Opinião: Quando “um rio de lágrimas” não é hipérbole

Reprodução/Facebook Chapecoense

O jogo entre a Chapecoense e o Atlético Nacional foi muito mais do que apenas uma partida.

Não estava no computador. Fui deitar cedo e quando acordei pensei que a hashtag #ForçaChape era apenas o apoio ao clube da Chapecoense, que disputaria a final da Sul Americana. Quando liguei a televisão a primeira reação foi de coçar o olho pra ter certeza de que realmente não estava dormindo. Que a qualquer momento eu levantaria e escreveria sobre a partida de quarta feira. O mundo se solidarizou, a Colômbia deu exemplo e o Brasil ficou de luto. O futebol foi jogado pra escanteio, não importava aquela hora.

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Quando futebol foi pauta, o time deu exemplo de dignidade e rejeitou a proposta da CBF (mesmo merecendo) de não ser rebaixado nos próximos anos até que se reestruturasse. Buscou a renovação obrigatória da equipe com vendas de camisa, doações e patrocínios. Montou uma equipe nos padrões do ano passado, que, com o apoio de sua torcida apaixonada, tem tudo pra fazer uma boa temporada.

Ontem, na Arena Condá, foi mais um dia de homenagem. O clima emotivo da partida ia além de uma simples final da Recopa Sul Americana. Se não fossem parados pelo destino, seria o segundo jogo entre Chapecoense e Atlético Nacional. Um novo elenco, mas o mesmo símbolo, a mesma torcida, o mesmo estádio e a mesma vontade de honrar um manto que entra pra história pelas atitudes corretas e pela facilidade com que consegue encantar até torcedores rivais. A vitória do time da casa por 2-1 deixa em aberto a possibilidade de se conquistar o primeiro título sul americano do ano, no dia 10 de maio. Continuamos na torcida e homenageando aqueles que se foram a cada cobertura jornalística e a cada entrada em campo. Enquanto houver um torcedor com o manto verde haverá reconhecimento.