America-RJ dá passo para construção da “melhor e mais moderna” sede do Brasil

Diretoria do América faz lançamento da pedra fundamental para a construção de novo sede. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

18 de setembro de 2017. Na data em que o clube celebra seus 113 anos de história e às vésperas do jogo que pode decretar seu retorno à elite do futebol carioca, a diretoria do America-RJ presenteou sua torcida com o lançamento da pedra fundamental para a construção de sua nova sede social.

Cerca de 300 torcedores, sócios, dirigentes e conselheiros americanos compareceram ao evento de solenidade que marca o pontapé inicial das obras da nova casa do tradicional clube da zona norte. Prevista para ser inaugurada no primeiro semestre de 2020, a nova estrutura, já apelidada por seus dirigentes como a “melhor e mais moderna” do país, será erguida na Rua Campos Salles, número 118, mesmo endereço que abriga a sede do clube há 104 anos, desde 1913.

Aos 92 anos, Tia Ruth, torcedora-símbolo do América, celebra etapa fundamental da história clube. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

Já aprovado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e sancionado pelo prefeito Marcelo Crivela, o projeto da nova sede do America é visto por Léo Almada, presidente do clube, como um dos principais legados de sua gestão, que se encerra em outubro. Segundo o dirigente, tudo isso só foi possível e saiu do papel graças a dedicação e empenho da diretoria e, em especial do vice-presidente, Sidney Santana, que liderou e conduziu todas as etapas do projeto durante quase dez meses, tempo em que ficou afastado por problemas de saúde.

Pichações tomam conta da fachada da sede do clube, interditada pelo Corpo de Bombeiros desde 2014. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

“Fiquei afastado desde janeiro, e ele assumiu a presidência do clube. Ele foi como o presidente do grupo de trabalho para a construção da nova sede. Militou 24 horas por dia na Câmara dos Vereadores para fazer com que o nosso projeto fosse aprovado”, comentou o presidente. “Foi uma longa trajetória que ele saiu vencedor”, completou.

E esse percurso vitorioso começou como sonho em 2014, ano que marcou o início da gestão de Almada. “Quando assumimos o clube, a sede social estava completamente destroçada, destruída. Haviam riscos aos próprios frequentadores associados”, relembra Santana. Fachadas pichadas, paredes descascadas, piscinas vazias e estruturas de ferro abandonadas são exemplos de retratos que podem ser feitos da atual sede do America, interditada desde 2014 pelo Corpo de Bombeiros. E foi a partir deste cenário de abandono e degradação que a diretoria americana começou a se mobilizar para reestruturar as instalações do clube.

Gramado da sede do clube está abandonado e é ocupada por ferragens. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

Muito além do esporte: nova sede do America deve movimentar economia carioca com cerca de 3,5 mil empregos

A reconstrução da sede está prevista para ser feita, até 2020, em duas etapas. A primeira deve acontecer dentro dos próximos seis meses, com a demolição completa da atual estrutura. A segunda, deve ser concluída em até dois anos após a derrubada do prédio. No lugar das ruínas da antiga sede, um shopping center de oito andares, com mais de 10 mil metros quadrados, ganhará vida no coração da Tijuca. Além de toda estrutura de treinamento esportivo para atletas e associados, o novo complexo contará com mais de 150 lojas, restaurantes, cinemas e outras opções de lazer (clique aqui e veja o projeto detalhado na íntegra). Santana estima ainda que a implantação do novo espaço gere empregos e alavanque o mercado imobiliário da região. “É um projeto muito bonito que vai valorizar todo o entorno da Tijuca. Essa sede gerará de 3.000 a 3.500 empregos diretos e indiretos”, afirma.

Boa parte das instalações do América ficarão na cobertura do shopping. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

E os benefícios vão além de estimular o desenvolvimento da economia carioca. A expectativa da diretoria americana é que o projeto de reconstrução da sede do América recoloque o clube no rumo das glórias do passado, como mais uma força do futebol carioca. Para tanto, Santana traça como prioridade zerar as dívidas – estimadas em 60 milhões de reais – e aumentar as receitas do clube. “O empreendimento tem como escopo zerar o passivo e trazer recursos para o America”, afirma. “Quem sabe também conseguiremos montar um time na altura das tradições”, complementa o dirigente, que entrará como candidato a presidente do clube nas próximas eleições.

