Opinião: Ganhar ou Vencer

Muito se diz sobre a crise no futebol brasileiro. Que são muitos jogos ao ano, que os clubes atrasam salários, que os erros de arbitragens empobrecem o espetáculo, influenciando o resultado, que até mesmo os regulamentos são mal elaborados, que as brigas entre torcedores mancham um lazer que é parte insubstituível da nossa cultura…

Há pessoas que acompanham tal espetáculo há décadas, não como profissionais, mas sim como amantes, que apesar de assumirem que a escassez de talentos é significativa e falarem de forma saudosista que o futebol de antigamente era melhor, ainda assim não abandonaram por completo esporte. Muita coisa mudou desde a criação do futebol, porém há uma clara diferença entre ganhar e vencer quando comparamos os interesses de jogadores e torcedores.

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Não é necessário fazer comparativos em relação à media salarial da população brasileira e as cifras recebidas por uma minoria de jogadores que conseguem chegar a clubes de expressão. Mas apenas lançar luz sob a sustentabilidade de um espetáculo com estádios cada vez mais esvaziados, onde o conforto do sofá é mais atraente do que passar por todas as dificuldades inerentes a ida ao estádio ou arena abrindo-se assim mão de ter emoções que apenas lá é possível vivenciar.

Futebol é um assunto que pulsa, mexe com as emoções, muda nossa vida de todas as formas. Mas para alguns parece apenas interessar a mudança financeira. Poucas profissões permite que um indivíduo sonhe em alcançar independência financeira abaixo dos 40 anos, isso em momentos em que discutimos reforma da aposentadoria. A independência financeira faz o jogador de futebol sair de um grande clube brasileiro e ir buscar seu sonho em outros lugares, muitos de qualidade duvidosa, por acreditar que os milhões ao ano pagos por aqui não são suficientes para a conquista desta independência. Alguns clubes seguem fazendo esforços tentando retardar a saída de um ou outro jogador, mas estas tentativas acabam por custar caro aos seus cofres, pois ao final a conta não fecha.

Quanto custa a independência financeira? Há clubes que pagam, mas ninguém sabe quanto pode custar e pouco importa se a conta não fechar.