Fifa reconhece como Copa das Confederações dois torneios que ela não organizou

Divulgação facebook FIFA

A Fifa se envolve em polêmica todas as vezes em que vai a público afirmar que o Mundial de Clubes só é válido a partir do campeonato organizado pela entidade em 2000, no Brasil, vencido pelo Corinthians, e que não são considerados os campeões da antiga Copa Intercontinental, realizada entre 1960 e 2004 entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões da Europa. Mas a Fifa tem uma interpretação diferente para um caso parecido: a Copa das Confederações.

No site oficial do torneio, a Fifa considera duas edições que não organizou da competição. A Copa das Confederações só foi “abraçada” pela entidade em 1997, ano em que o Brasil disputou e venceu pela primeira vez. Mas ela surgiu como Copa Rei Fahd, organizada pela Arábia Saudita, em 1992. Assim como a Copa Intercontinental de Clubes, a primeira edição do torneio entre seleções também não contou com representantes de todos os continentes.

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Foram apenas quatro países que disputaram a Copa Rei Fahd em 1992. Argentina, que acabaria campeã, Estados Unidos, Arábia Saudita, organizadora do torneio, e Costa do Marfim. Todas as seleções eram as então campeãs de suas competições continentais. Sentiu falta de alguém? Sim, a Europa não teve representantes na primeira edição, que é considerada pela Fifa uma Copa das Confederações atualmente. E nem a Oceania, que ainda tinha a Austrália como federação filiada na época.

Em 1995, a Arábia Saudita voltou a organizar o torneio, desta vez com seis representantes. A Oceania seguia sem representação. Entrou o vencedor da Eurocopa de 1992, a Dinamarca, e a Ásia mandou o Japão, seu último campeão continental, como representante. Na primeira edição, os sauditas eram país-sede e campeões asiáticos ao mesmo tempo.

Embora as páginas oficiais dessas duas competições levem os nomes diferentes delas, ambas estão no site da Copa das Confederações e contam como edições desse torneio, que será disputado na Rússia este ano, em junho. Essa diferença de nomes não impede o reconhecimento da competição.

O próprio Mundial de Clubes da Fifa tem nomenclaturas diferentes. As duas primeiras edições oficiais, 2000 e 2005, eram chamadas de “Fifa Club World Championship”, ou Campeonato Mundial de Clubes da Fifa. Desde 2006, são “Fifa Club World Cup”, ou Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Ou seja, detalhes irrelevantes.

Embora o Mundial de Clubes de 2000 tenha sido uma experiência realizada por iniciativa da Fifa, em parceria com a empresa de marketing esportivo ISL, é fato que o torneio só voltou a ser disputado em 2005 sob inspiração da Copa Intercontinental. A edição vencida pelo São Paulo foi claramente uma continuidade da competição organizada pela Toyota até 2004.

O palco seguiu sendo o Japão, o mês escolhido foi dezembro, e o nome oficial completo do torneio era “Fifa Club World Championship Toyota Cup Japan 2005”. Essa “salada” entrega que houve na verdade uma unificação entre as duas competições, tal como a Copa das Confederações fez com a Copa Rei Fahd. E foi tão anormal, que a montadora que detinha o direito de ser patrocinadora mundial da Fifa era a Hyundai, que teve que engolir a Toyota aparecendo em uma competição oficial da entidade.

Apesar de tudo isso, a Fifa não considera a Copa Intercontinental como um Mundial de Clubes. A entidade acredita que o Barcelona é o maior campeão mundial de todos os tempos com seus títulos vencidos em 2009, 2011 e 2015, ignorando todo um passado do futebol internacional. Mas considera a Argentina campeã de uma Copa das Confederações que não teve nenhum país europeu disputando.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.