Escravos de Jó

Antigamente, jogadores e clubes de futebol se confundiam. Teste rápido. Diga o nome do clube: Pelé, Zito, Pepe? Djalma Santos, Ademir da Guia? Tostão, Dirceu Lopes? Nilton Santos, Garrincha (não vale considerar o patético final de carreira)? Então… tempos mais românticos? Lei do passe?

Hoje, o profissionalismo manda. Negocia-se o direito sobre as carreiras de meninos de 12 ou 15 anos. Pais e agentes mais espertos podem fazer o moleque decolar. Outros, ambiciosos e menos competentes, jogam a promessa no ostracismo. O “novo Neymar” Jean Chera, saiu do Santos pela porta dos fundos, foi para a Itália, voltou com o rabo entre as pernas, rodou por clubes de menor expressão e, atualmente, está na vala comum no Oeste de Itápolis. Quem se lembra dele? E tem só 18 anos.

Chega a ser meio ridículo quando, no evento montado para apresentar o novo craque do time, o sujeito veste a camisa por cima da roupa, a cobre de beijos, declara amor eterno e jura que defender o clube sempre foi seu sonho secreto. Seis meses depois, vai fazer a mesma coisa em outra freguesia. Com a maior cara de pau.

Nada contra, é um profissional atuando por uma empresa (coisa que os clubes brasileiros ainda estão muito longe de ser), foi contratado e, enquanto estiver lá, tem obrigação de dar o melhor de si.

Isso tudo para comentar  a controvérsia gerada pela declaração do Pato no twitter comemorando a vitória do São Paulo contra o Corinthians.

Conclui-se que o Jadson, que foi para o Corinthians “definitivamente”, poderia comemorar, afinal, tecnicamente, o vínculo com a São Paulo acabou, OK? Isso ninguém deveria discutir.

Já o Alexandre Pato está defendendo o São Paulo, espera-se que faça gols, que os comemore e contribua para o bom desempenho do time. Tecnicamente, permanece com contrato vigente com o Corinthians. Isso é um impasse? Não deveria ser.

Ah… mas ele acabou de sair do Corinthians, ainda nem estreou pelo São Paulo, moralmente é discutível… (se é que ele teoricamente deve algo ao Corinthians, é pelo excelente contrato que conseguiu, pelo monte de dinheiro que põe no bolso, pelo valor da exposição na mídia que ele conseguiu com a transação).

Fica uma pergunta: quanto tempo o jogador precisa para poder comemorar as vitórias das novas cores de sua camisa sem ser patrulhado?



Fã de esportes, radicalmente contra radicalismos.