Oposição, Blum critica gestão de Leco e quer modernização e independência do Conselho do SP

Crédito da Foto: Divulgação/Escritória Ópice Blum

Brigando pela modernização e independência do Conselho Deliberativo do São Paulo, o Dr. José Roberto Ópice Blum, aos 74 anos, decidiu aceitar o pedido de conselheiros do Tricolor e se candidatar à presidência do conselho na chapa liderada por José Eduardo Mesquita Pimenta. Objetivo, sincero e sem papas na língua, o vice presidente do clube entre os anos de 2007 e 2011 explicou em entrevista ao Torcedores.com que seu desejo é recolocar o São Paulo no eixo.

Tem duas razões: a primeira, é tornar o poder do Conselho Deliberativo um poder independente, sem você não estar lá para ser um adjunto da diretoria. Para cumprir ordens. Você não pode deixar que meia dúzia de pessoas determinem uma regra. Ou seja, ter autonomia para decidir. Não pode ser imposto de cima para baixo. Não é fácil fazer isso lá”, disse Blum, que irá disputar o pleito no dia 18 de abril, emendando em seguida o seu segundo plano.

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Segundo ponto, vou modernizar o São Paulo. Eu trabalho na área digital e a primeira coisa que quero fazer é instalar um painel eletrônico. Chega desse negócio de levanta, senta, levanta braço e abaixa braço. Também tem voto no papel. Quero digitalizar tudo”, acrescentou.

Sócio de um dos maiores escritórios do país na área de crimes na internet, José Roberto Ópice Blum lamentou o momento financeiro do clube – que acompanha como sócio há 60 anos. A ideia do candidato da oposição a Leco é limpar a imagem negativa deixada por Ataíde Gil Guerreiro e Carlos Miguel Aidar e ter leis rigorosas.

Isso é uma mancha no nome do São Paulo. É uma vergonha. Nós precisamos restabelecer a credibilidade. A punição que ambos sofreram com a exclusão do Conselho Deliberativo é grave. Eles foram expulsos baseados no meu relatório que foi aprovado em maioria esmagadora do conselho. Tem que servir de exemplo. Ou seja, no São Paulo, errou? Puni. Pelo menos, comigo”, declarou.

Veja na íntegra a entrevista exclusiva de Blum ao Torcedores.com:

Torcedores.com: Por que ser presidente do Conselho Deliberativo São Paulo?
José Roberto Ópice Blum: Não é que eu me decidi (me candidatar), foi, praticamente, uma imposição de um grupo de conselheiros. Dessa vez não pude dizer não. Eu prefiro atuar nos bastidores, como sempre fiz. Já fui vice-presidente do São Paulo, já fui diretor jurídico, já exerci a presidência interinamente por um breve período. Enfim, já fiz de tudo um pouco no São Paulo. Foi um número maciço e expressivo de conselheiros. Mais de 110 foram me pedir para ser candidato. Você não pode decepcionar os amigos e. É o meu amor pelo São Paulo.

T: Qual o balanço do atual presidente do Conselho Deliberativo e candidato a reeleição, Marcelo Abranches Pupo Barboza?
JR: É um bom menino, mas tem muito que aprender. Não tem independência com relação ao poder executivo. Ele abaixa a cabeça, não pode. Veja só, ele criou uma data no dia 28 de dezembro para fazer eleição de conselheiros vitalícios ao arrepio do estatuto que entrava em vigor 48 horas depois. Por que? Alguém mandou ele fazer e fez. Onde está a independência? Não é assim.

Fora isso, sempre gostei dele. Me deu boas oportunidades, inclusive, para presidir a comissão de ética, na qual eu botei aqueles malandros do Ataíde e Carlos Miguel pra fora do São Paulo.

T: Quais serão os seus primeiros passos caso seja eleito no São Paulo? Será a modernização?
JR: Não tenha dúvida, a modernização no sentido que quero fazer não é do dia pra noite. Você tem instalações, montagem, testes, você tem que fazer readaptações de estrutura, e até de sentar nas poltronas, para fazer, por exemplo, uma eleição. São essas modernizações que precisam ser feitas, demandam um tempo, mas se for eleito, vou fazer.

A parte mais importante, e fundamental, é tornar o poder do Conselho Deliberativo independente. Significa dizer que o debate é livre e democrático. Nada será impositivo porque interessa A, B ou C. O que interessa é o conselho e não a diretoria executiva. Pode coincidir com a vontade do executivo? Pode. E se não coincidir não vai fazer também.

T: Na divulgação do balanço do ano passado do clube, o passivo, que em 2015 era de R$ 415 milhões, alcançou R$ 493,9 milhões no fechamento. A que você atribui o aumento da dívida do passivo são-paulino?
JR: Matemática é uma coisa que você não discute. Número é número. Eu já disse e repito: o São Paulo não diminuiu a dúvida. Ao contrário: aumentou em 19%. Você põe 19% sobre R$ 200 milhões. Esse é o aumento dá dívida. O que o São Paulo fez? Alongou o perfil da dívida. Ou seja, ao invés de pagar no dia 20 de abril, vai pagar no dia 20 de abril do ano que vem. Não pagou, só mudou a paga de pagamento e acrescentou despesa de juros, correção monetária, taxas, IOF, etc. É isso que fizeram.

