“Pauta babaca”, diz comentarista do SporTV sobre perguntas de times de jornalistas

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Mauricio Noriega é um dos comentaristas mais respeitados do SporTV . Afinal de contas, o jornalismo esportivo para ele vem de berço. Mauricio é filho de Luiz Noriega, narrador ícone da TV Cultura nos anos 60 e 70, que tinha o famoso bordão “Esporte é Cultura”, falecido em 2012. Nesta entrevista exclusiva ao Torcedores.com,  “Nori”, como é carinhosamente chamado pelos amigos, conta um pouco de sua relação com Milton Leite, companheiro de tantas jornadas pelo SporTV, a vida de ex-atleta de vôlei, entre outros assuntos.

Torcedores.com: O quanto seu pai te influenciou na carreira?

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Mauricio Noriega:  Talvez sem saber e, provavelmente, sem querer, meu pai foi influência decisiva em minha formação profissional e como ser humano. Diariamente aplico as lições que o Luiz Noriega me deixou, no Jornalismo e na vida.

T:  Você sempre quis ser jornalista esportivo?

MN: Não. Quis ser jogador de futebol, fui jogador de voleibol e quis ser melhor do que fui, para jogar uma Olimpíada e não consegui. Também quis ser professor de educação física e psicólogo, além de projetista de foguetes.

T:  Esporte é cultura?

MN: Esporte é Cultura e um grande país se forja nos campos esportivos. Os foguetes da TV Cultura nos anos 70 e 80 eram fundamentais*. Não se faz um grande país sem educação e cultura e o esporte está inserido nisso.

*foguete é um termo técnico utilizado na televisão para se referir a inserções comerciais no meio da programação das emissoras 

T: O fato de você ter sido jogador de vôlei, te ajuda como no dia a dia de ser jornalista?

MN: Ajuda bastante. O voleibol é um jogo muito tático e coletivo. Ninguém faz nada sozinho e o atleta precisa saber fazer a leitura do adversário, entender o posicionamento e as estratégias, conhecer as habilidades individuais e o estilo dos companheiros e dos adversários. Jogar e ver muitos jogos de voleibol me ajudou e ajuda muito na leitura dos jogos de futebol. Além disso, não me considero um jornalista de futebol, mas um jornalista de esportes, embora eu infelizmente não esteja cobrindo mais outras modalidades frequentemente.

T: O que você acha desse jornalismo esportivo mais “informal” de hoje em dia, representado por Tiago Leifert e Alê Oliveira?

MN: Não existe isso de jornalismo informal de hoje em dia. Isso não é novidade alguma, sempre houve mais informalidade no jornalismo esportivo em outras épocas, claro que de acordo com as particularidades de seu tempo. O problema é que o brasileiro é imediatista e não tem memória, não pesquisa para saber o que foi feito antes. Ary Barroso era pura informalidade, assim como João Saldanha. Sempre houve programas esportivos apresentados sem leitura de teleprompter e de forma mais leve e divertida. São estilos e épocas e não se deve compará-los. O que importa é o conteúdo e a forma como ele é entregue. As pessoas parecem dar mais valor à forma com que o Tiago Leifert entrega o conteúdo e se esquecem que o que ele tem de melhor é o conteúdo. Ele é um excelente jornalista, muito preparado. Como disse antes, cada um tem seu estilo e cada empresa tem sua linha editorial. Respeito todos.

T: Como é a relação com o Milton Leite?

MN: Relação espetacular. Além de colega de trabalho, transformou-se em um bom amigo.

T:  Jornalista pode assumir para que time torce? Na sua opinião, chega a ser uma “desonestidade” jornalistica a divulgação de listas com os possíveis times de coração desses profissionais?

MN: O que interessa é o comentário e o trabalho da pessoa, não o time para quem ele eventualmente torce. Ninguém pergunta em que banco o comentarista econômico tem conta. Torcer é uma coisa, comentar, reportar, narrar é outra. Desonestidade? Não, é apenas uma pauta babaca, datada e repetitiva.

Luiz Noriega, pai de Mauricio, em narração do Campeonato Paulista de 1973, em um Corinthians e Palmeiras, pela TV Cultura