Opinião: Eliminação pode ser boa se o Santos aprender com ela

Dorival Junior
Foto: Ivan Storti/ Santos FC

A eliminação do Paulistão pode ser ‘boa’ se o Santos souber aproveitar a oportunidade para corrigir seus erros e buscar títulos maiores. Afinal de contas, o torcedor santista quer mais, está ‘cansado’ do ano só ter relevância nos cinco primeiros meses.

Algumas coisas que precisam ser melhoradas:

– Santos precisa reaprender a fazer gols. Foram 24 gols em 14 jogos no Paulistão, média de 1,7 por jogo. Até aí tudo bem. Mas se levarmos em contar que 10 gols foram contra São Bernardo (4) e Linense (6), sobram 14 gols em 12 jogos, e a média cai para 1,1. O time fez três jogos convincentes no ponto de vista ofensivo na temporada (Palmeiras, Ponte Preta e Strongest), mas em dois deles pagou o preço de aproveitar pouco as chances que criou.

– Decisões erradas/falta de capricho: Tem a ver com o item anterior. Impressionante como no último trecho do ataque o Santos toma decisões erradas. É chute quando deveria ser passe, é passe pra pessoa errada, é chute ao invés de cabeceio…E quando toma a decisão certa, falta capricho na hora do passe/chute/cabeceio.

– Posicionamento de Lucas Lima: O meia tem atuado praticamente como um ponta, enfiado no ataque. Essa estratégia até poderia ser útil se o jogador fizesse mais tabelas com os pontas e laterais, ou fizesse mais lançamentos em profundidade para os atacantes nas costas dos defensores rivais, mas isso tem acontecido muito pouco

– Bola parada/aérea: O gol de David Braz veio fruto de uma jogada ensaiada de bola parada, mas reparem que isso tem acontecido muito pouco. O Santos 2017 mais leva gols desta forma do que faz. Em um jogo catimbado como o de ontem, isso pode fazer a diferença

– Laterais: Um dos maiores trunfos do Santos de 2015/2016 era a força dos laterias. Victor Ferraz e Zeca muitas vezes apoiavam tão bem que pareciam atacantes. Na maioria dos jogos de 2017, os dois foram muito tímidos, para não dizer nulos, no ataque

– Mudanças do treinador: Uma das maiores qualidades do Dorival em 2015/2016 é que ele tirava mudanças da cartola que faziam o Santos ganhar o jogo. Muitas delas eram imprevisíveis, como trocar zagueiro por atacante. Hoje, as trocas são sempre as mesmas: Victor Bueno por Copete, Bruno Henrique por Vladimir Hernandez.

– Elenco: Também tem a ver com o item anterior. O Santos tem time, mas não tem elenco. Quem joga no lugar do Zeca? E no lugar do Lucas Lima? Faltam alternativas. Isso ficou bem claro com as ausências de Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Renato no início do ano.

Reparem que eu nem falei na defesa. Não passa segurança como deveria, mas está longe de ser o maior dos problemas. Basta ver o número de gols sofridos e comparar com os outros times.

Veja o que os santistas falaram após a eliminação



Jornalista de esportes desde 2005, com passagem pelo UOL e Terra. Editor de comunidades do Torcedores.com e blogueiro do renanprates.com