Primeira brasileira a reportar acidente da Chapecoense relembra tensão e promete tatuagem

Crédito da foto: Reprodução/TV Globo

A repórter Lívia Laranjeira, do SporTV, foi a primeira brasileira a relatar o trágico acidente envolvendo o voo que levava a delegação da Chapecoense para Meddelín (COL), que vitimou 71 pessoas, entre jogadores, comissão técnica, jornalistas e tripulantes. Nesta sexta-feira (23), ela recordou a cobertura no “Redação SporTV”, que demandou dela muito esforço emocional para não deixar o fato a derrubar.

“Estava com o produtor Fabrício Crepaldi e com o repórter cinematográfico Erci Morais e todo mundo se olhou meio incrédulo e imediatamente pegamos o equipamento que tínhamos ali no hotel e entramos no primeiro táxi que apareceu, meio sem discutir, sem conversar. Foi por inércia assim. levantamos, pegamos as coisas e fomos pro táxi já a caminho do aeroporto pra tentar descobrir mais”, relembrou a jornalista, que na sequência se dirigiu ao aeroporto para saber mais detalhes.

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“Falavam em várias vítimas e a gente falava: ‘Bom, se tem várias vítimas, sobreviventes, talvez não tenha sido tão grave assim, talvez tenha sido um pouso forçado’. Aí nem ficamos no aeroporto, porque víamos que a movimentação não ia ser ali e fomos pro hospital e lá a gente acompanhou a chegada do Alan Rushel, depois do Rafael Henzel e depois, já de manhã, do Neto. A gente já percebeu que estava demorando muito para chegar sobreviventes, as equipes já estavam no local do acidente. Quer dizer, se tivesse mais gente já saberia e aí que foi caindo a ficha que era bem grave”, disse.

“Passei a madrugada inteira, a gente não dormiu aquela noite, né, fomos direto pro hospital. Passei a madrugada inteira meio anestesiada, só repetindo as informações e aí meu último trabalho daquele dia foi uma participação ao vivo no ‘Jornal Nacional’. E aí eu saí, naquele momento haviam chegado outras equipes da TV Globo e do SporTV em Medellín, então eles assumiram a segunda parte daquele dia de trabalho e aí quando acabou o ‘Jornal Nacional’ eu voltei pro hotel e aí foi no hotel que desabei assim”, prosseguiu Lívia.

Ela revelou dificuldade na parte profissional em lidar com a tragédia. “Uma parte de mim queria ver o que tava sendo divulgado no Brasil, compartilhado, as imagens que estavam recebendo, mas quando via essas imagens eu ficava muito pior, então tentava me blindar, não ver tanto, mas precisava ver, também. Foi muito difícil querer me informar, e precisava me informar, sem deixar aquilo me afetar tanto. Foi bem, bem complicado. Quando cheguei no hotel, de volta desse longo dia de trabalho, já tinha no elevador do hotel uma foto, uma placa no elevador de homenagem à Chapecoense, uma mensagem de luto. E naquele momento vi que, nossa, realmente eles abraçaram.”

No fim de sua participação no programa matinal do canal esportivo da Globosat, Lívia Laranjeira prometeu fazer uma tatuagem em lembrança à solidariedade dos colombianos a ela e aos brasileiros durante a cobertura da tragédia da Chapecoense. ”Vou fazer uma tatuagem para homenagear essas pessoas”, prometeu. ”Quero fazer de hortênsias. A região do acidente tinha muita plantação (dessa flor) e a minha ideia é fazer uma tatuagem de hortênsias para marcar essa que foi uma experiência transformadora e pessoal. Cresci muito profissionalmente, mas também pessoalmente. Quero voltar a Medellín a passeio. Fiquei muito envolvida, encantada com a cidade e com as pessoas”, encerrou.



Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Foi repórter colaborador e hoje é líder da comunidade de colaboradores juniores, plenos e seniores no site Torcedores.com.