Opinião: Um Fla-Flu nunca será uma simples partida de futebol

Crédito da imagem: NELSON PEREZ/FLUMINENSE F.C.

O Fla-Flu da última rodada da fase de grupos da Taça Rio não foi um grande jogo como a da final da Taça Guanabara.

Quem acompanhou a partida deve ter perdido as contas de inúmeros erros nas saídas de bola – de ambas equipes -, mas este clássico produz emoções desde 1912. Um Fla-Flu jamais ficará entregue ao marasmo, mesmo sendo disputado em meio a uma competição onde o glamour é inexistente em tempos atuais.

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O jogo

No primeiro tempo, o Fla começou melhor. A equipe rubro-negra teve uma maior posse de bola. Já o Flu, escalado pelo Abel Braga, tinha sete jogadores formados pelo clube em campo. Os moleques de Xerém, como sempre, tiveram uma boa atuação, ainda mais se tratando de um jogo contra o Fla praticamente titular. A proposta da equipe tricolor foi de apostar nos contra-ataques. E algumas vezes, Rafael Vaz e Márcio Araújo cometendo alguns vacilos, quase ajudaram o Flu a marcar, fazendo com que o Muralha sujasse um pouco o uniforme.

Somando estes fatores, as grandes oportunidades do primeiro tempo foram, no lado do Fla, um chute de fora da área do meia Diego, forçando ao Cavalieri espalmar para a linha de fundo. E pelo tricolor, após cobrança de escanteio, Muralha saiu mal, e o lateral Léo cabeceou para o gol, o Fla foi salvo pelo peruano Trauco, que tirou em cima da linha.

O segundo tempo definitivamente parecia uma partida amistosa, mas o espírito do Fla-Flu não deixaria isso acontecer. E nos últimos 15 minutos, tudo mudou. Aos 31, Pará foi pressionado por Lucas Fernandes, e recebeu o segundo amarelo, expulsão pro atleta rubro-negro. A partir daí o Flu foi pra cima do Fla.

Aos 37, após cobrança de escanteio, Donatti cortou e a bola sobrou nos pés de Wendel, que largou o canudo em direção ao gol e contou com a ajuda do zagueiro Rafael Vaz, que desviou sutilmente na bola, gol do Flu! Os tricolores estavam felizes, vencendo um elenco como o do fla que é elogiado pela mídia, com um time reserva. Mas, eis que o destino quis trazer a certeza de que o Fla-Flu nunca será uma mera partida. E aos 45, quase no apagar das luzes, Diego cobrou escanteio e Arão subiu livre para marcar e ainda contar com uma infelicidade do goleiro Diego Cavalieri no lance.

No final das contas, os 11 mil torcedores presentes no Kleber Andrade, em Cariacica, pagaram um ingresso caro para ver um Fla-Flu com requintes de um clássico. Nas semis da taça rio, o Fla enfrenta o Vasco. E o Flu, o Botafogo. As equipes não possuem a vantagem do empate na taça rio, mas para a semi do estadual sim, pois são as equipes que obtiveram as duas melhores campanhas na classificação geral.

O Abel foi muito feliz na escalação do Menino Wendel (o melhor em campo pelo Flu), mas insistir com o Osvaldo mexe com os brios da torcida tricolor. Desde que chegou ao Flu, tá difícil relembrar do Osvaldo dos tempos de Ceará. Também podemos avaliar o Marquinho, o meia não consegue desenvolver o bom futebol da sua primeira passagem pela equipe de guerreiros. Temos ainda paciência com o Marquinho até pela história dele no clube. Mas, vale a reflexão, o Marquinho de hoje ainda pode ser o de oito anos atrás?