T: Qual a sua avaliação da gestão Leco? Quais coisas que não te agradam/agradaram?

Sao Paulo
Crédito da foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

JR: Não é ruim, é péssima. Política não se faz como está sendo feita no São Paulo. Ataques pessoais é uma baixaria. Esse não é o São Paulo que eu conheço. Por isso que eu acabei aceitando também. É preciso voltar às origens. É preciso ter o DNA do São Paulo. O pessoal acha que ar-condicionado, poltrona, mordomia, etc, representa muita coisa. O São Paulo nunca foi assim, a gente ia fazer reunião e sentava no banquinho, quando sentava. Os são-paulinos que nos antecederam é que construíram isso. É esse o problema. Precisa olhar para traz e ver de onde veio. Não é achar que é o maior do mundo. Não existe isso em profissão nenhuma. Tem que ser humilde.

Eu só gostaria de saber qual título que ele ganhou nesses anos todos que está no São Paulo? Nenhum. Florida Cup? Qual foi a vitória na Flórida? Eu tenho escritório na Flórida, morei em Orlando. Aqui lá é um catado. Um caça-níquel. Brincadeira.

T: Como ajudar a mudar o cenário econômico vivido pelo São Paulo?
JR: Isso é a coisa mais simples do mundo. Quando você gasta dez e recebe cinco. O que se faz? Não gasta além do que ganha. O que precisa fazer? É contar na carne e mostrar para o torcedor que o clube está devendo. Você não pode contratar jogador de 12 milhões de euros (zagueiro Maicon, em 2016). Ele pode ser o Pelé. Não tem como contratar. Você não pode vender um jogador da base por R$ 40 milhões e comprar um de 30 anos por R$ 40 milhões. Não tem lógica. Então, você tem que poder ordem na casa.

O ocorre aí é que quando se deve, primeiro você paga e depois gasta. Quando construiu o Morumbi, ficou anos sem ganhar títulos. Mais ou menos como agora, mas sem meses se iguala ao período que construímos o estádio sem ganhar nada. Essas são as administrações que passaram, o Leco está em todas.

Para você resolver um problema financeiro, tem que fazer economia. Tem que parar de fazer despesas desnecessárias. O que é importante no São Paulo? É o futebol. É isso que traz alegria para todo mundo, motiva as conversas de finais, meio de semana e da segunda-feira. Então, tem que dar prioridade ao São Paulo. Agora, prioridade ao futebol implica que você devendo e faça mais dívidas. Tem que vir à público e dizer ao torcedor o que aconteceu, não dá para fazer uma seleção brasileiro, salvo se aparecer alguém com dinheiro e investir.

T: Você acredita que o São Paulo ainda sobrevivendo da venda de jogadores. É falta de planejamento?

Crédito da imagem: Divulgação / Site oficial Ajax

JR: É óbvio. Se você não corta na carne e fica rezando para ter jogador para vender, você está comprando o almoço para não fazer o jantar. Isso é planejamento? Quando você tem uma situação financeira periclitante, não pode fazer ampliação (dessa dívida), tem que diminuir. Aí pode dizer: “ah, o futebol precisa de jogadores”. Precisa, pega a base e põe para jogar. Não é pra isso que serve? Prestigia a base. Eles não estão lá comendo, bebendo, dormindo e estudando pra que? Põe a base para jogar. Eles não estão vendendo a molecada? Vai valorizar mais.

O David Neves, que foi por R$ 40 milhões, se é que é verdade, se tivesse sido prestigiado no time titular, teria sido vendido por R$ 100 mihões até o fim do ano. Deixou-se de ganhar 60 milhões. “Ah, mas ele pode quebrar a perna e não valer nada”. Isso faz parte do risco do negócio.

T: Você acredita que a contratação de Rogério Ceni foi um ato político? E qual a sua avaliação do trabalho do treinador?

Crédito da foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

JR: Na época de política, as explorações são de todos os lados. Pessoalmente, do meu ponto de vista, porque o conheço e me dou muito bem, ele vai ser um grande treinador. Não tenho dúvida, mas vai ter que aprender a ser treinador. Ele vai acertar, errar. Precisa ter paciência. Eu, se fosse presidente do clube, manteria no Rogério Ceni a qualquer custo. Ganhando, perdendo, sendo vaiado, aplaudido, ele vai ser um grande treinador. Ele é inteligente. Ele enxerga o futebol. Ele é genioso? É, mas quem, não é? O que importa é que é inteligente e entende de futebol. Os erros têm que ser relevados e apontados para não se repetir. Tem que dar chance para que ele seja efetivamente um grande treinador. Sou fã incondicional e acho que a maioria dos torcedores do São Paulo também. Eu acho, que para quem nunca foi um bom treinador, tá indo. Tá errando, mas está indo. Tô apoiando.



Jornalista com passagens pelo Portal R7, Jornal do Trem, Impacto Comunicação, Dialoog Comunicação e Comunicale.