O dia em que o GP dos EUA teve apenas seis pilotos no grid

O GP dos EUA de Fórmula 1 terá uma edição bastante comentada pela ausência das equipes Marussia e Caterham, por problemas financeiros. Com isso, o número de carros no grid cairá para 18, o menor dos últimos tempos na categoria. Mas foi justamente em solo norte-americano que a F1 viveu um dos momentos mais bizarros da história. Em 2005, no circuito de Indianápolis, a corrida teve apenas seis pilotos na largada.

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No dia 19 de junho de 2005, o mundo da Fórmula 1 estava em meio a uma polêmica. Na época, duas fornecedoras de pneus atuavam na categoria, Michelin e Bridgestone, diferentemente dos dias de hoje, em que a Pirelli é a única fabricante. O problema é que a Michelin anunciou que não conseguiria garantir a segurança de seus compostos em Indianápolis.

A grande preocupação era por causa do acidente sofrido pelo alemão Ralf Schumacher, da Toyota, nos treinos de sexta-feira. O pneu do carro dele se desmanchou pouco antes de uma violenta batida no muro a mais de 300 km/h. Proibido pelos médicos de participar do GP, Ralf passava relativa bem, mas ainda com tontura e outros problemas causados pelo impacto.

A ideia da Michelin era pedir uma autorização para mudanças nos pneus, mas o regulamento proibia trocas nos compostos entre sábado e domingo. Foi exatamente nesse intervalo que a fábrica mandou transportar modelos diferentes para os EUA, que acabaram não aceitos.

Com o trauma do acidente de Ralf Schumacher, as equipes pediram insistentemente que os pneus diferentes fossem aceitos, ao mesmo tempo que também pediam uma chicane no lugar da batida do alemão. Sem sucesso em ambos os pedidos, veio a decisão extrema: não correr.

O regulamento da Fórmula 1 previa que a corrida precisava de um mínimo de 12 carros para acontecer. Mas, ao mesmo tempo, considerava a volta de apresentação como parte da prova. Com isso, para evitar um abandono que rendesse punições legais, as equipes de pneus Michelin deram a volta de apresentação e entraram nos boxes, deixando o grid apenas para as três que corriam com Bridgestone.

Imediatamente, uma chuva de objetos arremessados na pista e uma série incrível de vaias foram vistas no autódromo mais famoso do mundo. Corriam apenas Ferrari, Jordan e Minardi. As equipes eram completamente diferentes entre si. A Ferrari estava em má fase, mas ainda poderia ser considerada como elite, ao lado das ausentes Renault e McLaren.

A Jordan brigava entre as menores com Sauber e Red Bull (que estreava na F1), enquanto a Minardi era claramente a pior, já em seu último ano de categoria (foi substituída pela Toro Rosso).

O resultado foi um espetáculo horroroso que ficou como uma página manchada na história da Fórmula 1. Para completar o festival, as duas Ferraris dispararam na frente, como já era de se esperar. Mas Barrichello passou a ameaçar a vitória de Schumacher nas últimas voltas. A escuderia, como sempre, mandou o brasileiro tirar o pé e não brigar pela liderança.

Com muita reclamação, vaias e latinhas arremessadas, o GP dos EUA de 2005 foi um passo largo para terminar a relação de Indianápolis com a Fórmula 1 dois anos depois. O país só voltou a receber a categoria em Austin, em 2012.

Schumacher venceu, Barrichello foi o segundo. O português Tiago Monteiro consegui um pódio para a Jordan, mas chegou com uma volta de atraso. As Minardis foram as últimas colocadas, duas voltas atrás dos vencedores. Um domingo de vergonha para a F1 que terminou com um pódio muito constrangedor.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.