O futebol além das 4 linhas: Porque os clubes europeus continuam em alta em meio à crise mundial?

O futebol sem duvida é um dos esportes mais populares e democráticos do mundo. Praticado em inúmeros países, desperta além da paixão, interesse em função de sua forma de disputa atraente. O futebol no velho continente sempre foi destaque, não apenas pelas estrelas que atuam por lá, mas pela estrutura e organização em todos os sentidos.

Há algum tempo os clubes mais inteligentes perceberam que o “jogo” vai muito além das quatro linhas fazendo com que os mesmos amadurecem no que diz respeito a sua estrutura organizacional e começassem a pensar em se desenvolver como uma empresa.

Para as empresas convencionais, o maior desafio é converter clientes em fãs e defensores de sua marca. Essa relação de confiança leva tempo e se constrói com muito trabalho, conhecendo e entendendo o cliente. Ou seja, compreendendo-o seus gostos e se colocando no lugar dele para identificar suas necessidades.

No entanto, os clubes de futebol levam vantagem nesse quesito, pois seus torcedores já nascem fiéis à marca e logo, o maior desafio para um clube se torna em potencializar a fidelização de seus torcedores por um longo prazo, além de é claro continuar crescendo e colhendo frutos para conseguir atrair cada vez mais torcedores.

Há alguns anos atrás, um relatório de uma consultoria inglesa, a BDRC Continental Sports and Sponsorship, revelou que os clubes da Premier League perdiam milhões e milhões de libras em receita devido aos clubes falharem nas alternativas de maximizar a fidelização de seus torcedores.

Resultado, lugares vazios nos estádios e perda de oportunidade de cross-selling em tudo que está relacionado ao dia do jogo, ou, como os ingleses gostam de dizer, o match-day.

Foi pensando nisso que os clubes começaram a analisar que poderiam transformar oportunidades perdidas em valiosas rendas e foi ai que o mundo dos negócios tomou conta do futebol.

Os grandes clubes abriram as portas para as empresas especializadas em diversas soluções de mercado com foco no relacionamento com o cliente, como o CRM. Investiram e a curto prazo recuperaram seus investimentos e consequentemente aumentaram suas receitas.

Há mais de uma decada atrás quando tudo começou, muito clubes tinham dúvidas e se mantiveram resistentes em abraçar as características e as idéias de outros setores de serviços com foco no cliente. Resultado: analisaram que a estratégia era correta, começaram tarde, perderam tempo e consequentemente dinheiro.

Para se ter uma noção do quão importante atualmente para os clubes é esta tarefa, de acordo com o jornal britanico The Guardian, o Manchester City tem atualmente 11 profissionais que analisam dados visando obter informações que possam ser relevantes para o processo de melhoria contínua da relação do clube com o seu torcedor.

Ou seja, os clubes reconheceram a importância de construir uma base de dados de seus torcedores além de desenvolver uma forte posição comercial para entender o perfil do seu cliente, o torcedor e construir novas vendas.

O CRM de certa forma, contribuiu para que os clubes da europa, atigissem uma estrutura de receita bastante equilibrada, com ações direcionadas que ajudaram os clubes a obter rentabilidade em Matchday e Marketing, gerando um crescimento no valor arrecadado, de acordo com o estudo anual sobre o futebol da consultoria internacional Deloitte – o Football Money League, superior a 42% de participação das receitas de marketing e 22% em Matchday sobre o total de receitas da temporada 20122013. Isso representa um valor superior ao que os clubes europeus arrecadaram com TV, uma realidade bem diferente dos grandes clubes brasileiros, que atualmente, segundo o estudo da Pluri Consultoria – Ressonância Financeira dos Clubes Brasileiros, dependem justamente dos direitos da TV para bancar em média quase 40% de seu faturamento.

É por esse motivo que hoje, mesmo sob o efeito da crise financeira mundial que atinge principalmente boa parte da europa, os clubes de lá se mantem vivos, obtendo lucro e realizando contratações caríssimas envolvendo atletas.

Os grandes clubes brasileiros estão começando a entender esse jogo que deu muito certo no velho continente, logo, virou modelo e se expandiu para organizações ligadas ao esporte em todo mundo.

O futebol para o torcedor é muito além de vender camisas e ingressos, é preciso que os clubes entendam isso, saibam quem são e o que querem seus torcedores. Só assim farão a diferença para eles, fazendo com que ir ao estádio ou participar da vida do clube seja sempre uma grande e eterna experiência.