Opinião: Obrigado, mágico Ronaldinho!

A história do Galo se divide em antes e depois de Ronaldinho. E a história do Ronaldinho Gaúcho se divide em antes e depois do Galo.

O Mágico da Bola havia perdido a magia. Seus truques no Milan não encantavam mais e, na bagunça do Flamengo, viu a cortina baixar sob uma enxurrada de críticas capitaneadas pela imprensa do eixo.

Mas não estamos falando de Imperador ou de pedaladas. Estamos falando do Mágico da Bola e, como todo mágico, tirou um coelho da cartola no momento em que ninguém mais acreditava. Um coelho, não. Um Galo. Um Galo forte, mas carente de ídolos. Um Galo maltratado pelos anos, mas com muito a oferecer a um ídolo mundial. E Ronaldinho, diferente do que todos pintam, se encharcou de humildade e de cara entendeu o que é fazer parte do Clube Atlético Mineiro.

Entendeu que o Galo não é Flamengo e nem Grêmio. Encontrou no Galo o que precisava para continuar: apoio e fé. Enquanto parte da torcida gremista desejava – vejam bem – a morte da Dona Miguelina, mãe do Mágico, que sofreu um câncer, a torcida do Galo cantou o nome dela e, com a ajuda de faixas, emanou energia positiva para a cura. E ela veio. A cura, e a Dona Miguelina.

O Galo voltou a ser grande. Ronaldinho voltou a ser grande. Um vice brasileiro em que o Fluminense levou no apito, uma Libertadores. Um Ronaldinho chorando e dizendo que vai com o Galo até o fim. Um Ronaldinho batendo no peito com raiva e gritando ‘Aqui é Galo!’.

Não haveria roteiro melhor pra uma torcida tão sofrida que encontrou no sorriso mais marcante do futebol, motivos pra voltar a sorrir. E se um craque sabe o que fazer nas horas mais difíceis, Ronaldinho provou que foi com o Galo até o fim. Talvez não o fim da sua carreira, mas o fim da sua magia. Que continue encantando outras torcidas pelo mundo, ou volte pro Grêmio. Mas Galo e Ronaldinho é uma história sem fim.

Obrigado, Mágico.

Crédito da foto: Divulgação