Santana faz questão de frisar que um dos compromissos firmados pela diretoria do clube durante a negociação é de que o America “não venderá nenhum milímetro do patrimônio do clube” para os investidores – que não foram revelados – envolvidos no acordo.

Ídolos do clube, Luizinho Lemos e Jorginho vêem planejamento como etapa fundamental da reconstrução para guinada rumo às conquistas

Quem também enxerga toda essa reformulação do clube com bons olhos são os ídolos do clube, como o atacante Luizinho Lemos e o lateral Jorginho. Os dois ex-atletas compareceram ao evento de lançamento da pedra fundamental e foram reverenciados pelos apaixonados e saudosistas torcedores, que recordaram alguns dos bons momentos deles com a camisa vermelha.

Luizinho Lemos fez parte da equipe do América que conquistou a Taça dos Campeões, em 1982. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

Aos 64 anos, Luizinho, maior artilheiro da história do America, com 311 gols, não hesita ao dizer que investir na base é a receita para o America reencontrar o caminho das conquistas do passado. “O América sempre foi um time que sempre teve uma base muito boa. Tivemos Donato, Moreno, Jorginho, César, Denílson, Renato, muitos jogadores. Todo ano, o America fazia time. E, de repente, a base do America acabou. Se você não tem base, não tem como se reestruturar. Acabou chegando numa situação dessas. Pelo o que tenho conversado com a diretoria, eles vão voltar a trabalhar a base. Com a nova sede, novo pensamento, nova mentalidade, o América pode chegar ao lugar que sempre foi e de onde nunca deveria ter saído”, afirma o ex-atacante, que já teve quatro passagens como jogador e duas como treinador.

Ídolo do clube, Jorginho posa ao lado de Nilson Zarani, ex-atleta de futsal do América. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

Cria do America e ex-jogador da Seleção Brasileira, Jorginho é mais um ídolo do clube a endossar o discurso de que o planejamento deve ser priorizado neste momento de reconstrução do seu patrimônio. “Fico muito feliz por participar desse momento. Eu acho [que a nova sede é] fundamental para que o America se organize e tenha uma estrutura melhor.  Com uma sede mais bem estruturada, com uma receita, o clube vai poder pagar a quem deve e, além disso, organizar o futebol profissional. Tenho certeza que, com organização, o America vai ter um futuro diferente da realidade que a gente está vendo no momento”, afirma o ex-lateral, que teve boa passagem pelo clube como técnico, em 2006.

Frequentador assíduo das instalações do clube, torcedor de 84 anos projeta futuro próspero com nova sede

Wilson Machado dos Santos exibe sua carteira de sócio do clube, feita em 1986. Crédito: Guilherme Barbosa/Torcedores.com

As boas recordações dos tempos em que a sede do Mecão era considerada uma das grandes estruturas do país, em meados do século passado, não saem da memória de Wilson Machado dos Santos. Torcedor do America desde criança e há mais de 31 anos como sócio-torcedor, Santos é devoto do time tijucano. Há mais de três décadas, o americano de 84 anos participa ativamente na gestão do clube e, com frequência, comparece aos jogos do Sangue. “Seu Wilson” enche o peito para falar sobre o novo empreendimento. Em sua visão, é, sem dúvida, um dos motivos de grande orgulho da história recente do clube. “A nova sede vai melhorar sensivelmente a realidade do America. A tendência é que mais sócios e patrocínios apareçam. É um efeito cascata”, fala Santos.

Não bastasse a euforia do evento de lançamento da pedra fundamental, Santos conteve ainda a ansiedade para o jogo desta terça-feira (19), contra o Audax, no Estádio Moça Bonita. “Meu coração fica acelerado só de pensar”, diz o fanático americano. “Se Deus quiser, vai dar tudo certo e vamos voltar à Série A”, completa. Para conseguir o acesso à elite do futebol carioca em 2018, o Mecão precisa necessariamente de uma derrotar o time da Baixada Fluminense, já que seu adversário conta com a vantagem do empate. O vencedor do duelo disputa o título da Série B1 do Campeonato Carioca 2017 contra o Goytacaz, que eliminou o rival Americano com gol aos 44 minutos do segundo tempo.