de deficiência da pessoa, já resolveria o caso.

Resumo: eu consegui minha meia entrada, mas meu pai, que também teria direito ao benefício, não. Tudo porque, ele “não conseguiu provar” a minha deficiência.

Não basta ter vontade política para manter o GP Brasil. É preciso olhar o todo.