Sinal no Brasil está ainda mais amarelo

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Quando o sorteio colocou o grupo do Brasil em confronto com o grupo de Espanha, Holanda e Chile, logo se viu a dificuldade que seria uma provável oitavas de final. Qualquer um desses três seria uma pedreira logo de cara. Alguns, inclusive, afirmaram que o Chile e seu futebol ofensivo, de marcação alta e ataque rápido seria o adversário mais difícil. Um dos que cravaram tal afirmação foi Felipão.

Pois bem. Uma semana depois do Mundial ter começado, a Espanha, o time a ser batido, já está de malas prontas para voltar para casa. E o Chile, que se embolaria para ganhar uma das vagas, já está classificado, contando com a ajuda da Holanda, que também foi além das expectativas e carimbou a vaga logo de cara. Não teve disputa num grupo que prometia ser dos mais disputados.

No meu último post, indiquei que o sinal está amarelo na seleção brasileira. E agora, ganhou um tom de amarelo bem chamativo. Muito amarelo. Chile e Holanda apresentaram futebol ofensivo, com qualidade e criatividade na ações de ataque. Principalmente a seleção do país de Salvador Allende, que marca bem atrás e muda a forma de jogar durante o jogo, mantendo a maneira consistente de como se defende e como ataca,além de um grande goleiro. A Holanda mostrou alguns defeitos na defesa mas com umRobben inspirado e um Van Persie afiado, se Sneijder entrar no ritmo vai ser ainda mais difícil de ser derrotada.

Não dá pra cravar que o Chile é um adversário mais difícil que a Holanda. Mas Sampaoli sabe imprimir um ritmo forte de marcação, com ataques rápidos e objetivos. Com bom material humano em todos os setores, o Chile já é a sensação da Copa. E pelo boom de treinadores sulamericanos na Europa e com o estilo quase à la El Loco Bielsa, o argentino treinador da seleção roja provavelmente terá uma proposta de algum clube do velho continente.

Jorge Sampaoli, sonho e pesadelo de clubes brasileiros.

Já o Brasil precisa não só vencer e sim, convencer contra Camarões, que ontem mostrou toda sua fragilidade diante da competitiva seleção croata (que sobe de patamar com Mandzukic). Holanda e Chile certamente farão um grande jogo pra decidir quem foge da seleção da casa. E o Brasil, não terá para onde fugir.

ESPANHA VAI TER QUE RECOMEÇAR

Apática, sem criatividade e sem repetir o chato mas eficiente tic tac, a Espanha volta pra casa protagonizando o maior vexame da história das Copas. Atual campeã mundial eliminada com seis dias de competição, dois jogos, sendo a estreia uma goleada, não me parece ter precedentes. E, o que deu errado ?

Na minha visão, a grande chave da derrocada da Espanha foi o fato de que as equipes adversárias fazem hoje o que a Espanha ensinou, ou recomeçou, a fazer quando implementou seu estilo de jogo: marcam lá em cima, forçam o erro do adversário, sufocando e roubando bolas. Foi assim que a Holanda, Chile e Brasil, nas Confederações, massacraram a Fúria. Ou seja, não mais esperá-la e vê-la trocando passes e sim, atacá-la também.

Pesou também o fato de Casillas estar em péssima forma e a defesa totalmente perdida, principalmente por terem agora, laterais que tem seu forte na ofensividade. Outro fator determinante é que Diego Costa, por ser um 9 de ofício, não participa do jogo de maneira a dar opções para a infinita troca de passes. Mais aguda e apressada em fazer a bola chegar no finalizador, a Espanha errou muito mais. Ou seja, mudou sua forma de jogar para encaixar o atacante brasileiro, que passa até aqui em branco.

Deve ser o fim da era de Xavi, Puyol, Casillas, Villa, talvez Xabi Alonso. A começar por Del Bosque, que já avisou que irá se aposentar. Mas que ainda tem Silva, Navas, Fábregas, Koke, Isco. A Espanha tem material humano pra recomeçar e vai ter que reaprender a jogar o futebol, seja com um novo tiki taka, seja com outro estilo.

Por Caio Bellandi, originalmente no blog http://www.lanceactivo.com.br/resenhadosfocas



Carioca, bacharel em Direito e bacharelando em Jornalismo pela FACHA. Não escolheu o jornalismo mas foi escolhido por ele. Sonho profissional: casar com a editoria de esporte e ser amante das páginas de política. Resumidamente, um cronista do cotidiano, comentarista do dia-a-dia e palpiteiro da rotina.