Opinião: O time do 1×0 que não encanta

Inter x Corinthians
Foto: Daniel Augusto Junior/Agência Corinthians
Foto: Daniel Augusto Junior/Agência Corinthians

O time do 1×0, a quarta força do estado, o time que não encanta um time previsível, reativo, que tem menos posse de bola que o adversário, que não encanta. Esses são alguns dos vários adjetivos que colocaram na equipe do Corinthians desde o inicio da temporada, e que continuou com o passar dos jogos.

Fábio Carille assumiu o comando técnico e sabia que não teria missão fácil. Primeiro, tinha que se achar um time, uma base, um jeito de jogar, que foi perdido desde a saída de Tite em junho. Montou um sistema defensivo sólido, marca registrada do time desde 2009, e que ele fez parte e ajudou a construir nesse período todo.

A chegada de Pablo, que vem se mostrando um excelente zagueiro, que faz o simples, ajudou Balbuena a recuperar seu futebol. Fagner ainda não está no seu melhor, mas parou de errar e ficar exposto como estava. Cássio se cuidou e vem mostrando segurança no gol, após um 2016 muito ruim. E Guilherme Arana é talvez o melhor jogador da temporada até agora, com exibições incríveis.

Gabriel e Maycon dando a sustentação a essa linha defensiva, é a coluna vertebral desse time. Uma estrutura com linhas compactadas, de forte marcação, muita intensidade. É difícil transpor essa barreira. E nisso Carille definiu o que seria o primeiro passo da montagem desse time.

O ataque, ainda não emplacou. Até em jogos que o time criou varias chances, falta fazer mais gols. Mas já vem dando sinais de melhora, com um ou outro jogo com pouca inspiração. Jadson é o encarregado de dar a qualidade refinada na criação, e junto de Rodriguinho, que foi o melhor do time no último Brasileirão, são os responsáveis par dar o último passe, mas também chegar pra finalizar. Romero é um operário, ajuda a marcar, se dedica muito, mas tem suas limitações, mas é exemplo do que o time é hoje: entrega. Jô vem retomando a forma, participando bastante do jogo e saindo da área, sendo a referencia na frente.

É o segundo passo que Carille terá e irá fazer. Depois de ajustar o time na parte defensiva e achar um jeito de jogar, os detalhes vão se incrementando a uma base formada. E pode ser de forma reativa ou jogando mais no contra-ataque, dando a posse de bola ao adversário. Afinal, há varias formas de jogar. E não é tendo a posse de bola e dominado o jogo que é certeza que você vencerá.

Ainda há o que evoluir. O elenco não tem a qualidade de alguns times brasileiros, mas mostra um espírito que havia sido perdido no segundo semestre de 2016. Usando mais a base, testando garotos, como Pedrinho, estão dando uma ótima resposta logo de cara. Claro que precisam evoluir, mas já sabem o que é vestir uma camisa do Corinthians.

O time está na semifinal do Paulistão, enfrentará o São Paulo. Na quarta-feira, começará o mata-mata da Copa do Brasil contra o Internacional. Ainda é cedo pra saber o que esse time pode conquistar, ate onde pode chegar. Talvez nem ganhe título na temporada, não chegue a nenhuma final. Mas tudo tem seu principio. E o começo é você montar um time. E o Corinthians caminha bem para isso.

Dar espetáculo, jogar bonito, será consequência. E pode ate não acontecer. Mas como o corinthiano está acostumado, ele prefere ver um time com vontade, raça, com disposição pra honrarem a camisa. A torcida estava cansada do marasmo, o tanto faz de 2016. Esse time de 2017 mostra o inverso.

Está no caminho, e o futuro dirá onde esse time pode chegar. Mesmo que não encante, seja reativo, tenha menos posse de bola, faça poucos gols…