Clima de decisão: A fronteira entre rivalidade e violência

É impossível gostar de futebol e não sentir a diferença de um torneio disputado, porém com mais frieza de torcidas com estilo europeu, em uma Liga dos Campeões ou até mesmo na Liga Europa, e a chuva de papéis picados, cantos intermináveis em castelhano, português e um clima ferrenho de rivalidade em disputas como a Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana.

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Tudo muito legal, emocionante, mas as ameaças de agressão aos jogadores do São Paulo logo na chegada ao estádio em Guayaquil, com a necessidade de intervenção policial, o estouro de fogos no hotel da delegação do Flamengo um dia antes do jogo contra o Atlético Mineiro ou episódios como Kevin Espalda, jogadores cobrando escanteios com escudos policiais… tudo isso nos levam a pensar: Até onde vai a fronteira entre o “clima de rivalidade” e a “guerra de ódio” nessas competições?

Boa parte da responsabilidade, para não dizer em sua totalidade, se deve a benevolência de todas, sim, TODAS as confederações filiadas a Conmebol. Sejam em torneios intercontinentais ou nacionais, enquanto não coibirem com veemência as equipes que, mesmo por responsabilidade de alguns vândalos disfarçados de torcedores, acabam causando transtorno desnecessário ao espetáculo, tudo vai transcorrer como transcorre até hoje. Se não há punição, como tentar passar uma lição?

Se faz necessária uma reforma legislativa com relação aos regulamentos que envolvam todas as entidades interligadas a Conmebol. Até porque já percebemos, em diversas vezes, que não há interesse nenhum da mesma em melhorar ou dar mais valor aos seus produtos.

Porém, não é possível eximir os próprios clubes, que não questionam a assinatura de regulamentos. Situação que pode ser decisiva para definição de datas, horários, reunir condições de segurança adequadas em todas os estádios, dentre muitos outros fatores. Com o caneta rabiscada no papel, as agremiações tapam a própria boca com a faixa da negligência.

Dizer que o estilo mais quente e apaixonado de se torcer é algo cultural, concordo e acho uma grande verdade. Estender esse tipo de pensamento a uma “guerra” e violência desmedida é jogar o problema para debaixo do tapete.

 

 



Jornalista formado em 2012 pela FIAM e que tem paixão por esportes, destacando-se Futebol, MMA, Basquete e Automobilismo. Foi editor e repórter do Universo dos Sports.