Dinheiro, a mola mestra

Já faz um bom tempo que temos visto nossos bons jogadores serem comprados por times europeus. Muitos são levados para a Europa bem novos, com menos de 15 anos, antes de se tornarem profissionais, como Lionel Messi, buscado na Argentina pelo Barcelona aos 13 anos de idade.

Nenhum time na América do Sul tem condições de lutar contra essa realidade, pois os clubes europeus têm condições financeiras suficientes não só para atrair os jogadores, mas também para oferecer condições de vida, ao jogador e sua família, melhores que as oferecidas na América do Sul. Isso tem, de certa forma, provocado o enfraquecimento das seleções sul-americanas, pois muitos desses jogadores “importados” acabam se sentindo com mais chances de participar da seleção do país onde joga do que de jogar na seleção de seu país de origem.

Vemos tudo isso continuar a acontecer como se esse fosse o fluxo natural das coisas no esporte, mas esse é apenas o resultado evidente da desigualdade financeira entre Europa e América do Sul. O que nos entristece é ver que é o dinheiro, e não as condições técnicas, que vai determinar quem são os melhores times e seleções nas diversas competições de futebol pelo mundo. Dentro de algum tempo vamos ver a América do Sul apenas como mais um celeiro de jogadores para os times europeus. Só haverá verdadeiro interesse comercial pelos campeonatos disputados na Europa ou disputados por times europeus, já que os times de outros continentes estarão muito abaixo do nível desejado.

Gostaria de encerrar dizendo que podemos ter esperança de que isso mude um dia, mas o que vemos hoje só nos leva a crer que tudo continuará sendo assim mesmo, com o dinheiro sendo o propulsor, a mola mestra dos destinos do futebol. Para podermos nos alegrar com o futebol por aqui, mais tarde talvez possamos apreciar o futebol amador, longe de desvarios financeiros e malabarismos econômicos.